Grupo de Atuação Especial de Crime Organizado tentará entender se existe relação entre dívidas contraídas por ex-presidente e a escalação irregular do meia no Brasileirão 2013

Manuel da Lupa, ex-presidente da Portuguesa, está na mira do MP
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Manuel da Lupa, ex-presidente da Portuguesa, está na mira do MP

Ainda investigando suposta irregularidade no caso Heverton, o Ministério Público de São Paulo tenta entender se existe relação entre dívidas contraídas pela Portuguesa junto ao Banco Banif ao longo da gestão Manuel da Lupa e a escalação do meia na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado. A utilização do atleta provocou o rebaixamento do time à Série B por decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). O caso foi repassado ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Crime Organizado).

De acordo com Roberto Senise Lisboa, promotor de Justiça do Consumidor, o MP tem indícios de que empréstimos do Banif a diversas empresas teriam causado prejuízo de até R$ 600 milhões ao próprio banco e ao sistema financeiro brasileiro. A Lusa seria apenas uma das pontas deste esquema.

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Os empréstimos à Portuguesa começaram no início da gestão Da Lupa, em 2005. Com o clube endividado e sem crédito no banco, as transações eram feitas de forma casada para as contas pessoais do presidente e de Orlando Cordeiro de Barros, seu vice na época. O Banif depositava metade do valor para cada um e ambos repassavam o valor integral à Lusa.

Segundo Senise, os problemas começaram a acontecer no segundo mandato do dirigente, quando Luis Iauca passou a ser o vice. De acordo com o promotor, o mesmo esquema de empréstimos casados continuou a ser utilizado, mas os valores cedidos deixaram de ser pagos.

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Desconfiados de irregularidades, o COF (Comitê de Orientação Fiscal) e o Conselho Deliberativo da Portuguesa decidiram em setembro de 2013 proibir Da Lupa de realizar novos empréstimos em nome do clube. O ex-presidente pediu que o clube reconhecesse as dívidas como sendo da Lusa e não pessoais, mas isso foi negado.

“Isso fez com que o Da Lupa e o Iauca se tornassem réus em ações promovidas pelo Banif depois da troca de diretoria do banco aqui no Brasil”, explicou Senise. Os bens dos dirigentes estão bloqueados na Justiça.

Uma hipótese apenas cogitada, ainda sem nenhum indício, é a de que o ex-presidente teria aceitado dinheiro para pagar sua dívida pessoal com o Banif em troca da escalação irregular de Heverton e do rebaixamento da Portuguesa à segunda divisão. De acordo com o promotor, há indícios de que houve tráfico de influência e pagamento de suborno por parte de terceiros entre novembro e dezembro do ano passado, embora não exista relação comprovada entre as duas situações.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) forneceu ao MP as movimentações bancárias de pelo menos uma dúzia de pessoas da Lusa e foram identificadas transações superiores a R$ 100 mil sem explicações aparentes. Senise aguarda os extratos das contas para saber do que se trata.

Relembre o caso

O meia Heverton, da Portuguesa, foi julgado e suspenso por uma partida no dia 6 de dezembro, mas mesmo assim entrou em campo no dia 8, última rodada do Brasileirão. O clube foi denunciado pelo STJD e punido com a perda de quatro pontos, o que acarretou seu rebaixamento à Série B de 2014.

A Lusa foi representada por Osvaldo Sestário Filho e alegou não ter ciência do resultado do julgamento para justificar a escalação irregular do atleta. Mas Senise confirmou que houve duas ligações entre o advogado e Valdir Rocha, ex-diretor jurídico da Portuguesa, nos dias 6 e 7 de dezembro.

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