Criticado por instabilidade do time, técnico do Corinthians mostrou incômodo com chance de ser sacado no fim do ano

Mano Menezes, técnico do Corinthians
Luís Moura/Gazeta Press
Mano Menezes, técnico do Corinthians

O fraco futebol apresentado pelo Corinthians tem aumentado os rumores de que Mano Menezes será substituído ao fim de seu contrato, em dezembro. Aumentam a efervescência as eleições presidenciais do clube, marcadas para fevereiro, e as aparições recentes na televisão de Tite, técnico desempregado e dos mais vitoriosos da história alvinegra.

"Bom, é impossível a gente evitar que aconteçam coisas que não estão sob comando da gente. Tem que saber conviver com elas. Cada clube tem sua característica. Em outros clubes, diretores brigam entre si. Em uns, tem campanha política. A gente, que é profissional, tenta fazer com que não interfira no trabalho. Não vejo nenhuma interferência no dia a dia. O que temos apresentado é responsabilidade nossa. Vamos trabalhar para fazer funcionar", afirmou o atual treinador da equipe.

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Com o time em fase ruim e às vésperas do clássico contra o São Paulo, Mano foi questionado sobre a possibilidade de troca no comando em caso de fracasso no Majestoso. Sua resposta, sem citar nomes, foi criticar profissionais de imprensa e a escolha de convidados em aparições na TV.

"Quem começa essa pressão são vocês (jornalistas). Vocês têm que assumir essa parte. Dois, três resultados ruins acontecem, e começa o mesmo discurso. Alguns vão além. Tentam cavocar vaga para outro profissional, convidam para o programa, fazem uma chacrinha. Não é bom para o futebol brasileiro", comentou.

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Mano citou reportagens recentes que apontaram melhor aproveitamento dos times que mantêm seus técnicos - admitindo a obviedade de que não há motivo para o líder mudar o comando - antes de procurar apontar sua irritação na direção dos jornalistas, não na de Tite. "Não, não. Não falei de profissionais colegas meus. Falei de colegas seus."

Escalação para o clássico

Mano Menezes prepara um meio de campo mais forte para o clássico contra o São Paulo. Em situação muito parecida com a vivida no embate com o Palmeiras, em fevereiro, pelo Campeonato Paulista, o treinador do Corinthians deverá promover a entrada de Bruno Henrique no setor.

"Às vezes, você vive um momento de confiança maior; às vezes, menor. O técnico procura, com a sua escolha, passar segurança aos seus jogadores. Para que se sintam firmes e defendam aquela ideia lá dentro. Às vezes, essa escolha é com três atacantes. Às vezes, com dois meias. Às vezes, é com três volantes", afirmou.

O comandante vê semelhanças entre o Majestoso de domingo e o Dérbi disputado no início do ano. Na ocasião, como agora, ele estava em busca de uma melhor formação e tinha pela frente um adversário em momento superior - era o líder do Estadual. Bruno Henrique, que chegara naquela semana, foi titular de cara, formando trio de volantes com Ralf e Guilherme.

No atual estágio do Corinthians, Mano vê necessidade de se ajustar às características do rival. Foi por isso que, em confrontos com equipes mais defensivas, como Bragantino e Chapecoense, escalou três atacantes. Diante de um time com a qualidade ofensiva do São Paulo, é preciso reforçar o meio de campo.

O quarteto ofensivo tricolor não terá Alexandre Pato - substituído por Michel Bastos, Luis Fabiano ou Osvaldo -, mas é temido. "Eu vou ser bem sincero contigo: eu preferia que ele não existisse", sorriu o técnico do Corinthians, sorrindo. "A gente gosta muito de futebol bem jogado, mas não quando enfrenta a gente."

* Com Gazeta.

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