Figueirense, Chapecoense e Criciúma estão na zona de rebaixamento da competição em uma edição inédita com maior número de representantes do estado no campeonato

O que era para ser um Campeonato Brasileiro histórico para os catarinenses se tornou um verdadeiro pesadelo. Com o torneio indo para a quinta rodada, os três representantes de Santa Catarina aparecem na zona da degola e são grandes candidatos ao rebaixamento. A situação mais preocupante é a do Figueirense , lanterna da competição, que até agora não venceu e sequer balançou as redes.

Bruno Rangel está de volta à Chapecoense com a missão de iniciar a reação no Brasileiro
Aguante Comunicação/Chapecoense
Bruno Rangel está de volta à Chapecoense com a missão de iniciar a reação no Brasileiro

Confira a tabela de classificação do Campeonato Brasileiro

A realidade do Figueirense hoje é bem diferente daquela vivida no início da temporada. O time conseguiu quebrar o jejum e levantar a taça do Campeonato Catarinense ao superar o Joinville por 2 a 1, após seis anos. Mas aí o Brasileirão começou e o casamento com a torcida se desfez.

Com apenas duas rodadas, o Figueirense decidiu demitir o técnico Vinícius Eutrópio e viu o experiente Marcos Assunção pedir dispensa em decorrência a saída do comandante. O clube então contratou Guto Ferreira, mas não anunciou nenhum jogador para reforçar a equipe. O executivo de futebol Rodrigo Pastana hoje reconhece a necessidade de ir ao mercado.

“A prioridade é trazer reforços para o time. Esta semana, nós vamos fazer uma reunião com o treinador para definir os nomes. Não dá para esperar a parada para a Copa para contratarmos”, disse o cartola que virou alvo de críticas da torcida.

Quem também não tem cenário nada animador é a Chapecoense, penúltima colocada na tabela. Embora mantenha Gilmar Dal Pozzo no cargo – está desde a Série D -, o time se viu obrigado a retirar dinheiro dos cofres e contratar. O negócio de maior impacto até aqui é o retorno de Bruno Rangel, goleador da equipe durante a campanha da Série B, que estava no Al-Arabi, do Catar. Além dele, chegaram também os atacantes Leandro e Alemão, do meia Camilo e do zagueiro Neuton.

O curioso é que em meio a esse processo conturbado a Chapecoense apresentou um novo diretor de marketing. Com passagem pelo Grêmio, Paulo César Verardi foi contratado com a missão de aumentar o número de sócios e diversificar o número de produtos licenciados pelo clube.

Criciúma conquistou a única vitória do campeonato justamente contra o Figueirense
Petra Mafalda/Mafalda Press/Gazeta Press
Criciúma conquistou a única vitória do campeonato justamente contra o Figueirense

O Criciúma, primeiro colocado na zona de rebaixamento, foi o que mais trocou o comando técnico e, em cinco meses, demitiu Ricardo Drubscky e Caio Júnior. Wagner Lopes foi o último escolhido e permanece à frente do time. No entanto, o corte não afetou apenas os treinadores, como também a gerência de futebol. Carlos Kila saiu e Julio Rondinelli, ex-Avaí, chegou com responsabilidade de atuar nos vestiários.

“A cobrança, muitas vezes, é natural. Ninguém no vestiário está satisfeito com o resultado do último jogo. Sobre cobrança, tem diversas formas de fazê-la, mas não é chutando o balde, fazendo barulho. Você precisa ter habilidade para conduzir, porque você vai cobrar uma, duas vezes e na terceira o atleta explode e não produz mais nada. A gente precisa ter habilidade para conduzir”, disse Rondinelli durante apresentação na última terça-feira.

Dos três clubes do Estado, apenas Criciúma venceu até aqui no clássico justamente contra o Figueirense por 1 a 0, na terceira rodada. O time alvinegro é o mais violento da competição com 13 cartões amarelos e um vermelho recebidos, enquanto a Chapecoense é líder em dribles errados. Os torcedores locais terão de torcer muito para o panorama mudar.

Depoimento de Carlos Mattei Rauen - Jornalista da TV Litoral Sul Criciúma

"Estruturalmente o futebol de Santa Catarina cresceu muito. Chapecoense, Figueirense e Criciúma fora de campo estão totalmente preparados para disputa a primeira divisão, mas parece que esqueceram que o futebol se ganha no dentro dele. O Figueirense achou que o time campeão estadual bastava para disputar o Brasileirão e não contratou nenhum reforço de renome. O Criciúma, por sua vez, vem passando por uma fase de impaciência com os treinadores. Em cinco meses, o técnico Wagner Lopes é o terceiro a comandar o time e por aqui os reforços ainda não deram resultados como é o caso do atacante Lucca. Já a Chapecoense vem enfrentado dificuldades pela maneira que joga. Ela tem o mesmo técnico desde a Série D e o estilo de jogo não mudou muito. Uma retranca, mesmo jogando em casa, e pronta para sair nos contra-ataque. Se acertar, pode incomodar alguns adversários neste Brasileirão, mas mesmo assim vai passar trabalho para se manter na elite. Os três times vão brigar contra o rebaixamento nessa temporada, e a fase do Figueirense, por passar por um momento interno conturbado, é a pior”

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.