Vários campeões mundiais foram criticados pela torcida e saíram do time em baixa. Emerson pode ir para o Botafogo

Ralf, volante do Corinthians
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Ralf, volante do Corinthians

Em processo de reformulação, o Corinthians é hoje bem diferente do time que conquistou o Mundial há um ano e três meses. Com a negociação da transferência de Emerson para o Botafogo, restarão poucos atletas que foram titulares no Japão, e quase todos os que saíram o fizeram em baixa, a contragosto. A situação incomoda Ralf.

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Questionado se os campeões mundiais mereciam um tratamento melhor do clube, o capitão alvinegro concordou. "Acho que sim. Mas a gente sabe que o futebol brasileiro é assim. No Brasil, o ser humano esquece muito rápido", afirmou o volante, um dos remanescentes.

Da equipe escalada contra o Chelsea em 16 de dezembro de 2012, seguem no elenco Cássio, Fábio Santos, Ralf, Danilo e Guerrero - e os dois últimos são reservas. Todos os outros saíram - ou estão de saída, caso do Sheik -, sendo Paulinho o único que de fato fez essa escolha ao ir para o Tottenham em transferência milionária.

Alessandro pensou em renovar seu contrato, mas a diretoria deixou claro que não dava mais para ele como jogador. Chicão foi liberado de graça para o Flamengo; Paulo André, para o futebol chinês. Jorge Henrique foi dispensado por problemas disciplinares. Agora, Emerson vai dando adeus claramente contrariado - o Corinthians ainda pagará metade do salário para se livrar do Sheik. O técnico Tite se esforçou para permanecer, mas foi trocado por Mano Menezes."Hoje, você está bem; amanhã, está mal. Hoje, está aqui; amanhã, está em outro clube. Infelizmente, isso acontece", disse Ralf, admitindo apenas que, por vezes, uma reformulação é necessária. "Não dá para correr disso, não só aqui. É difícil manter um elenco ganhando tudo em quatro, cinco anos, mas a amizade fica."

Torcida também decepciona
Embora mais cuidadoso para falar sobre o reconhecimento da torcida, Ralf também se mostrou decepcionado com o comportamento de parte dela. Emerson, apesar dos gols históricos na final da Copa Libertadores de 2012, não teve mais paz - nem marcou um gol - desde que publicou uma foto beijando um amigo.

Já neste ano, uma invasão de quase 200 torcedores ao centro de treinamento assustou os jogadores. Um dos principais alvos do protesto - que, segundo funcionários, teve agressões, furtos e roubos -, Alexandre Pato foi embora. Também criticado, Douglas - outro campeão mundial, com direito a assistência na semifinal - seguiu o mesmo caminho.

Até Ralf, um dos poupados das reclamações, pensou em sair. "Sim, claro, lógico. Não só eu mas qualquer jogador ali se sentiu acuado. Passei por uma situação parecida depois da eliminação contra o Tolima (na pré-Libertadores de 2011), mas não me abalou tanto quanto a última. Mas a gente sabe que aquilo não é a torcida corintiana. Foram alguns vândalos. Tenho carinho e respeito pela torcida."

O camisa 5 ficou e diz que pretende cumprir o seu contrato, que expira em dezembro de 2015. Já está claro, porém, que os dirigentes do clube não hesitarão em forçar sua saída caso o rendimento não seja parecido com o exibido em todas as históricas conquistas alvinegras desde 2011.

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