TV pode criar abismo entre ricos e pobres e aumentar a força do Corinthians

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Arrecadação das equipes cresce em média 29% desde 2010, e os contratos de televisão equivalem à maior fatia do bolo. Estudo aponta que isso pode levar à de 'espanholização' do futebol brasileiro, com o clube paulista muito à frente dos concorrentes

As receitas dos clubes brasileiros aumentaram 32% em 2012, de acordo com estudo do banco Itaú BBA. Essa tendência de crescimento se estabeleceu em 2010, e desde então as receitas sobem em média 29% ao ano. Os valores são animadores, mas há um lado preocupante: o aumento da distância entre ricos e pobres, o que pode diminuir o número de candidatos ao título e prejudicar o Brasileirão.

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“A vantagem financeira do Corinthians sobre os demais passou a ser grande e vai se ampliar com o passar dos anos, podendo gerar um efeito de ‘Espanholização’, se mantidas estas condições a longo prazo”, diz o Itaú BBA, citando o futebol espanhol, onde Real Madrid e Barcelona estão muito acima dos rivais em termos financeiros e futebolísticos.

Veja ranking de quem mais arrecada e saiba quanto os ganhos subiram em 2012:

1º - Corinthians: receita subiu 24% em 2012, e clube segue folgado como o que mais arrecada no Brasil. Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians2º - São Paulo: o vice-campeão entre os arrecadadores fez a receita subir 26% no ano passado. Foto: Nelson Antoine/AP3º - Internacional: o terceiro clube que mais arrecada ampliou os ganhos em 38% no ano passado. Foto: FERNANDO DANTAS / Gazeta Press4º - Flamengo: longe de explorar bem seu enorme potencial, clube aumentou arrecadação em 15% em 2012. Foto: Wagner Meier/Agif/Gazeta Press5º - Santos: a última temporada de Neymar na Vila teve aumento de apenas 5% na arrecadação. Foto: Flickr oficial do Santos6º - Palmeiras: 2012 foi um ano agitado, com título da Copa do Brasil, rebaixamento e aumento de 25% na arrecadação. Foto: Hedeson Alves/Vipcomm7º - Grêmio: novo estádio e aumento de 46% na arrecadação marcaram o 2012 gremista. Foto: Divulgação/Vipcomm8º - Atlético-MG: mesmo sem Libertadores, clube arrecadou 63% mais em 2012. Foto: Cristiane Mattos/Futura Press9º - Fluminense: em 2012, clube foi campeão brasileiro e arrecadou 89% mais que em 2011. Foto: Ricardo Ramos/Agif/Gazeta Press10º - Vasco: apesar de figurar no top 10 das maiores receitas, ganhos aumentaram apenas 1% em 2012. Foto: Marcelo Sadio/vasco.com.br11º - Botafogo: receitas aumentaram 108% em 2012. Foto: Gazeta Press12º - Cruzeiro: 2012 foi um ano fraco em campo e fora dele, com aumento de apenas 7% nas receitas. Foto: Leandro Martins/Futura Press13º - Coritiba: em 2012, time foi vice da Copa do Brasil e ampliou as receitas em 26%. Foto: Getty Images14º - Sport: receitas subiram 72%, mas em campo o time foi mal e acabou rebaixado em 2012. Foto: Gazeta Press15º - Bahia: Clube embolsou 81% a mais em 2012 e ainda conseguiu se segurar na elite. Foto: Luciano Belford/Agência Eleven/Gazeta Press16º - Atlético-PR: receitas aumentaram apenas 2% em um ano fraco para as finanças do clube. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo/Futura Press17º - Goiás: retorno à elite veio acompanhando de um aumento de 194% nas receitas. Foto: Edson Ruiz/Gazeta Press18º - Vitória: clube retornou à elite em 2012 e, no mesmo ano, viu as receitas aumentarem 53%. Foto: EDSON RUIZ / Gazeta Press19º - Portuguesa: receita aumentou 72% em 2012, e o time ainda conseguiu se manter na elite. Foto: Fernando Ribeiro/Futura Press20º - Figueirense: lanterna do último Brasileirão, clube aumentou sua receita em 28% em 2012. Foto: Futura Press21º - Náutico: receitas do time pernambucano aumentaram 116% no ano passado. Foto: Rodrigo Villalba/Futura Press22º - Ponte Preta: aumento de 88% na receita de 2011 para 2012. Foto: Rodrigo Villalba/Futura Press23º - Atlético-GO: receita aumentou 30% em 2012, mas clube terminou o ano rebaixado. Foto: Site do Atlético-GO24º - Criciúma: receita do clube caiu 9% de 2011 para 2012. Foi o único analisado a regredir. Foto: Fernando Ribeiro/Futura Press

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A “Espanholização” ainda não começou, tanto que a concentração de renda entre os cinco clubes mais ricos do Brasil diminuiu. Em 2011, a elite detinha 48% do total das receitas, e em 2012 a porcentagem caiu para 44%. Só que o índice, segundo o Itaú BBA, é enganoso, pois os clubes de fora do top 5 dependem muito da TV. “Os contratos de publicidade, bilheteria e mesmo venda de atletas são substancialmente menores que nos clubes de maior torcida”, diz o estudo.

Leia mais: Estudo aponta Corinthians como clube mais transparente do Brasil

É justamente o contrato de TV que pode levar o Corinthians a se distanciar dos demais clubes. “As receitas de TV do Corinthians em 2011 e 2012 foram 42% maiores que as receitas do Flamengo, segundo maior arrecadador, e elas são praticamente o dobro (93%) das receitas do 4º colocado, o São Paulo”.

Para se manter no topo, porém, o Corinthians depende de vitórias em campo, e a ausência na Libertadores 2014 é um problema nesse sentido. Melhor para clubes como Grêmio, Atlético-MG e Botafogo, que aumentaram bastante suas receitas em 2012 e podem repetir a dose nos próximos anos, pois estão bem no Brasileirão e podem jogar a Libertadores no ano que vem.

Contas em dia

O aumento das receitas mostra que o futebol brasileiro aprendeu a ganhar dinheiro. Outra análise, ainda mais animadora, mostra que os clubes também aprenderam a gastar. “Os custos têm aumentado abaixo das receitas, o que significa que os clubes, na média, estão aprendendo a lição de gastar apenas o que se arrecada”, diz o Itaú BBA.

Com a balança pendendo a favor dos clubes, é possível aumentar o investimento em ativos que geram mais retorno a longo prazo, como estrutura e categorias de base. Aí se encaixam a reforma e a construção de centros de treinamento e a renovação de estádios, como Beira-Rio, Arena Grêmio e Morumbi. “Em termos de estrutura, o crescimento médio foi de 49% entre 2010 e 2012”, diz o relatório.

As categorias de base, que são foco dos clubes há mais tempo, também tiveram crescimento expressivo de 40% entre 2010 e 2012. “Os clubes entenderam que formar jogador é mais barato e pode trazer mais retorno que apenas buscá-los prontos no mercado”.

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