O pentacampeão Rivaldo, presidente do clube do interior, chegou a dizer que não se pode controlar a boca de torcedores

Em nota, o Mogi Mirim se manifestou sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo de interditar o estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira até que sejam concluídas as investigações sobre o ato de racismo cometido por torcedores do Sapão contra o volante Arouca, do Santos, em partida válida pelo Paulistão, na noite da última quinta-feira. Presidente do clube do interior, Rivaldo não confirmou o ocorrido, disse repudiar qualquer tipo de preconceito e prometeu recorrer da decisão do STJD-SP.

Arouca, volante do Santos
Ricardo Saibun/Divulgação Santos FC
Arouca, volante do Santos

O pentacampeão chegou a dizer que "não se pode controlar a boca dos torcedores". Em contrapartida, lamentou esse tipo de manifestação. "Sou contra esta atitude das pessoas que não respeitam o próximo. Somos todos iguais".

O jogador e dirigente prometeu investigar o caso o mais breve possível. "Vamos buscar nos monitores do estádio e em filmegens para ver se houve a agressão e, caso positivo, puniremos os responsáveis".

Rivaldo isentou o Mogi Mirim de qualquer culpa e questionou a punição aplicada. "Quer dizer que se eu estiver no espaço determinado a um time adversário do Mogi, no estádio deste possível clube, e ofender um jogador contrário, o time mandante vai ser punido? Não entendo ser esse o caminho", lamentou.

A diretoria do clube afirmou que "já se movimenta" para entrar com recurso. O vice-presidente, Wilson Bonetti, questionou o ocorrido. "Fomos punidos sem apresentar nenhuma defesa e a decisão foi tomada com base em informações divulgadas pela mídia, mas sem nenhuma consistência. Até o próprio jogador declara, em nota oficial, que não ouviu a ofensa e que foi informado por repórteres".

"Nós repudiamos qualquer tipo de agressão física ou moral e sempre primamos para a segurança em nosso estádio", ressaltou o vice.

A diretoria do Mogi Mirim declarou que vê a decisão do STJD-SP como escolha 'pessoal' do presidente do Superior Tribunal.

Na nota publicada pelo jogador e citada por Wilson Bonetti, Arouca afirmou: "Na saída do jogo desta quinta-feira, foi alvo de insultos racistas de um torcedor do time adversário".

Confira na íntegra as palavras de Rivaldo:

" Como presidente do Mogi Mirim EC lamento caso houve algum ato de racismo com o jogador Arouca, do Santos.

Sou contra esta atitude de pessoas que não respeitam o próximo. Somos todos iguais.

Nós vamos buscar nos monitores do estádio e em filmagens para ver se houve a agressão e, caso positivo, punir os responsáveis.

Só não concordo em punição para o clube. Não podemos controlar a boca dos torcedores. O clube é responsável caso haja briga, invasão de campo ou objetos jogados em campo.

Ontem, por exemplo, liberamos uma parte da arquibancada para os torcedores do Santos, para evitar qualquer problema.

Julgar prematuramente o Mogi Mirim com base em noticiário esportivo entendo não ser o correto. Se ocorreu a agressão, não sabemos como ela foi feita e por quem. Quer dizer que se eu estiver no espaço determinado a um time adversário do Mogi, no estádio deste possível clube, e ofender um jogador contrário, o time mandante vai ser punido? Não entendo ser esse o caminho.

Vamos tentar reverter a situação, mas entrego essa situação nas mãos de Deus".

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