Presidente do Palmeiras deixou de pagar R$ 260 mil para o atacante, hoje no São Paulo, mas desembolsa a mesma quantia para pagar José Carlos Brunoro, Omar Feitosa e Marcelo Giannubilo. Este último se desligou no início do mês

"O Palmeiras não será refém de seu centenário" - como diz Paulo Nobre -, mas poderá comemorá-lo na lanterna do Campeonato Brasileiro. Sem um grupo competitivo, prometido pelo presidente durante campanha eleitoral, o time sofre com as limitações do elenco e tem pagado caro com a recusa dele em fazer qualquer tipo de "loucura financeira" para contratar. A verdade é que com o gasto da "profissionalização" do departamento de futebol, a diretoria poderia bancar o salário de um Alan Kardec.

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Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, gasta R$ 13 milhões com departamento profissional e não profissional
André Lucas Almeida/Futura Press
Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, gasta R$ 13 milhões com departamento profissional e não profissional

Mensalmente, segundo os balancetes, o Palmeiras gasta cerca de R$ 13 milhões com "esportes profissionais e não profissionais". Dentro deste valor, se encaixam os salários dos atletas e também do diretor-executivo José Carlos Brunoro e o gerente Omar Feitosa, contratados por Paulo Nobre no início da gestão. No ano passado, por exemplo, o departamento fechou a temporada tendo R$ 101.752 milhões de despesas.

Segundo o iG apurou, Brunoro recebe R$ 120 mil de salário, mas tem direito a bonificações por metas. Enquanto Omar Feitosa, chamado para controlar o ambiente dentro de vestiário e ser o homem de confiança de Nobre, tem vencimentos próximos a R$ 80 mil. Além deles, Marcelo Giannubilo - chamado para profissionalizar o marketing e demitido no início deste mês - recebia R$ 30 mil. Juntos, eles pagariam um salário de R$ 260 mil a um atleta. Coincidentemente, a quantia exata pedida por Alan Kardec para renovar.

Não é de hoje que as prioridades de Paulo Nobre tem causado atrito com os torcedores palmeirenses. Dentro do clube, o empresário ainda é questionado por ter deixado de contratar Kardec e de, até o momento, não ter contratado nenhum substituto de nome para ocupar a vaga. Henrique, embora tenha nove gols, é criticado por ser limitado tecnicamente.

Alguns conselheiros afirmam que a administração conturbada já era prevista e que o fato de "um taxista pilotar uma Ferrari" em algum momento "pagaria o preço pela inexperiência". A falta de transparência nos demonstrativos financeiros também é apontada como um erro da atual gestão. Paulo Nobre, em todas suas aparições públicas, faz questão de reforçar que os números são tratados apenas internamente.

Plano para liquidação de dívida está em debate

Membros do Conselho Deliberativo e COF (Conselho de Orientação Fiscal) estão se reunindo, ao menos duas vezes por semana, para discutir a aprovação do plano para a quitação de R$ 103 milhões emprestados pelo presidente Paulo Nobre. A votação ocorrerá em Assembleia Extraordinária no dia 1 de setembro, na sede social do clube, e a tendência é que seja aceito.

O plano montado pelo cartola agradou os conselheiros por ser uma forma financeiramente vantajosa para o clube, já que os juros estão bem abaixo em relação aos que são aplicados no mercado.

Depois de adiar a apresentação do plano, alegando não ter tido tempo hábil para a confecção, Nobre propôs o pagamento da dívida no prazo de 10 a 15 anos, revertendo 10% da renda mensal a um fundo específico.

O questionamento dentro do clube, porém, foi em qual setor o dinheiro foi aplicado. O COF alega que o montante foi utilizado para pagar salários de jogadores e profissionais das diversas áreas e contas do clube social. Outros associados, por sua vez, contestam a argumentação do orgão.

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