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Movimento que ajudou eleger Luís Álvaro no primeiro mandato, sofreu uma racha em 2012 e planeja retornar às rédeas administrativas do Santos. Mudanças feitas com a participação ativa dos membros são exaltadas

Um dos grupos políticos mais antigos nos bastidores do Santos, a Resgate Santista, que já teve Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro como presidente e ajudou o eleger em 2009, planeja lançar seu próprio candidato à presidência do clube nas eleições marcadas para o fim deste ano, no dia 6 de dezembro. No quarto dia da série especial da política alvinegra praiana, o iG Esporte apresenta o histórico e propostas do grupo.

Presidida atualmente por Fabio Vianna, a Resgate Santista deixou de apoiar a administração de Luis Álvaro em julho de 2013 por discordar com algumas ações e demissões à época. A ruptura política, no entanto, já dava indícios de que aconteceria com a saída de alguns membros no ano anterior. Ao todo, 15 conselheiros se desvincularam do movimento e hoje encabeçam outros grupos, como é o caso de Francisco Cembranelli e Thiers Fleming, membros do Comitê de Gestão, além de Nabil Khaznadar, da Eu Sou Santos (situação)

Dentro do clube, associados apontam a polêmica como um "golpe político" e a tomada do poder, sobretudo devido ao afastamento de Luís Álvaro. Em novembro do ano passado, a Resgate apresentou uma denúncia referente à mesa do Conselho Deliberativo, apontado como responsável por querer calar as reivindicações dos oposicionistas.

"Somos uma chapa vencedora. Prezamos pelo profissionalismo, transparência e democracia. A Resgate elegeu Luís Álvaro e conseguiu implantar a divulgação trimestral dos balanços, equalizar as dívidas...Valores que carregamos. No entanto, com a tomada do poder, entendemos que o grupo não pratica mais esses princípios e, por esse motivo, não apoiamos mais essas pessoas. A aprovação do balanço de 2013 é o exemplo da falta de profissionalismo. Há negociações má explicadas", explicou Fabio Vianna em entrevista ao i G Esporte .

Apesar da boa comunicação com a Terceira Via Santista, possível aliada no processo eleitoral, a Resgate Santista garante que vai registrar a própria chapa. "Mal se sabe como o clube está hoje. A nossa preocupação é tentar entender a realidade e apresentar propostas pontuais para que possamos mudar. A Resgate vai ter uma chapa própria. Internamente, temos conversado, discutindo ideias que tendem a virar propostas. Hoje, a gente sabe do que o clube precisa, das demandas, e acha importante os (demais) grupos discutirem e participarem da montagem desse processo", completou ele.

A favor da criação do Comitê de Gestão quando houve a mudança de estatuto em março de 2011, a Resgate Santista começou a divergir com a cúpula, principalmente com os membros Pedro Luiz Conceição, Caio de Stefano e Luciano Moita, conhecidos em Santos como "Vila Rica". Os dois primeiros foram destituídos do cargo a ordem de Luís Alvaro, enquanto Luciano, um dia depois, renunciou.

"O Comitê de Gestão tinha um projeto, mas acabou às ordens de três figuras (esses citados acima). No fim de 2011, demitiram Fernando Silva (então consultor de futebol) e posteriormente contrataram André Zanotta.Hoje, o clube está mal. O presidente (Odílio Rodrigues) antecipou cotas de 2015, e agora qual é a garantia da atual e próximas gestões?", apontou.

Vianna ainda relembra as dificuldades financeiras do Santos, que fechou 2013 no vermelho, e os atrasos dos pagamentos. Durante o Paulistão deste ano, o clube atrasou o direito de imagem dos atletas. "Atrasar salários demonstra o amadorismo. Quando estávamos na direção, todo mundo tinha o salário em dia. Falta transparência para dizer aonde foi aplicado o dinheiro das vendas. A lei manda publicar os demonstrativos, mas não divulgam", lamentou.

Com a intenção de reestruturar o Santos, a Resgate deslumbra até parceria com a Prefeitura de São Paulo para a utilização do Pacaembu em dias de jogos do time e força nos bastidores com a TV Globo, detentora dos direitos de transmissões.

"Não foi nem debater o projeto da construção da Arena em Cubatão porque é coisa de louco, não dá nem para imaginar. O Santos tem de jogar com a torcida dele. O Pacaembu é um estádio bom, e prefeitura precisa de ajuda para reformá-lo. Temos de olhar para isso, e recentemente o Santos nem quis conversar. A Vila (Belmiro) é velha, com capacidade de público pequena e precisa de mudanças para se tornar aconchegante ao torcedor. É preciso ter equilibrio. Quanto às cotas de transmissões, acho que está faltando habilidade para negociar. Para que não sabem que o clube existe", ponderou.

Confira na íntegra a carta de apresentação do grupo enviada a pedido do iG Esporte:

"A Associação Movimento Resgate Santista – ou Resgate, como é comumente conhecida – é uma associação civil sem fins econômicos criada por volta de junho de 2002 para lutar pelo bem do Santos Futebol Clube. Seus propósitos primordiais são propor ações de fortalecimento do clube e fiscalizar os atos da administração, entre outras atividades. Seus valores são: profissionalismo, transparência, impessoalidade e democracia.

Diante da percepção de que a gestão à época de sua criação – a cargo de Marcelo Teixeira – não estava permitindo o progresso do Santos, a Resgate foi às urnas. A vitória veio no fim de
2010, com a chapa encabeçada por Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro – o Laor.

A AMRS participou ativamente do primeiro mandato que, em seu entendimento, foi bastante acertado. Não se pode dizer o mesmo do segundo, quando um jogo político instalou-se no clube, gerando o resultado que estamos conferindo dia a dia. Mesmo com Laor no poder, a associação continuou a exercer forte fiscalização da gestão, o que desagradou muitos de seus membros. Para a Resgate, o efeito prático do momento político foi o afastamento sistemático de sua sigla do comando diretivo do clube.

Em outubro de 2012, ex-membros da AMRS – ou inseridos na gestão do Santos ou próximos a ela – decidiram deixar a associação, assinando um manifesto de dissidência. Houve, a partir daí, um desligamento em massa. Os dissidentes criaram um novo grupo político, cuja camiseta Laor vestiu pouco depois (literalmente). Após os episódios descritos, já não havia nenhum membro da associação entre os dirigentes do Santos. Além disso, todos os funcionários potencialmente ligados à Resgate foram pouco a pouco demitidos, sob o pretexto de reforma administrativa.

Entendemos que a Resgate tenha ônus e bônus nesse período que vai de 2010 até agora, que devem ser discutidos de forma transparente e democrática. A AMRS cometeu, sim, muitos erros, sobretudo na eleição de alguns membros que acabaram por não seguir os seus princípios. A associação, contudo, está com seus quadros renovados e buscando colaboradores que pensem o clube de forma diferenciada e moderna, sempre alinhada aos seus valores fundamentais. O plano de governo está em discussão, pois a associação pretende fazer propostas viáveis e com aplicabilidade pré-definida, e não apenas listar objetivos".

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