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Movimento dos jogadores de futebol apresentou propostas de fair play financeiro. Objetivo é diminuir dívidas dos times

Integrantes do Bom Senso no evento da Uninove: Dida, Wendel, Tiago Alves, Bruno, Roberto, Alex, Fernando Prass, Juan, Paulo César e Rafael Silva
Gabriela Chabatura/ iG
Integrantes do Bom Senso no evento da Uninove: Dida, Wendel, Tiago Alves, Bruno, Roberto, Alex, Fernando Prass, Juan, Paulo César e Rafael Silva

O Bom Senso FC, grupo de atletas que trabalha para a melhoria do futebol brasileiro, apresentou na manhã desta segunda-feira, em São Paulo, propostas para mudanças no fair play financeiro no País. Com as presenças dos idealizadores Alex, do Coritiba, e Juan, do Internacional, o movimento propõe a criação de uma entidade reguladora para o monitoramento e controle dos clubes. O objetivo é que os times diminuam suas dívidas, cumpram com o pagamento dos salários dos jogadores e invistam na formação de jovens atletas.

Por cerca de uma hora, Pedro Daniel, consultor do Bom Senso FC, apresentou propostas que o grupo julga ideais para implantar no fair play financeiro, que consiste no controle das finanças dos clubes em relação à questão orçamentária. A ideia é que uma entidade reguladora composta por representantes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), clubes e Governo Federal assuma a função e trabalhe em conjunto com uma auditoria externa para aprovar as contas das equipes.

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A entidade teria um investimento de R$ 3,5 milhões no primeiro um ano e meio - chamado de período de adaptação para se sustentar -, inicialmente custeado pela CBF.

"Essas propostas são claras que demonstram a nossa insatisfação. É uma somatória de coisas. Nós temos aqui profissionais dedicados e juntaram forças para compartilhar isso com milhões de pessoas que somam para o futebol", afirmou o goleiro Dida.

Entre os planos apresentados, destacam-se que "os clubes deverão assumir compromissos de não expor o déficit", "o custo do futebol deverá superior a 70% da receita total do clube", "incentivo à busca da distribuição equilibrada das fontes de receitas", "cumprimento de vínculos empregatícios" e "cursos profissionalizantes para diversos atores do futebol".

Para os clubes que não que cumpram tais regras, o Bom Senso propõe punições como multa, perda de pontos, retenção de verbas a serem recebidas por uma competição, proibição de registro de novos atletas e desqualificação de competição em andamento ou futuras.

Jogadores aceitam diminuição dos salários

Segundo os próprios atletas presentes, eles aceitariam diminuir os salários para zelar pela saúde financeira do clube, desde que o mercado se enquadre a um novo cenário, com pagamentos compatíveis à realidade do clube.

"O mercado vai ditar quanto vamos ganhar. A gente bate na tecla por gestões mais profissionais sem prejuízos. Se o contrato por produtividade vai fazer o atleta ganhar mais, isso ele verá futuramente. O mercado vai ditar uma diminuição dos salários, e para a melhoria de todos, é melhor fazer sacrifícios, não só dos jogadores", disse Fernando Prass, goleiro do Palmeiras.

"O clube tem R$ 1 milhão de receita e trabalha-se com o plantel de R$ 1,5 milhão. A questão é se adequar e se preparar para gastar o que você tem. Inflacionar não vai resolver, porque se o atleta não está recebendo vai virar bola de neve. Isso está acabando com o futebol", analisou o goleiro Roberto, da Ponte Preta.

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