O fato inusitado se dá devido à não participação de Vila Aurora e Sorriso, que decidiram desistir da competição nas vésperas do começo do torneio

Os críticos de campeonatos estaduais têm no Campeonato Matogrossense um prato cheio para defender a extinção - ou pelo menos uma profunda reformulação - destes torneios. Após as desistências de Vila Aurora e Sorriso, a primeira fase terminou com o Cacerense classificado para as quartas de final mesmo não tenho marcado nenhum gol e conquistado apenas um ponto em seis jogos na primeira fase. A Federação, agora, tenta explicar a bagunça.

Carlos Orione, presidente da Federação Matogrossense
Divulgação
Carlos Orione, presidente da Federação Matogrossense

O fato inusitado se dá devido à não participação das duas outras equipes, que decidiram desistir da competição nas vésperas do começo do torneio, há pouco mais de um mês. Assim, com o consequente cancelamento de jogos e o confuso regulamento - que em primeiro momento dividiu 11 times em duas chaves, sendo que oito garantiriam vaga fase seguinte -, todos os quatro times do grupo A sabiam, antes mesmo de o campeonato começar, que estariam nas quartas de final.

Mas as bizarrices do torneio não param por aí. A competição, aliás, poderia ser considerada a mais equilibrada do Brasil, mas não pela igualdade entre os times: a diferença entre o rebaixamento e a classificação para a fase seguinte foi de apenas quatro gols, tendo o Cacerense, de ataque nulo, curiosamente passando de fase pelo saldo de gols (!). Com aproximadamente 5,5% de aproveitamento, o time de Cáceres só não caiu porque o Mato Grosso, que também terminou a primeira fase com um ponto, teve pior saldo e acabou rebaixado. Por estar no grupo B, que tinha um participante a mais do que a chave oposta, o Mato Grosso fez dois jogos a mais que o Cacerense.

Representantes do Cuiabá e do Luverdense mostram insatisfação com o modo como o torneio foi realizado, mas preferem não comprar briga com a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) por receio de punições. Maior prejudicado, presidente do Mato Grosso se mostra frustrado com o resultado final da primeira fase. Ezequiel Rosa Gomes reclama do posicionamento da FMF e critica as atitudes do presidente licenciado Carlos Orione.

"O problema daqui é que a Federação infelizmente só toma atitudes arbitrárias. Os clubes votam uma coisa e eles empurram outra diferente goela abaixo", protesta, referindo-se à decisão de não balancear o número de times nas duas chaves após a desistência do Vila Aurora. "O estatuto é escondido a sete chaves, o colégio eleitoral também ninguém conhece. Este ano é que conseguimos o estatuto, mas o colégio eleitoral nós até agora não sabemos quem é. Como vamos vencer um homem desse se não sabemos quem está votando?, completa.

O presidente licenciado, que tem o apelido de "Barão" nos bastidores do futebol, ironizou a situação e optou por não se pronunciar. O dirigente que atualmente o substitui no comando da FMF, Luiz Wellington da Silva, preferiu tentar esclarecer a confusão.

"A questão foi que as duas equipes abandonaram já próximo de o campeonato começar, então não daria pra mudar o regulamento. Não tinha data para fazer. Mesmo porque os times já estavam montados. Não teria como mudar", afirma, argumentando que neste caso o Estatudo do Torcedor não permite mudanças após a divulgação do formato do torneio. O mandatário ainda responde a Ezequiel Rosa na sequência. "Um time que joga oito partidas e não ganha nenhuma não tem o que reclamar, ele não tem direito", completa.

Sobre as mudanças do torneio para o próximo ano, Luiz Wellington chama a atenção para o fato de o Estatudo do Torcedor só permitir alterações no regulamento dos campeonatos a cada dois anos. Ainda assim, promete que a FMF analisará as opções e tomará a decisão junto aos times. "Vamos fazer a segunda divisão subindo quatro clubes e, junto com os oito que permaneceram, ficariam 12 em 2016. A ideia é aproveitar o legado da Copa do Mundo", afirma, referindo-se à Arena Pantanal, que receberá partidas do mundial.

Entenda o caso

Em março do ano passado, o jogo entre Vila Aurora e Luverdense precisou ser cancelado por falta de ambulância no local de jogo. A FMF declarou a partida como cancelada, o que resultou na vitória automática do Luverdense por 3 a 0. O revés culminou no rebaixamento do Vila Aurora.

Em setembro, o clube mandante chegou a ser absolvido no STJD, conseguindo permanecer na primeira divisão deste ano, mas desistiu de jogar o Campeonato Mato-grossense dias antes do começo do torneio. Como os 11 clubes tinham sido previamente divididos em duas chaves e o time estava na chave menor, a desistência causou desequilíbrio no número de participantes nos dois grupos.

Para tentar balancear, representantes dos dez times restantes se reuniram para discutir a transferência de um dos participantes da chave B para a A, mas a Federação vetou e mandou que o torneio fosse disputado com seis times em um grupo e quatro em outro. Como consequência, todos os participantes do grupo A estavam automaticamente classificados para as quartas de final e o Cacerense, mesmo com péssima campanha, foi um deles.

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