Na lista de 120 nomes divulgada pelo grupo de Carlos Miguel Aidar para o Conselho Deliberativo do SP, chamou atenção a ausência de Adalberto Baptista, hoje diretor secretário-geral

Pela primeira vez depois de oito anos, Juvenal Juvêncio não vai participar da eleição do São Paulo. Em abril, ele chegará ao final do terceiro mandato consecutivo e dará lugar a Carlos Miguel Aidar, seu candidato, ou ao oposiconista Kalil Rocha Abdalla. Mas ele, ao menos, terá um xará no pleito que definirá 80 novos conselheiros.

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Juvenal Rodrigues Amaral, conhecido no clube também apenas como Juvenal, concorrerá a uma vaga no Conselho Deliberativo pela segunda vez. Na eleição anterior do órgão soberano do clube, a qual ocorre de seis em seis anos (e não de três em três, como a presidencial), o sócio fazia parte da chapa vermelha, de oposição, e recebeu 39 votos, suficientes apenas para torná-lo suplente.

Juvenal Juvêncio vai deixar a presidência do SP
Djalma Vassão/Gazeta Press
Juvenal Juvêncio vai deixar a presidência do SP

Desta vez, ele é um dos nomes da situação. Mas, com base no pleito anterior, ele precisaria, no mínimo, quadruplicar a quantidade de votos recebidos para se eleger. Número que os principais candidatos da chapa amarela, alguns membros da diretoria atual (como o vice-presidente de marketing, Julio Casares, e o assessor da presidência, José Francisco Manssur), devem alcançar facilmente.

Na lista de 120 nomes divulgada pelo grupo de Carlos Miguel Aidar, chamou atenção, além do xará de Juvenal, a ausência de Adalberto Baptista, hoje diretor secretário-geral. Uma ausência comemorada pelos situacionistas, que se distanciaram dele publicamente depois de suas polêmicas enquanto diretor de futebol. A principal delas com o goleiro e ídolo Rogério Ceni, que teve sua reposição de bola questionada pelo dirigente como forma de resposta a uma crítica da gestão.

"Ele mostrou ter uma sensibilidade fantástica tendo essa postura (de não se candidatar), mostrou-se um cara digno. Não é candidato, portanto está fora de cogitação de ser qualquer coisa na minha gestão", diz Aidar, ex-presidente que volta ao cenário político do São Paulo depois de duas décadas afastado para se dedicar só à advocacia.

Aidar foi o responsável por garantir judicialmente o atual terceiro mandato de Juvenal - que também ocupou o posto anteriormente (entre 1988 e 1990), é conselheiro vitalício e membro do Conselho Consultivo. O estatuto do clube proibia que um mandatário ocupasse o posto por três gestões seguidas, porém o grupo da situação viabilizou a mudança do documento em reunião do Conselho Deliberativo, em 2011, aproveitando interpretações divergentes quanto ao assunto.

À distância e sem bicho, Juvenal tem último mata-mata no poder

O mata-mata do Campeonato Paulista põe em jogo, a partir de quarta-feira, a chance de Juvenal Juvêncio conquistar um último título como presidente do São Paulo. Se o time perder para o Penapolense ou nas fases seguintes, o dirigente - no poder desde 2006 - entregará o cargo na segunda quinzena de abril tendo como última conquista a Copa Sul-americana de 2012.

O troféu estadual, o qual o clube não vence desde 2005 (ano em que a presidência era ocupada por Marcelo Portugal Gouvêa), seria de grande valor, tendo em conta que o mandatário dedica esforços para fazer de Carlos Miguel Aidar seu sucessor, em eleição a ser realizada provavelmente em 16 de abril, três dias após a decisão da competição.

O contato direto com o time, porém, diminuiu. No ano passado, mesmo adoentado, Juvenal atendeu pedido do técnico Muricy Ramalho e acompanhou presencialmente diversas sessões de trabalho da equipe, em meio ao risco de rebaixamento à segunda divisão nacional, que não veio a se concretizar. Na atual temporada, ele se distanciou consideravelmente do dia a dia do futebol e não foi mais visto pelos jogadores nos campos do CT da Barra Funda.

Jogadores e comissão técnica também não recebem mais bicho do presidente desde o período de crise no Campeonato Brasileiro. Bicho que historicamente sempre foi gordo - em comparação com o que pagam outros clubes paulistas - e dado em todas as partidas. Segundo a diretoria, só deverá haver bonificação em caso de título, com parte do dinheiro proveniente do prêmio da Federação Paulista de Futebol.

Com contratações, o gasto é igualmente reduzido no último ano de Juvenal no poder. Afora o lateral direito Luis Ricardo, comprado da Portuguesa, e o lateral esquerdo uruguaio Álvaro Pereira, emprestado com compensação financeira, os demais reforços não despenderam grandes retiradas do cofre são-paulino. O volante Souza e o atacante Alexandre Pato chegaram na base de troca, e o atacante colombiano Dorlan Pabon tem contrato simples de empréstimo.

Mas os novos reforços são suficientes, no entendimento de Muricy Ramalho, para fazer frente a Santos e Palmeiras, principalmente, nas fases decisivas do Paulista. Bom para Juvenal, que foi presidente também na década de 1980 - campeão estadual em 1989, inclusive - e vai chegando ao fim do terceiro mandato consecutivo com quatro títulos em oito anos (como principais, os três brasileiros, em 2006, 2007 e 2008), mas não faz a torcida comemorar desde 2012.

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