Primeiro jogo oficial do clube de quase 104 anos na sua casa põe fim a anos de frustrações e projetos furados de estádios

O estádio de Itaquera não estará 100% pronto no domingo, mas pouco importa. Enfim, os torcedores do Corinthians , após 61 anos de promessas não cumpridas, verão um jogo do time em seu próprio estádio, na zona leste de São Paulo.

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O Parque São Jorge, até hoje o estádio de fato do Corinthians, foi adquirido em 1926, por 750 contos de réis pelo presidente Ernesto Cassano. Ampliado e reinaugurado dois anos mais tarde e decisivo no progresso preto e branco, porém, a Fazendinha ficou pequeno para o clube há muito tempo.

Ídolos do passado já jogaram no estádio. Relembre em fotos:

"Nosso campo, sejamos sinceros, não está à altura do Corinthians. É inadiável a construção de um estádio de verdade, do qual possamos nos orgulhar", dizia o editorial publicado na revista "Corinthians", órgão oficial do clube, em 1953. O texto falava em uma equipe de engenheiros destacada para trabalhar no "espetacular estádio", algo que se tornaria habitual nas décadas seguintes.

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Presidente no interminável período entre 1961 e 1971, Wadih Helu apresentou um dos vários projetos de arena. O esboço tinha até uma cobertura para o campo, algo então revolucionário. Depois, o dirigente mudou de ideia e falou em comprar o Pacaembu, plano que seria revisitado em várias oportunidades, até pela gestão de Andrés Sanchez, que acabou dando o passo final para chegar a Itaquera.

Vicente Matheus: promessas não cumpridas
Gazeta Press
Vicente Matheus: promessas não cumpridas

Na década de 1970, foi a vez de Vicente Matheus lançar novos planos de construção da casa própria. Seu devaneio inicial, um palco para mais de 100 mil pessoas no lugar da Fazendinha, acabou sendo trocado por outro. Para a arena de 200 mil espectadores, um enorme terreno foi cedido pela prefeitura, em 1980. Até o presidente Ernesto Geisel esteve presente na cerimônia de entrega do terreno.

Já na primeira metade da década de 1980, ressurgiu o plano de reforma da Fazendinha, que chegou a ser reinaugurada no início dos 1990, para um público inferior a 15 mil pessoas. Seguindo o ciclo, na extensa gestão de Alberto Dualib (1993-2007), o Corinthians passou por três parcerias com a mesma promessa de um novo e grandioso estádio.

Andrés Sanchez sucedeu Dualib e teve algumas frustrações até que, com habilidade política, conseguisse começar a construção da arena que será inaugurada neste domingo. A partida contra o Figueirense representará o fim de uma espera longa.

Inquilino, do lenheiro ao Pacaembu

Não existia uma associação do tipo Viva Bom Retiro, em 1910. Mesmo assim, nascido em uma esquina do bairro, o Corinthians incomodou muita gente em seus primeiros anos ali, sendo decisivo na popularização de um esporte que não era para pobres. "Time de carroceiros", ofendiam os adversários, ajudando a fundir na alma alvinegra o orgulho de ser maloqueiro e sofredor.

Pacaembu lotado pela torcida do Corinthians; enfim, clube deixará de pagar aluguel para jogar
Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Pacaembu lotado pela torcida do Corinthians; enfim, clube deixará de pagar aluguel para jogar

A equipe já nasceu inquilina, alugando até 1912 "o campo do lenheiro", um terreno na Rua dos Imigrantes (atual José Paulino) pertencente a um vendedor de lenha. No ano seguinte, Neco e seus companheiros passaram a disputar a Liga Paulista de Futebol (LPF), com jogos frequentes no Parque Antártica - que viria a ser do seu principal rival.

Foi em 1918 que o Corinthians teve a sua primeira casa. O campo da Ponte Grande, onde hoje fica a Ponte das Bandeiras, foi erguido em mutirão pelos próprios jogadores, então (muito) amadores. Lá, eles conquistaram 70 vitórias em 92 jogos, entre eles o que lhes rendeu o título de 1923, e ficaram até 1928, quando a Fazendinha foi inaugurada como sua casa.

Decisiva para o crescimento do clube como um todo - foi ali que surgiram a âncora e os remos do símbolo, menção ao remo praticado no Rio Tietê -, a sede na zona leste não foi suficiente. A partir da abertura do Pacaembu, em 1940, o estádio municipal foi aos poucos adotado como casa - alugada - dos alvinegros, agora de mudança definitiva para a sua ZL.

*com Gazeta

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