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Capitão da seleção brasileira na Copa de 1958 faleceu nesta quinta, aos 83 anos. Ele sofria do Mal de Alzheimer

Morreu no fim da tarde desta quinta-feira o primeiro homem a erguer uma taça de campeão mundial de futebol. Hideraldo Luís Bellini, capitão da seleção brasileira na Copa de 1958, faleceu aos 83 anos, em São Paulo. O ex-jogador sofria do Mal de Alzheimer há uma década e estava internado em estado grave no Hospital Nove de Julho desde a última terça. O horário da morte foi entre 17h30 e 18h. Ele será enterrado em Itapira, no interior paulista, sua cidade natal.

Bellini foi o responsável por criar o gesto de levantar o troféu de campeão do mundo sobre a cabeça. O ato, feito para atender a um pedido dos fotógrafos após a vitória do Brasil por 5 a 2 sobre a Suécia, foi ali imortalizado. Desde então, é repetido por outros capitães em todo o planeta.

Um dos líderes do elenco brasileiro em 1958, o zagueiro esteve também na conquista do bi, quatro anos mais tarde, no Chile. Ele disputou também o Mundial de 1966, na Inglaterra, quando a seleção nacional caiu na primeira fase.

Em homenagem a Bellini, Maracanã foi iluminado em verde e amarelo nesta quinta-feira
Divulgação/Maracanã
Em homenagem a Bellini, Maracanã foi iluminado em verde e amarelo nesta quinta-feira

O ex-jogador começou sua carreira no pequeno Itapirense, time da cidade onde nasceu, e passou ainda pelas categorias de base do Sãojoanense, de São João da Boa Vista, antes de chegar ao Vasco, onde ficou de 1952 a 1961. Após 11 anos e três títulos cariocas, Bellini é até hoje considerado um dos maiores zagueiros da história do clube cruz-maltino.

A sequência da carreira foi no São Paulo. Mas, em uma fase de vacas magras devido à construção do Morumbi, Bellini não conquistou nenhum campeonato de 1962 a 1967, a seis temporadas que passou no time paulista. Em 1968, foi para o Atlético-PR, onde se aposentou no ano seguinte.

Conheça a história de Bellini, o capitão do primeiro título mundial

Com a morte de Bellini, apenas sete campeões de 1958 estão vivos: Zito, Zagallo e Pepe, Pelé e Dino Sani, Moacir e Mazzola.

A morte de Bellini repercutiu entre as principais autoridades do futebol mundial. A Fifa, o Ministério do Esporte e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) manifestaram seu pesar pelo falecimento.

O presidente da CBF, José Maria Marín se lembrou de quando conheceu o ex-zagueiro e ressaltou suas qualidades como cidadão e profissional.

"O futebol brasileiro e seus torcedores estão de luto com a morte daquele que foi um grande capitão. Tive a oportunidade de conhecê-lo em sua passagem pelo são Paulo, em que mostrou ser, além de um excelente zagueiro, um cidadão e profissional exemplar", declarou o mandatário.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, assinou uma nota oficial, lamentando a perda de um grande craque brasileiro e exemplo de determinação, fazendo questão de lembrar das outras Copas em que Bellini atuou: 1962 e 1966.

"Pessoalmente e em nome do Ministério do Esporte, manifesto profundo pesar e expresso solidariedade aos familiares e amigos do nosso eterno capitão", disse Aldo Rebelo.

Por fim, a Fifa, entidade máxima do futebol mundial, estampou uma bela foto do zagueiro abraçado com Pelé e reproduziu em seu site oficial a nota de pesar emitida pela CBF.

“Me encontra no Bellini”

É atribuída a Bellini a estátua que fica em frente à entrada principal do Maracanã. O monumento, que homenageia todos os campeões mundiais de 1958, é tradicional ponto de encontro entre torcedores cariocas. Mesmo sem retratar especificamente o ex-zagueiro, a fama pegou e “me encontra no Bellini” se tornou frase comum entre os frequentadores do estádio.


* Com Gazeta Esportiva.

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