Grupo colocou ideias sobre fair play financeiro e calendário no papel e agora aguarda resposta da entidade

Integrantes do Bom Senso no evento da Uninove: Dida, Wendel, Tiago Alves, Bruno, Roberto, Alex, Fernando Prass, Juan, Paulo César e Rafael Silva
Gabriela Chabatura/ iG
Integrantes do Bom Senso no evento da Uninove: Dida, Wendel, Tiago Alves, Bruno, Roberto, Alex, Fernando Prass, Juan, Paulo César e Rafael Silva

A ideia de uma greve que paralisaria os principais campeonatos do Brasil não deve ser colocada em prática tão cedo se depender do Bom Senso FC, movimento de jogadores que sugere mudanças na gestão de clubes e dos campeonatos no país. Nesta segunda-feira, o grupo apresentou propostas consolidadas a respeito do “fair play” financeiro e de um calendário mais adequado para os clubes. A bola agora está com a CBF, diz Alex, meia do Coritiba.

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“É cedo para saber (se haverá greve). Nós temos de esperar a repercussão e como eles vão receber isso. Não dá para imaginar a proporção disso neste momento”, disse Alex, um dos líderes do movimento após seminários de apresentação das propostas do grupo em São Paulo, na segunda-feira.

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A CBF não se manifestou sobre as propostas do Bom Senso, que preveem a redução dos estaduais, a criação da Série E, um Brasileirão com 10 meses e punição pesada a clubes que não honrem seus compromissos firmados em contrato. O Bom Senso FC vai encaminhar suas propostas à entidade nesta semana. Em 2013, antes de rodadas do Brasileirão, os jogadores cruzaram os braços em sinal de protesto, mas nenhuma ação mais contundente foi levada adiante.

O zagueiro Paulo André, hoje no Shandong Luneng, da China, disse ao iG Esporte que não vê possibilidade de as reivindicações do Bom Senso serem colocadas em prática sem uma verdadeira mobilização dos jogadores. Ele iniciou o movimento com Alex e outros jogadores da Série A em setembro do ano passado.

“Eu acho que sem ela (greve), nada vai mudar. Os políticos só têm medo de uma coisa: do povo nas ruas. Os dirigentes do futebol só têm medo de duas coisas: paralisação do campeonato e exposição da inoperância de suas funções”, disse o jogador.

Em recentes entrevistas sobre o assunto, José Maria Marin, presidente da CBF, disse que respeita os jogadores, mas que não vê nada de errado na forma como conduz o futebol brasileiro. Ele se justifica afirmando que a CBF tem dado apoio financeiro a clubes das Série C e D e que isso é o bastante.

O goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, diz que o Bom Senso fez muito mais que se poderia supor a um grupo de jogadores e que não é função desse grupo colocar suas ideias em prática. “Não tem conotação política, nem tenho saco para isso. Se quem comanda o futebo quiser ajudar o futebol, a gente agradece muito. Se não, essa geração de jogadores será mais uma geração fracassada, mas que tentou. Não sei se terá greve, mas contamos com a colaboração de todos que querem um futebol melhor”, comentou o goleiro.

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