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Time que superou o "imbatível Santos de Pelé" passou de inimigo da nação para representante do país em jogo contra o Uruguai, na inauguração do Mineirão em 1965. Ademir da Guia é contratado e conduz o time com maestria

A "squadra" que motivou a criação do Palestra Itália voltou na década de 60. Na quinta matéria do iG sobre o centenário do Palmeiras, conheça o período áureo onde brilhou Valdir de Moraes, Dudu, Ademir da Guia, Julinho Botelho e Filpo Nuñez, técnico responsável por comandar a primeira Academia.

Palmeiras representou a seleção em 65: Valdir de Moraes, Servílio, Juninho, Waldemar, Ademir da Guia, Djalma Dias, Djalma Santos, Rinaldo, Ferrari, Dudu e Tupãzinho
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Palmeiras representou a seleção em 65: Valdir de Moraes, Servílio, Juninho, Waldemar, Ademir da Guia, Djalma Dias, Djalma Santos, Rinaldo, Ferrari, Dudu e Tupãzinho

O início da década de 60 foi motivo de alegria para o Palmeiras que conquistava naquele ano a Taça Brasil ao bater o Fortaleza. A competição uniu os 17 campeões estadual na briga pelo troféu e assegurou uma vaga na Libertadores ao campeão. Mas foi mesmo no ano anterior, em 1959, que o elenco alviverde exibiu o cartão de visita e mostrou porque mais tarde se tornaria imbatível.

Durante o Campeonato Paulista - que também ficou conhecido como Supercampeonato -, Palmeiras e Santos empataram na primeira colocação e tiveram de disputar em partidas extras o título. À época, Pelé era a grande estrela do rival, mas nem ele foi o suficiente para parar o time da capital. Depois de dois empates, o Palmeiras venceu por 2 a 1, com um gol decisivo de Romeiro, e faturou o título.

Em 1961, o Palmeiras participou da Copa Libertadores e logo na primeira campanha chegou à final do torneio. Apesar do bom desempenho, o time sucumbiu diante do Peñarol, do Uruguai, que venceu a primeira partida por 1 a 0 e levantou a taça no Pacaembu depois de um empate por 1 a 1.

Jornal escreve sobre a contratação do Palmeiras: Ademir da Guia, ex-Bangu
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Jornal escreve sobre a contratação do Palmeiras: Ademir da Guia, ex-Bangu

Nos anos posteriores, o time foi campeão paulista (63) e recebeu um convite especial da CBD (Confederação Brasileira de Desportos): representar a seleção brasileira na inauguração do Mineirão. O clube que antes era inimigo da nação se vestiu de Brasil para enfrentar o Uruguai na Taça Inconfidência.

Do treinador ao massagista, a seleção brasileira era composta apenas por palmeirenses. O esquadrão foi formado por: Valdir de Moraes, Servílio, Juninho, Waldemar, Ademir da Guia, Djalma Dias, Djalma Santos, Rinaldo, Ferrari, Dudu e Tupãzinho. Em campo, vitória da "seleção palmeirense" por 3 a 0.

O ano de 1967 foi histórico para o Palmeiras com as conquistas da Taça Brasil e do recém-criado Torneio Roberto Gomes Pedrosa, além do tetracampeonato brasileiro em 1969 e título do Torneio Ramón de Carranza, na Espanha, depois de superar o Real Madrid na decisão.

É importante ressaltar que neste momento surgia um dos maiores ídolos da história do Palmeiras: Ademir da Guia. Clássico camisa 10, o meio-campista chegou ao clube em agosto de 1961 contratado por três milhões e oitocentos mil cruzeiros junto ao Bangu, do Rio de Janeiro, e foi aos poucos conquistando o seu espaço no time.

Após a convocação de Chinesinho para a Copa do Mundo de 62, no Chile, Ademir passou a disputar a titularidade com Hélio Burini. Começou a atuar como médio-volante no Campeonato Paulista daquele ano e depois passou para o meio-de-campo com a chegada do técnico Geninho ao fim da competição. No ano seguinte, conduziu o time ao título paulista.

Ademir da Guia, o Divino, dedicou 16 anos da vida dele ao Palmeiras. Em troca, ganhou do clube um busto que permanece até os dias atuais na área social do clube. Ele é o jogador que mais atuou pelo Palmeiras, com 900 jogos e 153 gols.

Dudu e Ademir da Guia comandaram o time na Academia
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Dudu e Ademir da Guia comandaram o time na Academia

Outros destaques da década

Djalma Santos - Marcava o adversário com elegância e tinha uma saída de bola de um meia-amador. O lateral-direito foi um dos maiores do futebol brasileiro e permaneceu no Palmeiras por dez anos. Possui 501 jogos pelo clube, sendo 299 vitórias, 105 empates e 97 derrotas.

Julinho Botelho - Foi um dos maiores camisa 7 da história do futebol brasileiro. Atuou pelo Palmeiras 1958 e 65 e depois retornou em 1967. Possui 269 jogos pelo clube, com 81 gols e quatro títulos conquistados: Campeonatos Paulistas de 1959 e 63, Campeonato Brasileiro de 1960 e Torneio Rio-São Paulo de 1965. Foi ídolo também da Fiorentina, da Itália. Recentemente, foi homenageado na Copa EuroAmericana.

Dudu - Chegou ao Palmeiras em 1964 contratado junto à Ferroviária (SP). Era o capitão do time durante o tempo em que esteve em campo. Tornou-se técnico do Palmeiras em 1976, após pendurar as chuteiras. Possui 609 jogos e 25 gols pelo clube.

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