Goleiro Aranha, do Santos, foi chamado de macaco por membros da torcida gremista durante jogo válido pela competição nacional na última quinta-feira

Aranha e Arouca avisam arbitragem sobre ofensas racistas da torcida do Grêmio na Arena
Roberto Vinícius/Agência Eleven/Gazeta Press
Aranha e Arouca avisam arbitragem sobre ofensas racistas da torcida do Grêmio na Arena

Um dia após as manifestções racistas contra o goleiro Aranha , do Santos , proferida por um grupo de torcedores do Grêmio , a ação continua repercutindo nos bastidores. Os procuradores do STJD (Superior Tribunlal de Justiça Desportiva) trabalham na apuração dos responsáveis pelo crime e começam a ponderar acerca do tipo de punição a ser imposta. De acordo com o CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), o Grêmio pode até ser excluído da Copa do Brasil.

O artigo 243-G do CBJD diz que "caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com perda de pontos e caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente".

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Pelo mesmo artigo do Código, "quando a infração for considerada de extrema gravidade, o órgão judicante poderá aplicar as penas dos incisos V, VII e XI do art. 170". Estas são perda de pontos, perda de mando de campo ou exclusão de campeonato.

De acordo com o promotor de justiça do torcedor, José Francisco Seabra Mendes Júnior, é necessário aguardar a conclusão do inquérito policial para que todos os culpados sejam identificados.

"Além da punição individual dos torcedores que tenham a identidade apurada, nós vamos nos reunir com a brigada militar e com a Federação Gaúcha para apurar se os cânticos provinham das torcidas organizadas. Se confirmado o envolvimento, a punição pode ser estendida à facção uniformizada", comentou o promotor, deixando em aberto a solução do caso.

Em contrapartida, o assessor do Grêmio, Marcos Chitolina, fez questão de esclarecer que o clube não apoia a discriminação racial, como forma de tentar isentar o time gaúcho de uma possível punição, fato que já aconteceu no início do ano, quando o zagueiro do Inter Paulão foi ofendido pela torcida gremista durante um Gre-Nal, válido pelo Gauchão.

"O Grêmio não é uma instituição racista. Foi um ato individual, a Arena tem condições para identificar os envolvidos. O clube tomará as medidas cabíveis previstas pela lei", falou o chefe da assessoria de imprensa.

Ao comentar sobre as consequências do ato preconceituoso, Seabra afirma que o fato da ocasião envolver muitas testemunhas pode agravar a pena. "É um crime punido com um a três anos de reclusão e multa. Ainda tem um agravante de mais um terço em relação a pena quando o crime é praticado na presença de muitas pessoas", assegurou.

Em entrevista ao jornal Zero Hora, o procurador do STJD, Paulo Schimitt afirmou que recebeu uma notificação do árbitro Wilton Pereira Sampaio relatando o ato de injúria e que tal depoimento será incluído na súmula da partida. "Já solicitamos imagens e outras provas para análise. A súmula tem um adendo noticiando o fato. O clube poderá responder por infração ao inciso do artigo 243-G (injúria racial) do CBJD", advertiu.

*com Gazeta Esportiva

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