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Clube espanhol jogou e venceu Mundial de 1974 mesmo após vice na Champions daquele ano. Agora, endeusa Simeone para derrotar arquirrival Real Madrid e conquistar troféu que falta

O Atlético de Madri está diante da partida mais importante de sua centenária existência. Vice-campeão da Liga dos Campeões em 1974, o clube tem a chance de reescrever a história neste sábado, em Lisboa, quando enfrenta o arquirrival Real Madrid em sua segunda decisão europeia. Um caso curioso, porém, chama a atenção: mesmo tendo perdido a final continental para o Bayern de Munique 40 anos atrás, a equipe espanhola possui um título mundial.

A torcida do Atlético de Madri voltou a ter motivos para vibrar com sua equipe
Darren Staples/Reuters
A torcida do Atlético de Madri voltou a ter motivos para vibrar com sua equipe


O Bayern venceu em 1974 o que ainda era chamada de Taça dos Campeões Europeus, mas abdicou de seu direito de enfrentar o argentino Independiente, então campeão da Libertadores, no Mundial de Clubes. A competição na época era conhecida como Copa Intercontinental e disputada em dois jogos, um no país de cada participante. A vaga, então, caiu no colo do Atlético de Madrid, que perdeu o primeiro duelo fora de casa por 1 a 0, mas ficou com o troféu depois de triunfar na Espanha por 2 a 0.

Qualquer comparação com o Corinthians , campeão do mundo em 2000, não é mera coincidência. Isso porque o time do Parque São Jorge entrou na primeira edição do Mundial de Clubes organizada pela Fifa na condição de campeão brasileiro e conquistou o título mesmo sem ter vencido a Libertadores – o que só mudou em 2012.

E para acabar com esta situação e levar a primeira Liga dos Campeões para sua casa, o Atlético de Madri conta com uma força que vem do banco de reservas. Para os torcedores, nada de Diego Costa, David Villa, Cortouis ou qualquer outro jogador. O principal responsável pela fase da equipe é o endeusado técnico Diego Simeone, chamado carinhosamente de “Cholo” pelos fãs.

Veja também: Por "La Décima", Real vai a Lisboa com a mesma tripulação de goleada sobre o Bayern

“Cholo trouxe uma filosofia, algo diferente, algo fresco, o que precisávamos. Ele deu tudo pelo clube, é algo incrível. É Deus! Para nós, ele é Deus! O maior da história”, resumiu José Luis, de 45 anos, torcedor do Atlético de Madrid que comprou um ingresso para assistir à final da Champions em um telão que será instalado no Vicente Calderón, estádio do clube.

Simeone é festejado pelos jogadores do Atlético. Técnico era titular do time campeão espanhol em 1996
Manu Fernandez/AP
Simeone é festejado pelos jogadores do Atlético. Técnico era titular do time campeão espanhol em 1996

Simeone é treinador atleticano desde 2011 e já conquistou quatro títulos: a Liga Europa e a Supercopa da Uefa em 2012, a Copa do Rei em 2013 e o Campeonato Espanhol de 2014, nesta que pode se tornar a melhor temporada da história colchonera. Como jogador da equipe, ganhou um Espanhol e uma Copa do Rei.

E a identificação do técnico com o clube fica clara em suas declarações: “A capacidade de motivação é mostrar a camisa do clube. A motivação é jogar no Atlético de Madri não importa contra quem”, disse na véspera da decisão.

O Atlético foi fundado em 1903 como filial do Athletic de Bilbao e logo foi associado aos operários da cidade, em contraste com o Real Madrid, criado um ano antes e de fama elitista. Daí surgiu seu apelido de seus torcedores, os “colchoneros”: as cores vermelha e branca revestiam colchões populares nas primeiras décadas do século passado.

“Essa final era muito esperada há muitos anos. E ser contra o rival de toda a vida faz com que seja duplamente especial”, explicou o torcedor Jose Luis.

A partida entre Atlético de Madrid e Real Madrid está marcada para 15h45 (horário de Brasilia).

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