Em entrevista ao iG Esporte, o coordenador Erasmo Damiani fala sobre os projetos das categorias de base e o que ainda está pendente. Troca de presidente ameaça planejamento

Um ano depois de Paulo Nobre anunciar mudanças nas categorias de base do Palmeiras, a reformulação do departamento continua. Um dos responsáveis por implementar uma nova metodologia do setor, o coordenador Erasmo Damiani atendeu a reportagem do iG Esporte para fazer um balanço do primeiro ano de gestão e falar dos principais projetos colocados em prática.

Erasmo Damiani ao lado de José Carlos Brunoro
Divulgação
Erasmo Damiani ao lado de José Carlos Brunoro

Sob a gestão de Paulo Nobre, o departamento tem cortado gastos sem deixar de investir na formação dos atletas. A redução de despesas pode ser comprovada através do balanço financeiro do ano passado apresentado ao COF (Conselho de Orientação Fiscal). O documento aponta que em 2013 o clube gastou R$ 20,079 milhões com o futebol amador, uma diferença de R$ 883 mil em relação ao ano anterior, sob o comando de Arnaldo Tirone.

Boa parte dessa diminuição deve-se ao término do Palmeiras B. Embora a atual administração ainda não tenha conseguido se desfazer de todos os jogadores da equipe, ela conseguiu eliminar a discrepância que havia entre os salários dos atletas ao aplicar o modelo de contrato por produtividade e metas. O corte no quadro de funcionários do departamento também ajudou a poupar o dinheiro.

Para 2014, a diretoria do Palmeiras planeja corrigir as cifras e economizar R$ 4,073 milhões. Damiani garante que “dentro deste orçamento já estão os times sub 11 e sub 13 que neste ano participarão do campeonato estadual de suas respectivas categorias”. Os dois times foram criados no ano passado.

Na execução, os resultados já começam a aparecer. Erasmo Damiani destaca como o grande trunfo desta gestão a integração entre as categorias, principalmente com o profissional. O técnico do sub 20, Diogo Giacomini, costuma frequentar os treinos, acompanhar palestras antes dos jogos e conversar com Gilson Kleina e Omar Feitosa sobre os esquemas táticos e as necessidades do time principal.

“Este ano nós tivemos mais de seis jogos-treinos com o profissional, sendo que faz um pouco mais de um mês que nos reapresentamos. O intercâmbio que existe hoje faz com que o profissional da base seja visto pelo treinador (Gilson Kleina) e que haja um maior contato entre eles. Descobrimos a pólvora? Não, mas isso é uma situação que foi colocada, e o departamento profissional entendeu e tem tido facilidade de trabalhar em conjunto com a base. Hoje, por exemplo, a Academia de Futebol sabe o que acontece em Guarulhos, e vice-versa”, analisou o coordenador.

Goleiro Vinícius Silvestre (94) participa do sistema de intercâmbio e hoje treina com os profissionais
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
Goleiro Vinícius Silvestre (94) participa do sistema de intercâmbio e hoje treina com os profissionais

Tal sistema de intercâmbio começou a ser utilizado no ano passado, mas é nesta temporada que ele pode ser notado com maior frequência. O goleiro Vinícius Silvestre (94) e o zagueiro Gabriel Dias (94), que disputaram a Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano, já trabalharam com o elenco principal e aos poucos devem conquistar o espaço no grupo. Dias, inclusive, já recebeu o aval da comissão técnica do profissional para tratar da renovação do vínculo.

Atualmente, 25% do elenco de Kleina são oriundos das categorias de base. Isto é, de 35 atletas, nove deles foram criados dentro do clube, são eles: Fábio (90), Victor Luis (93), Bruno Oliveira (93), Wellington (91), Thiago Martins (95), Renatinho (92), Patrick Vieira (92), Vinícius (93) e Miguel Bianconi (92). 

No entanto, em 12 meses, Damiani não conseguiu concluir todos os projetos que tinha vontade. O departamento de captação de atletas ainda carece de profissionais suficientes para encontrar novos talentos no país.

“Nós começamos a dar um aumento de profissionais na captação, só que em ainda em 2014 eu continuo tendo dois. Dentro de uma visão do departamento, nós teríamos de ter um aumento de funcionários. O Fluminense, na Copinha por exemplo, tinha seis trabalhando na captação, e o Internacional tinha oito rodando a competição. Isso é uma coisa que nós tentamos, mas também compreendemos que o Palmeiras não vive uma situação financeira muito boa. Eu não posso, tenho condições de aumentar o setor sendo ainda temos essa restrição. Se você me perguntar se eu estou contente com isso, eu vou dizer que não. Eu estou contente porque mudamos a filosofia. Nós podemos progredir mais, para assim dar um ganho maior ao Palmeiras”, explicou.

Problema de todos os presidentes que já passaram pelo Palmeiras, a base sempre foi muito criticada por revelar poucos jogadores e nunca ter conquistado o título da Copinha. Agora que o caminho parece estar certo, a possível troca de direção no fim do ano pode colocar em risco todo o projeto de profissionalização. Damiani não tem medo de deixar a coordenação, mas teme que o “legado” não seja levado adiante.

“Medo eu não tenho, porque se por assim o governo não trabalha no último ano de mandato. Eu tenho que fazer o que está programado e o que pode ajudar em uma possível reeleição do presidente, eleição de quem o presidente (Paulo Nobre) esteja apoiando...Por outro lado, isso não quer dizer que se o presidente continuar eu vou permanecer. Eu tenho de dar continuidade, independente da política. Eu preciso deixar algo plantado aqui para que a outra pessoa possa continuar. Se eu pensar só no fim do ano, eu não trabalho”, encerrou.

Nos próximos dois meses, os jovens do Palmeiras participarão de duas competições no exterior, são elas: o Youth Football Tourmament Sub 14, no Japão, dos dias 27 de abril a 30 de maio, e o Aspire Tri-Series Sub 17, em Doha, no Catar. A participação nas duas competições será custeada pelos próprios organizadores dos torneios, e o Palmeiras terá a oportunidade de colocar seus atletas na vitrine internacional sem desembolsar nada.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.