Presidente Paulo Nobre já realizou 35 contratações, mas ainda sofre com elenco limitado no Brasileirão. Time apenas a dois pontos da zona de rebaixamento e soma até aqui campanha para ser esquecido no ano do centenário do clube

Há um ano e sete meses, Paulo Nobre assumia a presidência do Palmeiras e falava em construir um clube autossustentável – sem interferência financeira de dirigentes -, e um time competitivo. O tempo passou e a promessa não foi cumprida. Com mais de R$ 90 milhões retirado do próprio bolso, Nobre coleciona contratações que pouco surtiram efeito e agora tem de administrar um time que vive, mais uma vez, o risco de ser rebaixado para a Série B.

Paulo Nobre cumprimenta Alan Kardec, atacante o qual ele conseguiu perder para o São Paulo antes mesmo do contrato terminar
Djalma Vassão/Gazeta Press
Paulo Nobre cumprimenta Alan Kardec, atacante o qual ele conseguiu perder para o São Paulo antes mesmo do contrato terminar

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Após a derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG, em Belo Horizonte, o técnico Ricardo Gareca se recusou a conceder entrevista coletiva e o clima nos vestiários não é o dos melhores. O atacante Henrique, que assinalou o gol de honra, disse que o “momento é de aparecer homens de verdade” para poder tirar o time da situação ruim do Campeonato Brasileiro, onde ocupa a 14ª colocação e tem a diferença de apenas dois pontos para o lanterna Coritiba.

Se a promessa de campanha de profissionalização ficou apenas no papel, as contratações recentes explicam o atual insucesso. Desde que assumiu a presidência, Nobre realizou 35 contratações para o elenco profissional e 17 delas já nem fazem mais parte do grupo. O lateral Paulo Henrique, o zagueiro Tiago Alves e o volante França, por exemplo, ainda têm vínculo vigente mas acabaram emprestados.

Confira as 35 contratações de Paulo Nobre:

Outro problema tem sido o setor defensivo. Embora tenha contratado sete volantes neste período, os titulares são Wesley (contratado na gestão de Arnaldo Tirone) e Renato, garoto revelado nas categorias de base. Nas laterais, mais uma preocupação. Juninho já externou que não deseja mais continuar no clube, e Wendel tem sido o titular improvisado na lateral-direita.

O setor de criação não é diferente e carece por um camisa 10. Com a transação de Valdivia fracassada para os Emirados Árabes, o meia pode ir de jogador negociável a salvador do ano do centenário. Quem deveria assumir a função dele - leia-se Bruno César - sequer consegue entrar em forma física. Mendieta e Felipe Menezes sofrem por não terem a inteligência do companheiro chileno.

As recentes chegadas de argentinos têm o dedo de Gareca. Allione, o mais novo entre eles, é quem mais se destacou até aqui. Cristaldo, por sua vez, chega com uma pressão enorme ao ter a responsabilidade de assumir a posição de Alan Kardec, transferido ao rival São Paulo.

E se para Paulo Nobre rebaixamento não "é fruto do azar", o melhor mesmo é ele correr enquanto é tempo para evitar mais uma mancha na história quase centenária do Palmeiras. 

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