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Operários que trabalham na obra do estádio ocuparam parte das arquibancadas para acompanhar as atividades

Os jogadores do Corinthians pisaram pela primeira vez no gramado do estádio que está sendo construído em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, pouco após as 9 horas (de Brasília) deste sábado. Muitos se mostraram supersticiosos. Desaceleraram as suas passadas para entrar em campo com o pé direito.

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Os primeiros a aparecer no gramado foram os integrantes da comissão técnica do Corinthians, chefiados por Mano Menezes. Logo atrás, estava o veterano meia Danilo, com ar de seriedade no rosto. Sua feição contrastava com a euforia de centenas de operários que já se posicionavam nas arquibancadas àquela altura, acompanhando o hino do clube, executado pelo sistema de som da arena.

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Não foi só o Corinthians que subiu no gramado. Sorridente, o padre Rosalvino, da Diocese de Itaquera, dirigiu-se até o meio-campo, onde estavam Mano e os seus jogadores. Ali, ele rezou e benzeu o time, que uniu as mãos e formou um círculo para ouvir a prece inaugural.

Danilo entra na arena com o pé direito
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Danilo entra na arena com o pé direito

Passada a oração, ainda não era tempo de treinar. Muitos jogadores, como o empolgado goleiro reserva Julio Cesar, pegaram seus telefones celulares para registrar em fotos a visita à nova arena. Em seguida, eles se juntaram e fizeram pose para uma imagem oficial no centro do campo.

Quando o sistema de som do estádio silenciou, findando o protocolo festivo, era hora de trabalhar. Afinal, o Corinthians enfrentará o Penapolense na tarde deste domingo, fora de casa, em jogo decisivo para a pretensão de obter a segunda vaga do grupo B às quartas de final do Campeonato Paulista. A primeira já é do Botafogo-SP.

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O animado Julio Cesar se adiantou para se posicionar diante das traves, instaladas um dia antes, para o treinamento isolado dos goleiros. O preparador Mauri Costa Lima, quase na risca da pequena área, começou o exercício com chutes sem muita força. O segundo a trabalhar foi mais um prata da cada, Danilo Fernandes.

Na metade do campo, as brincadeiras resistiam. Os jogadores de linha do Corinthians formaram um círculo para disputar o tradicional "bobinho", que teve o atacante Luciano, o volante Ralf e o zagueiro Cleber como primeiras vítimas em Itaquera. O lateral direito Fagner logo perdeu a bola, ao receber um passe curto do meia Jadson e reclamar.

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Mano observou a movimentação de seus jogadores com um pé sobre uma bola, tranquilo, na maior parte do tempo com companhia. Mestre de cerimônias do treinamento e encarregado de gerenciar as obras da arena, o ex-presidente Andrés Sanchez conversou demoradamente com o treinador.

No momento em que Sanchez já voltava a andar de um lado a outro, quase sempre com um cigarro entre os dedos, os jogadores do Corinthians deram sequência ao aquecimento com piques curtos, supervisionados pelo preparador físico Eduardo Silva, o Dudu.

Bobinho no meio do campo para aquecer os corintianos na arena em Itaquera
Daniel Augusto/Agência Corinthians
Bobinho no meio do campo para aquecer os corintianos na arena em Itaquera


Com o time aquecido, deu-se início o rachão. Os gols foram improvisados com cones. Era aquele o instante mais aguardado pelos operários da arena. "Vai, Corinthians!", gritou um deles, enquanto era possível escutar outros coros de incentivo ecoarem da parte externa do estádio.

Com o a torcida comum estava impedida de assistir ao treinamento - já que a arena continua em ritmo acelerado de obras para receber o primeiro jogo da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia -, os operários se encarregaram de dar um ambiente de jogo oficial à atividade. Jadson, por exemplo, foi bastante festejado ao fazer um gol com uma conclusão rasteira e no canto. Ele também comemorou efusivamente, abraçando Julio Cesar, Luciano e o meia Renato Augusto.

Já o zagueiro Gil sofreu com os corintianos mais exigentes da torcida improvisada. Ele ouviu vaias e provocações ao permitir que a bola passasse entre suas pernas no setor defensivo. Nada que abalasse o clima de festa criado. Ao contrário. Os operários até fizeram o movimento de "ola" quando o treino recreativo já deixava de ser interessante.

Ao final da movimentação, os jogadores retribuíram o carinho dos presentes com aplausos, além de chutar algumas bolas para quem estava nas arquibancadas. E o hino do Corinthians voltou a soar dentro da casa do clube de Itaquera.

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