Movimento ainda propõe substituição dos campeonatos estaduais por copas estaduais. A preocupação é ter calendário para clubes menores durante todo o ano

Rogério Ceni em evento do Bom Senso FC
Djalma Vassão/Gazeta Press
Rogério Ceni em evento do Bom Senso FC

Depois de propor uma entidade para regular os clubes, o Bom Senso FC apresentou a sugestão de um novo calendário do futebol brasileiro para o próximo ano. A novidade é a reformulação das Série C e D do Campeonato Brasileiro, além da criação da Série E, garantindo assim competições para clubes menores durante toda a temporada.

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As propostas foram apresentadas por Eduardo Tega, consultor do grupo e diretor da Universidade do Futebol, que fez questão de comparar o calendário do campeonato nacional com países como Alemanha e Itália, os quais apresentam números de jogos bem inferiores ao futebol brasileiro.

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"O Campeonato Brasileiro passa, preferencialmente, a ser disputado aos finais de semana em 2015, com o mínimo de 36 rodadas e máximo de 38. Cria-se as Copas Estaduais, mais enxuta que os Estaduais e abrangendo a totalidade dos clubes que possam disputar", resumiu Tega.

O Bom Senso FC propõe que o Campeonato Brasileiro seja disputado somente aos finais de semana, do mês de fevereiro a dezembro, causando uma ligeira diminuição de partidas. A fórmula de disputa das Séries A e B seguem as mesmas adotas hoje pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

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Para as demais divisões, os torneios passariam a ser regionalizados e teriam um novo modelo de disputa. A Série C passaria a ter 48 clubes, com o mínimo de 34 jogos e máximo de 38, divididos em quatro grupos com 12 equipes cada. As quatro melhores equipes sobem à Série B, e as quatro piores são rebaixadas à Série D.

Na quarta divisão nacional, a Série D teria 144 participantes divididos em 12 grupos de 12 times cada. Na fase de acesso nacional sobem 12 equipes para à Série C e as 36 piores sofrem o descenso. A novidade é a criação da Série E do Campeonato Brasileiro com 432 times divididos em 36 grupos com 12 equipes cada.

"O futebol emprega 15 mil atletas que levam o entretenimento aos senhores que estão nas televisões. O futebol é o esporte mais popular no mundo, e todo garoto sonha em vestir a camisa do seu time do coração. Ele (futebol) tem de custar barato. Hoje, a receita dos clubes com a arrecadação de bilheteria é muito pequena. Tem de haver comprometimento dos clubes, dirigentes e atletas que podem emprestar sua imagem para atrair o público e investidores", discursou Rogério Ceni, goleiro do São Paulo.

De acordo com o Bom Senso FC, o novo modelo proposto dá a possibilidade de 496 clubes menores do futebol brasileiro ter calendário anual e, consequentemente, maior número de partidas oficiais.

"Você não pode ter times pequenos e grandes com atletas que não recebem. A CBF, independente de quem seja o presidente, seja o José Maria Marin ou Ricardo Teixeira, que trabalhe no futebol brasileiro e não invista no crescimento dos atletas e clubes. Está na hora de fazermos alguma coisa", discursou o são-paulino.

Com tom populista, Rogério Ceni ainda questionou a capacidade do país de investir na construção de estádios, mas não de organizar a gerência dos clubes. "Com todo respeito à categoria, mas nós não somos os garis cariocas. Nós não estamos pedindo bolsa família, bolsa atleta, nós estamos pedindo a geração de emprego e organização. A gente não pode fazer um discurso falso moralista, estamos falando da nossa realidade. Como pode o Flamengo fazer um jogo para 400 pagantes? Nós estamos investindo R$ 20 bilhões em estádio para a Copa do Mundo e não conseguiu gerir os clubes da Série A do Brasileiro? Bom exemplos precisam ser copiados", pediu Ceni.

Eduardo Tega garante que as propostas apresentadas nesta segunda-feira serão encaminhadas em breve à CBF.

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