Negociado com o Napoli, defensor moveu uma ação contra o Palmeiras na Justiça

Paulo Nobre anunciou oficialmente a venda de Henrique para o Napoli, que já até posou com a camisa do novo time ao lado do presidente do clube italiano. O mandatário do Palmeiras, contudo, não esconde a frustração que teve com seu ex-capitão. A ação movida por Henrique e seus representantes na Justiça contra o Verdão chatearam o dirigente.

Negociado, Henrique posa ao lado do presidente do Napoli, Aurelio de Laurentiis
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Negociado, Henrique posa ao lado do presidente do Napoli, Aurelio de Laurentiis

"O meu capitão discute o parcelamento de uma dívida que o clube tinha com ele, conversa diretamente com o presidente e no meio desta conversa notifica judicialmente o clube em um ato preparatório para deixá-lo de graça. É claro que isso é decepcionante", comentou Nobre.

O presidente esclareceu os números da dívida na negociação de Henrique. O Palmeiras tinha uma dívida de R$ 5 milhões com André Cury, empresário que trouxe Henrique ao Verdão em 2011, e R$ 1,8 milhão prometidos ao próprio jogador na negociação. Além disso, seu antecessor, Arnaldo Tirone, ainda ficou devendo dois meses de direito de imagem (maior parte do salário) em 2012, quando o time foi rebaixado no Brasileiro.

"O discurso quando ele veio era de que estava vindo de graça, só que a gente arcou com dívidas. O problema é quando se tem essa atitude, não pagam o jogador e o agente e empurram isso para gestões futuras", reclamou o dirigente, triste pela atitude do atleta em meio à tentativa de pagamento de dívidas com todos no clube.

O presidente, contudo, tentou se mostrar um homem de mercado para minimizar seus sentimentos. "Eu ficar chateado ou não é quase uma coisa irrelevante, tenho que pensar na instituição em primeiro lugar. Estamos no meio do futebol, são coisas que acontecem e temos que tratar com naturalidade", declarou.

"O Henrique tem quase 30 anos, já esteve na Europa, pintou uma nova oportunidade e o dinheiro vem em boa hora. Temos que acertar as dívidas e tanto o agente como o jogador tinham créditos. Parte desse dinheiro será usado para isso", avisou. "Foi uma negociação interessante para o clube e o jogador", reforçou.

Kleina quer substituto

Gilson Kleina aprovou a atuação de Wellington na vitória sobre o Penapolense, mas ressaltou a necessidade da contratação de um substituto para Henrique, vendido ao Napoli. O problema é que o diretor executivo José Carlos Brunoro declara que o Palmeiras já tem elenco suficiente para lidar com a saída do zagueiro e capitão.

"O elenco está aí, o técnico sabe o aproveitamento dos jogadores. Não muda nada, a avaliação do treinador é em cima dos jogadores que estão no elenco", disse o dirigente, que falava com jornalistas enquanto o treinador dava entrevista coletiva solicitando, exatamente, um novo defensor. "Com a saída do Henrique, abriu uma lacuna. Estamos precisando de um jogador no setor."

As declarações de Brunoro, contudo, podem ser um despiste. O diretor já tinha negado a carência na lateral direita após o fracasso na negociação com Moreira, do Libertad, mesmo com apenas o volante Wendel à disposição no setor enquanto Bruno Oliveira está machucado. Kleina também já cobrou publicamente alguém na posição.

Entre as possibilidades comentadas para a zaga, surgiu o nome de Bressan, do Grêmio. Ao ouvir sobre o jogador, Brunoro manteve a posição da diretoria de não comentar nenhuma negociação, sem confirmar nem negar interesse. "Nunca citamos nomes. O elenco é esse e vamos em frente", esquivou-se.

Enquanto ninguém chega, resta a Kleina torcer contra lesões e suspensões. Caso Lúcio ou Wellington tenha algum problema antes ou durante o jogo de domingo contra o São Paulo, por exemplo, a única alternativa será recuar o volante Marcelo Oliveira. Fora isso, só uma improvisação de última hora.

A dificuldade existe porque Tiago Alves ainda se recupera de luxação no ombro direito, Victorino não joga desde setembro de 2012 e segue sem condições de estrear, Luiz Gustavo foi reemprestado ao Vitória e Leandro Amaro está tão descartado que treina em horário diferente do elenco enquanto procura um novo clube.

Kleina, então, só pede alguém de qualidade. "Precisamos recompor o setor, mas não adianta se precipitar e contratar qualquer. Saiu o capitão, um jogador de Seleção Brasileira, e o mercado é bem restrito", analisou o técnico.

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