Presidente do Botafogo acredita que o fechamento da janela de contratações e as sete partidas já completadas no Brasileirão impedirão a saída dos jogadores

Maurício Assumpção, presidente do Botafogo
Fabio Castro/Agif/Gazeta Press
Maurício Assumpção, presidente do Botafogo

O elenco do Botafogo completou três meses de salários em carteira atrasados e isso dá aos jogadores o direito de buscar na Justiça a rescisão de contrato, deixando o Glorioso sem que o clube receba um único centavo por isso. Porém, essa hipótese é muito pouco provável. Alguns aspectos estão contribuindo para que os atletas desejem permanecer em General Severiano.

O primeiro deles é que a maioria dos titulares e alguns reservas principais já completaram sete partidas com a camisa do Botafogo e não podem mais defender nenhuma outra equipe no Campeonato Brasileiro, restando apenas a Série B ou divisões inferiores. A janela de transferências internacionais para a Europa está se fechando e dificilmente algum clube da Europa iria investir neste momento. Isso sem levar em consideração que poucos hoje teriam visibilidade fora do país, casos, por exemplo, do zagueiro Dória, que não quer uma saída ruim por conta de sua história no clube, e do goleiro Jéfferson, que já avisou que vai permanecer.

"Não podemos pagar mal com o mal. Sair é o extremo. Honramos a camisa do Botafogo, e pode destacar que isso não vai acontecer", disse Jefferson.As palavras do jogador são confirmadas por outra liderança do elenco, o zagueiro Bolívar. "Não estamos pedindo nada além do nosso direito, que é o de receber os salários. Sabemos que a lei nos dá o direito de buscar um outro caminho, mas sinceramente acho muito difícil que isso venha a acontecer. O nosso pensamento neste momento é em conseguir tirar o Botafogo dessa proximidade com a zona dce rebaixamento".

A decisão dos jogadores parece ser levada em consideração pela diretoria, que demonstra tranquilidade sobre o assunto.

"Juridicamente eles têm esse direito, mas acho difícil que isso aconteça. Um dos principais líderes do elenco, que tem voz de comando, que é o Jéfferson, garantiu que isso não vai acontecer e essa é uma palavra que eu tenho que levar em consideração", explicou o presidente Maurício Assumpção em entrevista ao canal ESPN.

Outros fatores pesam para que uma debandada não aconteça. Os salários de boa parte dos jogadores são considerados altos para a realidade do futebol brasileiro, e por isso eles consideram melhor esperar para receber o montante do que ir ao mercado para ganhar bem menos em dia. Além disso, o elenco está dividido quanto a acreditar nas palavras da diretoria. Alguns não acreditam mais em Assumpção, enquanto outros olham o presidente como mais uma dívida.

"O Botafogo tem pessoas sérias no comando. O presidente não deixa de pagar porque quer, mas sim porque não tem como pagar com 100% das receitas penhoradas", disse o meia Carlos Alberto.

É com esse clima de incertezas que o Botafogo segue se preparando para a partida deste domingo, às 16 horas (de Brasília), contra o Atlético-PR na Arena da Baixada, em Curitiba (PR), pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para este compromisso, o técnico Vagner Mancini terá o retorno do volante Aírton, que cumpriu suspensão no empate por 1 a 1 com o Cruzeiro no domingo passado. O jogador disputa posição com Gabriel e com o argentino Mario Bolatti. O restante do time deverá ser o mesmo do duelo passado. Nesta sexta-feira acontecerá mais um treinamento na parte da tarde, no Engenhão. No mesmo local, o plantel treina na manhã de sábado e embarca em seguida para a capital paranaense.

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