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Leia a história e o que motivou a mudança de nome do clube em 1942. Episódio ficou conhecido como Arrancada Heroica

Na sequência da série especial do centenário do Palmeiras, o iG chega à década mais importante na história do clube. Os anos 40 marcou o período de transição do antigo Palestra Itália para o novo Palmeiras. A mudança do nome, atrelada ao momento vivido no país, ficou conhecida como a "Arrancada Heroica". Conheça aqui o episódio completo.

Devido à Segunda Guerra Mundial em 1942, o Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome, uma vez que o presidente Getúlio Vargas determinou que tal alteração deveria ser feita até março daquele ano. À época, a Itália fazia parte dos Países do Eixo, ao lado da Alemanha, e era liderada por Benito Mussolini. O Brasil estava do lado dos Aliados e via os italianos como "inimigos da nação".

Jogadores do Palmeiras entraram em campo no Pacaembu com a bandeira do Brasil e evitou vaias na partida contra o São Paulo
Divulgação
Jogadores do Palmeiras entraram em campo no Pacaembu com a bandeira do Brasil e evitou vaias na partida contra o São Paulo

Foi então que decidiu-se manter o "Palestra" na nomenclatura e passou a ser denominado "Palestra São Paulo". O novo nome, porém, durou apenas seis meses.

No dia 19 de junho foi realizada uma reunião com o Conselho Deliberativo para alterar, mais uma vez, o nome do clube. Entre diversas discussões foi que o presidente João Minervino sugeriu "Palmeiras" por duas razões: a letra "P" se manteria no escudo e homenagearia a Associação Atlética das Palmeiras, que ajudou a colocar o Palestra Itália no Campeonato Paulista de 1916.

Ata da mudança de nome do Palestra para Palmeiras
Divulgação
Ata da mudança de nome do Palestra para Palmeiras

"Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões”, determinou Minervino. E na tarde de domingo do dia 20 de setembro de 1942, o Palmeiras, segurando a bandeira do Brasil, entrou em campo pela primeira vez no Campeonato Paulista contra o São Paulo, no Pacaembu.

Com a bola rolando, não poderia ser melhor. O goleiro Oberdan Cattani estava inspirado, fechava o gol, enquanto o São Paulo tentava se vingar. Mas quem abriu o placar foi o Palmeiras com o atacante Cláudio Pinho, aos 20 minutos. A partir daí, emoção foi o que não faltou. O São Paulo empatou três minutos depois com Waldemar de Brito, e no fim da primeira etapa o Palestra marcou o segundo com Del Nero.

Precisando da vitória para ser campeão, o São Paulo voltou para o segundo tempo disposto a virar o placar. O argentino Echevarrieta então tratou de acalmar os ânimos e assinalar o terceiro gol palmeirense aos 14 minutos. Cinco minutos depois, Og Moreira sofreu falta dentro da área, cometida pelo zagueiro são-paulino Virgilio, e o árbitro marcou. O lance revoltou os jogadores do São Paulo que, sob orientações do capitão Luizinho, abandonaram o gramado. Palmeiras campeão paulista de 1942.

A partida também marcou a célebre frase do técnico Armando Del Debbio: “O Palestra morre líder, e o Palmeiras nasce campeão”.

Curiosidades

- O dia 20 de Setembro tornou-se o dia do Palmeiras em 2006, após aprovação do então prefeito José Serra.

- Og Moreira, também conhecido como Toscaninho, foi o primeiro jogador negro do Palmeiras.

- Em 1942, surgiu o hino do Palmeiras criado por Antônio Sergi

- Oberdan Cattani foi considerado o maior goleiro de todos os tempos de Palestra/ Palmeiras

- Lima ganhou a adoração da torcida e ficou conhecido como o "garoto de ouro".

- Waldemar Fiúme foi considerado o "professor da bola". Permaneceu uma década e meia no clube.

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