Durante entrevista com a presença do presidente Mario Gobbi e mais três dirigentes, técnico afirmou que não comentará mais as arbitragens e deixará o assunto para os cartolas

O técnico do Corinthians , Mano Menezes, questionou o uso de imagens de televisão em julgamentos do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Seu time teve Petros suspenso por 180 dias – em primeira instância – com esse recurso. Renato Augusto também foi julgado, embora tenha escapado só com uma advertência. E existe o temor de que Paolo Guerrero seja o próximo.

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“Seria prepotência minha dizer como o tribunal deve se comportar. A tentativa é fazer o melhor. O que me preocupa muito e me faz refletir é que o diretor de TV pode decidir a imagem que vai ao ar e a que não vai ao ar. Ele passa a ter uma importância que temos que discutir, porque pode decidir se um jogador vai ser indiciado ou não”, afirmou o treinador.

Mano Menezes gesticula do lado de fora do campo durante jogo do Corinthians
Lucas Uebel/Getty Images
Mano Menezes gesticula do lado de fora do campo durante jogo do Corinthians

O gaúcho usou como exemplo o caso de Petros, cujo choque com o árbitro Raphael Claus, interpretado como agressão no STJD, não foi imediatamente percebido nas transmissões da televisão. Foi só no intervalo da partida que a TV Globo separou a trombada. A repercussão do caso gerou a denúncia e a punição, da qual recorreu o Corinthians.

“Se a imagem não é encontrada, o fato não aconteceu. Em um jogo menor, onde temos menos câmeras, as imagens podem não aparecer. Está sendo prejudicial ao Corinthians, que está sendo exposto na mídia, em TV aberta. Outras equipes não têm jogos transmitidos a todo momento. Isso cria um desequilíbrio sobre o qual precisamos refletir”, disse Mano.

Essa exposição voltou a ficar clara após a derrota para o Bragantino, na última quarta-feira, pela Copa do Brasil. Houve mais um choque entre um jogador do Corinthians, Guerrero, e um árbitro, Leandro Bizzio Marinho. A imagem foi mostrada à exaustão pela ESPN Brasil, com comparações traçadas em relação ao lance envolvendo Petros e Raphael Claus.

“Se eu falar que é uma situação diferente, vou dizer que o Petros agrediu, né? A imagem é bastante clara nas duas situações. É um fato completamente casual o de Paolo, né?”, comentou o técnico, olhando para cima, simulando o gesto do atleta após o tiro de meta que antecedeu o choque. “Penso que o entendimento vai ser claro e o tribunal vai tomar o caminho certo.”

Irritou muito Mano Menezes a edição das imagens da trombada ter mostrado, na sequência, um gesto seu de aplauso no banco de reservas da Arena Pantanal, como se o treinador do Corinthians estivesse aprovando a derrubada do juiz. “Tinha uma câmera exclusiva para mim. Se eu bato palma, apareço. Se me descabelo, apareço. Se coço o... pé, apareço.”

Técnico diz que não falará mais sobre arbitragem

Mano Menezes concedeu sua entrevista na noite de sexta-feira, no CT do Parque Ecológico, observado por quatro dirigentes do Corinthians. O presidente Mário Gobbi, o diretor Ronaldo Ximenes, o gerente Edu e o coordenador Alessandro ouviram o técnico dizer que agora é deles a responsabilidade de fazer eventuais comentários sobre arbitragem.

“Prestígio no futebol é um perigo, né? Mas é muito bom recebê-los na nossa sala de conferências”, sorriu o treinador, antes de ser repetidamente questionado sobre o trabalho dos juízes nos últimos jogos do Corinthians. Terminada a derrota para o Bragantino, na última quarta-feira, ele havia apontado “algo diferente” desde a repercussão do caso Petros, acusado de agredir o árbitro Raphael Claus.

“Eu também disse que não falaria mais de arbitragem. Isso, a partir de agora, vai ser trado pela direção do clube da forma que ela achar mais conveniente. Fica chato tratar sempre do mesmo assunto, fica parecendo desculpa pós-resultado. Em função disso, não vou mais falar sobre isso. Algumas coisas foram colocadas com a opinião do momento, algumas até com o calor do jogo. O Corinthians vai saber conduzir bem”, comentou.

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