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Transmissão da final entre Santos e Ituano cortou faixa do grupo um mês depois de movimento cobrar apoio da emissora

Integrantes do Bom Senso no evento da Uninove: Dida, Wendel, Tiago Alves, Bruno, Roberto, Alex, Fernando Prass, Juan, Paulo César e Rafael Silva
Gabriela Chabatura/ iG
Integrantes do Bom Senso no evento da Uninove: Dida, Wendel, Tiago Alves, Bruno, Roberto, Alex, Fernando Prass, Juan, Paulo César e Rafael Silva

O Bom Senso FC, enfim, se pronunciou. Depois de a TV Globo se recusar a mostrar a faixa do movimento na decisão do Campeonato Paulista, domingo, o grupo falou sobre o acontecimento em uma nota publicada nas redes sociais. O descaso da rede de televisão aconteceu um mês depois de Rogério Ceni, durante um seminário em São Paulo, fazer um discurso acalorado pedindo a contribuição da emissora para a divulgação das ideias do movimento.

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Através do Facebook, o Bom Senso FC divulgou um texto sobre a paralisação do futebol brasileiro, no qual demonstra a preocupação da inatividade de clubes menores no segundo semestre e possui o seguinte trecho: “Mesmo em um cenário como esse, o principal responsável pelo estado do futebol brasileiro (refere-se a José Maria Marin) se diz preocupado única e exclusivamente com a seleção e a Copa do Mundo. Nós nos manifestamos no domingo para chamar atenção ao lado ignorado do futebol brasileiro, aquele que não é prioridade para a CBF, com a faixa: "Final de campeonato: 1 campeão, 500 clubes sem atividades e 12 mil desempregados". Entramos em campo em diversas finais dos Estaduais, mas até a nossa faixa acabou ignorada pela TV”.

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Apesar do posicionamento ocorrido na última terça-feira, um dia depois da censura, a reportagem do iG Esporte abordou alguns jogadores do Santos – que adentraram ao gramado do Pacaembu carregando a mensagem –, e eles alegaram não saber do corte da TV Globo durante a transmissão.

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“Eu nem sabia que havia sido cortada. Se foi, eles tinham algum motivo. Isso eu nem posso comentar porque não estou sabendo de nada”, desconversou o lateral-direito Cicinho.

“É um momento onde todos querem melhorias para o futebol brasileiro. É por isso que falamos que é ter bom senso para que as coisas melhorem no Brasil. Eu procuro não entrar em detalhes (sobre o corte da Globo) porque não gosto de polêmicas. Eu só acho que nós estamos bem cientes do que queremos e aí vai da emissora de querer mostrar ou não”, declarou o santista Cícero.

Confira abaixo os protestos já realizados pelo Bom Senso FC nos torneios:

Um dos principais articuladores do Bom Senso FC, o goleiro Fernando Prass cobrou posicionamento da emissora. “Eu não vi porque sinceramente eu não assisti aos jogos. Mas se isso aconteceu realmente tem de ser perguntado a quem cabe, a quem faz a transmissão e não para nós”, disse.

O iG Esporte procurou a TV Globo para comentar o ocorrido, mas, através de sua assessoria de imprensa, afirmou que não vai “se pronunciar” alegando que o assunto já tinha sido abordado nesta reportagem sobre os bastidores da decisão do Estadual: Final do Paulistão tem censura da Globo, dedo de Felipão e campeão esquecido

Por possuir os direitos de transmissão dos principais campeonatos, a Globo é uma das principais interessadas em manter o atual calendário do futebol brasileiro. A empresa, inclusive, já participou de reunião com o grupo e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para discutir as possíveis mudanças das principais competições. No ano passado, um dos idealizadores do Bom Senso FC, o meia Alex chegou a criticar a subordinação da CBF perante a televisão e dizer, em entrevista ao jornal "Lance!", que “a CBF não tem grande interferência dentro do futebol, pois cuida apenas da seleção brasileira. E quem realmente cuida do futebol brasileiro é a Globo”.

Recentemente, representantes do movimento conseguiram se reunir com a CBF e membros da Comissão dos Clubes para discutir mudanças no fair play financeiro e agora espera novo posicionamento da entidade para definir as próximas ações. A possibilidade de greve ainda está sendo discutida.

“Acho que está tudo em aberto. As ações que tomamos sempre foram ditadas pelos acontecimentos. Então, nós estamos esperando as coisas andarem. Tivemos uma reunião para discutir o fair play financeiro, tem algumas coisas em perspectivas boas, mas acho que tudo tem de ser conversado. Nós não podemos cravar nada, dizer que vai acontecer (a greve). É uma situação que precisa ser conversada, não tem nada decidido”, declarou Fernando Prass.

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