Ainda deslumbrando retorno do ex-presidente, SSS diz ser contra ao Comitê de Gestão e declara que o "Santos parou no tempo". Proposta da associação é reestruturar o clube

Impossível não citar Marcelo Teixeira quando se fala da política do Santos. É basicamente desta maneira que a associação Santos Sempre Santos (SSS), da oposição, tem concentrado suas atenções e tomado suas decisões – com o aval do ex-presidente – para concorrer às próximas eleições do clube no fim do ano. Conheça os argumentos do grupo no quinto dia da série especial do iG Esporte .

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Emerson Cholbi, vice-presidente da Santos Sempre Santos, grupo da oposição
Arquivo pessoal
Emerson Cholbi, vice-presidente da Santos Sempre Santos, grupo da oposição

Embora Teixeira diga publicamente que não mais concorrerá ao cargo, o nome dele nunca foi descartado dentro do clube. Apesar de ter sido derrotada em 2011, quando lançou o membro Reinaldo Guerreiro como candidato e viu Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro ser reeleito com 87% dos votos, a Santos Sempre Santos acredita em uma disputa mais apertada neste ano. O nome do presidenciável ainda não foi divulgado.

“Fui conselheiro de Marcelo Teixeira por dez anos. Temos uma história dentro do clube. Estamos montando uma chapa e temos quatro ou cinco nomes possíveis. Vamos sentar e ver quem é o melhor. Temos vários projetos que envolvem a Vila Belmiro, CT Rei Pelé, base e sedes. No momento certo vamos divulgar”, disse o vice-presidente da SSS, Emerson Cholbi, ao iG Esporte .

Assim como a Terceira Via Santista, a SSS é contra ao modelo administrativo do Comitê de Gestão. Para o grupo, quem “deve mandar é o presidente e o seu vice”. “Sou contra o modelo do comitê, que engessa o clube e o impede de andar. O estatuto precisa mudar”, completou.

Ainda sobre a influência exercida por Teixeira na Baixada Santista, a exemplificação clara é que o nome dele ainda resiste nos documentos financeiros do clube mesmo depois de ter deixado a presidência há quatro anos. Isso porque, no balanço financeiro de 2013, aprovado em maio, consta que o clube ainda realiza o pagamento de uma dívida superior a R$ 40 milhões ao ex-mandatário. O acordo foi selado em 2012 e prevê o pagamento até fevereiro de 2018.

Odiado por uns e idolatrados por outros, Marcelo Teixeira, por sua vez, parece não se animar com a possibilidade de voltar ao poder. Em entrevista à Rádio Jovem Pan , em maio deste ano, ele foi claro em falar que o ciclo encerrou. “A solução do Santos não é somente a volta do Marcelo Teixeira. A solução do Santos passa primeiro pela união dos verdadeiros santistas, daquelas famílias, não somente aquelas que vivem na Baixada Santista, mas aquelas que realmente tem um compromisso na história do Santos. Uma pessoa apenas, por mais capaz que ela seja, não fará nada que seja de soluções para a grandeza do Santos. Por mais paixão que nós tenhamos, eu não me vejo mais sentado naquela cadeira. Eu permaneci dez anos e não me arrependo absolutamente de nada do que eu fiz”, declarou à época.

Se o retorno dele ainda é incógnita, a Santos Sempre Santos já traçou o perfil do próximo presidente que entende ser melhor para gerir o clube. “Nós procuramos uma pessoa que seja apaixonada. Nós temos que valorizar as categorias de base e reconstruir o clube, que precisa passar por uma reavaliação. O Santos hoje não tem um estádio renovado, está do jeito em que deixamos. O Santos parou no tempo, essa é a verdade. Em agosto, internamente, vamos decidir quem vamos lançar (como candidato)”, apontou Cholbi.

Confira na íntegra a carta de apresentação do grupo enviada a pedido do iG Esporte:

"Os integrantes da associação "Santos Sempre Santos" são santistas retos, justos e apaixonados pelo glorioso Santos Futebol Clube. Para os integrantes da associação, o clube está acima da vaidade pessoal, pois na seara da vida, até os mais altivos homens passam ao esquecimento. Entretanto o exaltado SFC, que é reverenciado por todo o planeta, fica, pois é eterno.

Em toda democracia é salutar e saudável haver oposição. Portanto a partir de agora, a "Santos Sempre Santos" exercerá de forma transparente e construtiva o papel de oposição fiscalizadora. Será a voz da massa de dez milhões de torcedores.

Em 2010, vendo que quem ganhou a eleição se juntou com pessoas que não achávamos que seria bom para o clube e hoje está aí a realidade, o clube arrecadou como nunca e se endividou como nunca também. O certo era acabar a dívida que em 2010, que era de apenas R$ 77 milhões, e hoje dizem que beira os R$ 400 milhões. Como pode isso? Transparência zero.

Fora a venda do Neymar, que a cada dia surgem novos valores. Essa transação foi a gota d'água, cominando com os 8 a 0 (contra o Barcelona). Foi uma administração desastrosa ao clube. O patrimônio ficou na mesma, não baterão um prego nesses cinco anos que estão no poder e ainda têm a cara de pau de tentar continuar. O SFC precisa recomeçar. Temos através de uma administração séria, a missão de reconstruir o clube, totalmente esfacelado pelo atos da atual diretoria.

Naquele ano, montamos a nossa chapa e concorremos às eleições, mesmo sabendo que quatro dias depois disputaríamos a final do Mundial de Clubes no Japão. Mas se o associado soubesse de que Neymar já estava vendido antes da competição e de tudo que hoje sabemos, naquela época o próprio resultado daquela eleição teria sido diferente. O SFC não aguentaria mais uma gestão dessa. Temos de recomeçar do zero e transformarmos o nosso querido SFC em um clube de vanguarda, hoje e sempre".

*O texto acima foi escrito por Emerson Cholbi, vice-presidente da Santos Sempre Santos.

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