Presidente Odílio Rodrigues não gostou de ter apenas três jogos transmitidos na tv aberta e pede para que o direito de transmissão não seja mais negociado individualmente

Apesar de ter feito a melhor campanha da primeira fase do Paulistão, assistir um jogo do Santos pela televisão aberta foi praticamente impossível. Das 15 partidas disputadas, o clube teve apenas três delas transmitidas pela TV Globo, emissora detentora dos direitos do campeonato. O presidente Odílio Rodrigues classifica o episódio como "lamentável" e vê o critério como forma de enfraquecimento dos clubes brasileiros.

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Odílio Rodrigues, presidente do Santos, fala sobre critério de transmissão dos jogos da TV Globo
Flickr/Santos F.C.
Odílio Rodrigues, presidente do Santos, fala sobre critério de transmissão dos jogos da TV Globo


"Eu acho que um critério que a Globo adota é um critério de mercado e número de torcedores, mas que para o futebol é ruim. Quando prevalece a ideia de mercado, você coloca os interesses de futebol no segundo plano e isso é muito ruim. A medida que você paga muito mais para dois clubes do futebol brasileiro (referiu-se ao Flamengo e Corinthians), a medida que você transmite muito mais jogos de dois clubes do futebol brasileiro, é péssimo para o futebol. Você coloca os outros clubes em uma situação de inferioridade. Daqui a pouco você tem dois clubes que têm maior número de transmissões, recebem bastante dinheiro, e os outros vão disputar o quarto e o quinto lugar.Acho que para o futebol esse não é o maior interesse", analisou o cartola.

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O fato de os clubes negociarem diretamente com a Globo também desagrada o mandatário santista. "Eu acho isso lamentável. Eu penso que os clubes não deveriam negociar individualmente com quem tem o direito de transmitir (o campeonato). Eu acho que os clubes deveriam negociar como um todo. A negociação individual enfraquece e você perde o futebol como um todo, e particulariza as defesas. Não acho bom", defendeu.

Por fim, Odílio Rodrigues defende a união dos clubes para que a negociação e valores mais justos sejam aplicados. "Eu penso que os clubes precisam ser mais unidos, precisam ver mais seus interesses. A medida que negociam individualmente enfraquecem. Eu acho que a estrutura do futebol hoje, do ponto de vista financeiro, é perversa com os clubes. A gente está matando o futebol, no momento que mata os clubes. Com certeza, para a lógica dos clubes é perversa. O clube de camisa, com histórico de conquistas, ele precisa contratar, trazer jogadores, e você não recebe receita suficiente para isso. Um exemplo claro é que os clubes fazem antecipação de recebíveis. Quando a antecipação de recebíveis passa a ser receita recorrente é que alguma coisa está errada", encerrou.

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