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Discussão entre prefeitura e Tribunal de Contas do Município emperra liberação de certificados necessários para bancar obra

O Corinthians ainda adapta seu estádio em Itaquera às necessidades do clube pouco mais de dois meses após a Copa do Mundo, mas não espera concluir todas obras ainda pendentes para se trocar o "Padrão Fifa" pelo "Padrão Corinthians" antes do início de 2015. Dificuldades em tocar obras com o estádio em funcionamento e principalmente o atraso na emissão de certificados de incentivos ao desenvolvimentos (CIDs), são as principais barreiras do clube hoje.

Os CIDs são parte fundamental para que o estádio seja pago. Em 2011, o então prefeito Gilberto Kassab autorizou a liberação dos certificados avaliados em R$ 420 milhões como parte do financiamento para que o estádio se adequasse para ser sede da abertura da Copa do Mundo. O estádio do Corinthians passou ser avaliado em R$ 820 milhões, e não mais R$ 400 milhões, valor do financiamento feito via Caixa Econômica Federal junto ao BNDES.

Estádio do Corinthians já recebe jogos, mas não está 100% pronto

Quem bancou a obra até aqui, antes mesmo de todo o financiamento ser liberado, foi a Odebrecht, empreiteira contratada para realizar a construção da obra. Os CIDs, desta forma, serviriam para ressarcir a empresa, que só aceitou seguir na obra do Itaquerão depois de ter as garantias da prefeitura em relação a esses certificados. 

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As exigências da Fifa para adequar o estádio originalmente feito para o Corinthians para uma arena da Copa justificam a elevação do valor da obra, explica o clube. A conta final superou R$ 1 bilhão. E o interesse da cidade em receber o evento facilitou a votação favorável aos CIDs há três anos. Esses certificados são títulos emitidos pela prefeitura que dão às empresas que os possuem isenção ou abatimento no pagamento do ISS e do IPTU caso invistam na zona leste da cidade.

Apesar do acordo firmado, a emissão dos certificados está travada. O Tribunal de Contas do município de São Paulo (TCM) e a prefeitura da cidade debatem a questão. O TCM orientou a prefeitura a rever a forma como os CIDs estão sendo emitidos, mas não tem poder de vetar a liberação dos certificados. Até agora, os CIDs emitidos equivalem a metade dos R$ 420 milhões previstos, ou seja, R$ 210 milhões. A Prefeitura ainda estuda como vai emitir os CIDs restantes. 

O Corinthians reconhece que a emissão dos CIDs está atrasada. O iG entrou com o clube e ele informou que Andrés Sanchez, responsável corintiano pelos negócios envolvendo o estádio, admitiu o atraso do reapsse dos CIDs. Sanchez não aceitou dar entrevista por conta da campanha a deputado federal em que está envolvido. 

A venda da propriedade do nome do estádio, os "Naming Rights", ainda está em negociação e é acima do CIDs a principal fonte esperada pelo Corinthians para pagar o estádio construído em Itaquera.

Cobertura do prédio leste ainda não foi concluída e só deve ser finalizada em 2015
Djalma Vassão/Gazeta Press
Cobertura do prédio leste ainda não foi concluída e só deve ser finalizada em 2015

O que ainda falta?
O estádio ainda tem muitas áreas internas não concluídas. Um espaço para que os jogadores do Corinthians façam o aquecimento antes de jogos e que será equipado com arquibancadas para torcedores vip estava servindo como escritório da Fifa durante a Copa e ainda não foi adaptada para sua finalidade.

Outra pendência do estádio é a cobertura dos prédios leste e oeste. Por questões de rivalidade, o vidro que seria usado para fechar o teto dos dois prédios teve de ser trocado e as novas peças não foram adquiridas. A antiga ganhava tonalidade verde em contato com o sol. Lembrar o Palmeiras é algo que Andrés Sanchez não aceitou. Apesar de dizer que não está a frente das deliberações referentes ao estádio, é ele quem dá as cartas ainda. 

Outros itens, como o banco de reservas do Corinthians e para a equipe visitante, também estão improvisados. Não há data prevista para a colocação de assentos permanentes, tampouco para retirada dos telões utilizados hoje, que são alugados. Outros devem ser adquiridos. A previsão da Odebrecht é de que em 2015 essas pendências estejam resolvidas.

Em 2011, o cronograma oficial do estádio já previa que o estádio ficaria pronto depois da Copa do Mundo

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