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Presenças do maestro João Carlos Martins e do cantor Roberto Leal marcaram a manifestação em São Paulo

Na tarde deste sábado, ocorreu o segundo ato do protesto "Diga Não ao Tapetão", responsável por contestar o rebaixamento da Portuguesa à Série B do Campeonato Brasileiro. Embora tenha sido organizada por torcedores do clube rubro-verde, a manifestação contou com a aceitação de simpatizantes dos times rivais.

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Veja imagens do protesto da torcida da Portuguesa neste sábado


Camisas de Palmeiras , Corinthians , São Paulo , Santos e até Juventus foram comuns durante a passeata, que teve início no quarteirão do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e se estendeu pelo sentido Consolação da Avenida Paulista, ocupando as três faixas do logradouro. Dentre as principais personalidades presentes, estavam o maestro João Carlos Martins e o cantor Roberto Leal, torcedores declarados do clube do Canindé, e o promotor Fernando Capez, deputado estadual pelo PSDB.

"Estão dizendo que a Portuguesa não tem razão, mas é mentira. A Lei prova isso. Precisam aparecer juristas para expor isso ao público. É o artigo 36 do Estatuto do Torcedor e o artigo 43, parágrafo segundo, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Eles não querem ler esses dispositivos. Então, tem que fazer protesto mesmo", declarou Capez. 

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Por fim, o jurista elogiou o advogado João Zanforlin, responsável por representar a Portuguesa no último julgamento, realizado no Rio de Janeiro: "Ele fez o máximo que pôde. É um bom advogado. Agora, temos que nos unir. Os auditores conhecem a Lei e não podem agir desta forma", concluiu.

Torcedor-símbolo da Portuguesa, Leonardo da Silva, de 79 anos, popularmente conhecido como Sardinha, também fez questão de expor sua indignação com o caso: "Os cariocas têm que disputar a Série B. Não vamos querer que o Fluminense faça mais um ‘tapetão’. Como torcedores, sabemos que não fomos respeitados. A CBF fez uma coisa que não poderia fazer. Porém, antes de tudo, fomos prejudicados dentro de campo em Curitiba, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. Com esses pontos somados, não cairíamos, mesmo com essa vergonha que fizeram conosco", explicou.

Entre as camisas rubro-verdes, era frequente encontrar uniformes de clubes rivais. Palmeirenses, corinthianos, são-paulinos e santistas também marcaram presença, mobilizados com a situação da Portuguesa. Porém, dentre os fãs adversários, um se destacou: todo vestido de grená, Douglas Cereto, integrante da torcida organizada Ju Jovem, do Juventus, clube paulistano da Mooca, justificou sua presença no manifesto.

"Acima de clubismo, o que vale é acabar com a injustiça do futebol brasileiro, principalmente para favorecer os cariocas. Esse é o espírito para todos os torcedores. A união dos clubes é algo que precisamos buscar. Somos rivais apenas dentro de campo e nesse ano nos enfrentamos na Série A-2. Fora dele, o respeito tem que prevalecer", pontuou.

Quando questionado sobre a aceitação do movimento, Rafael de Carvalho Oliveira, ex-diretor da Leões da Fabulosa, torcida organizada da Portuguesa, e um dos idealizadores do manfiesto, se mostrou satisfeito: "É uma manifestação de caráter plural. Sábado passado reunimos 400 pessoas. Hoje, nossa meta é angariar 700 envolvidos. É um ato absolutamente pacífico e todos nossos rivais serão bem recebidos por aqui. É um momento de união. Precisamos do apoio de todos", sintetizou.

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Durante a passeata na Avenida Paulista, o maestro João Carlos Martins, fã ilustre do clube rubro-verde, expressou que acredita na permanência da equipe na Série A: "Eu mantenho a esperança sempre. Acho que a justiça vai acabar sendo feita. Mas a Portuguesa, ou na Série B ou na Série A, vai se empenhar pra voltar aos velhos tempos. Além do mais, é bárbaro ver que a torcida de São Paulo ama a Portuguesa. Ela é a Regina Duarte do futebol. A namoradinha do Brasil", concluiu bem-humorado.

Outro ícone da torcida lusitana, o cantor Roberto Leal declarou que fez mudanças de última hora em sua agenda para comparecer ao movimento: "A Portuguesa foi julgada de uma forma errada. Isso me fez cancelar um show. Eu estava no jogo Portuguesa e Grêmio (partida válida pela última rodada da elite nacional, que terminou em 0 a 0) e naquele dia fomos aplaudidos de pé pela torcida adversária. Um dos diretores do clube gaúcho ainda me presenteou com uma camisa tricolor. Porém, 24 horas depois, fomos rebaixados injustiçadamente. Não pode ser assim", apontou.

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Ao final, Capez fez questão de proferir um discurso no microfone, que foi atentamente acompanhado por todos protestantes: "O que está acontecendo aqui não é apenas uma revolta ou manifestação emocional. A Lei Federal, o Estatuto do Torcedor, no seu artigo 36, diz claramente, pra quem quiser ler, que a decisão que condenou Héverton a dois jogos de suspensão só tem valor depois de publicada no site da CBF. Porém, isso foi publicado na segunda-feira. Então, a decisão é nula. É importante que vocês saibam que ele não estava irregular. A condenação da Justiça Desportiva não tinha surtido efeito. Não precisa ser advogado pra entender. É só entrar na internet e imprimir o que lhes disse. A Justiça Desportiva não vai ler pois não quer", bradou.

* Com Gazeta Esportiva

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