Ricardinho afaga Mano, mas vê seleção em ótimas mãos com Felipão

Por Luís Araújo - iG São Paulo |

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Ao iG, ex-meia e hoje treinador diz que troca aconteceu no melhor momento do comandante anterior e admite ver cada vez menos jogadores com estilo semelhante ao que tinha

Divulgação
Ricardinho: ex-jogador é treinador desde 2012

Em 2002, Ricardinho foi o último jogador a entrar para o elenco da seleção brasileira que disputou e venceu a Copa do Mundo do Japão e Coreia do Sul. Ao ser chamado para a vaga de Emerson, que se lesionou um dia antes da estreia, o então meio-campista do Corinthians conheceu de perto o trabalho do técnico Luiz Felipe Scolari. A experiência deixou uma boa impressão para o hoje ex-atleta, que confia na capacidade do treinador para repetir o que fez na década passada e levar o Brasil ao hexa. Mas admite que também gostava do que via no comandante anterior.

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"A seleção trocou de técnico justamente no melhor momento do Mano Menezes", disse Ricardinho ao iG. "Mas não entro nesse mérito, foi opção de quem comanda a seleção. Felipão é um treinador que sabe tirar o melhor de cada um e faz com que o grupo o respeite bastante. O brasileiro voltou a ter uma expectativa muito grande para a Copa do Mundo após o título na Copa das Confederações e os últimos amistosos. Vai ser difícil, mas pelo menos o Brasil já voltou a aparecer como um dos favoritos", completou.

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A trajetória como jogador terminou no final de 2011. Logo no ano seguinte, se lançou na mesma carreira de Mano e Felipão. Treinou Paraná, Ceará e Avaí, de onde saiu em junho deste ano. Sem trabalho desde então, tem se dedicado nos últimos meses a observar tudo o que diz respeito ao futebol, dentro e fora do país, e a conversar com outros técnicos. O objetivo é absorver coisas positivas de diferentes trabalhos e se manter atualizado para quando voltar a dirigir uma equipe, algo que ele projeta para o início do próximo ano.

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Em meio a tantas observações, Ricardinho tem gostado bastante do que vê no time que lidera o Campeonato Brasileiro. "É um futebol de muita ofensividade, de movimentação constante e de uma velocidade que me agrada", disse o hoje treinador de 37 anos, referindo-se ao Cruzeiro.

Ricardinho viveu o melhor momento da carreira no Corinthians, entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Foto: Getty ImagesRicardinho abraça Marcelinho Carioca após gol do Corinthians em 2001. Foto: Getty ImagesRicardinho em treino da seleção brasileira durante a Copa de 2002. Foto: Getty ImagesEm 2002, Ricardinho trocou o Corinthians pelo São Paulo. Foto: Gazeta PressRicardinho em ação pela seleção brasileira contra o Japão em jogo pela Copa de 2006. Foto: Getty ImagesRicardinho defendeu o Atlético-MG entre 2009 e 2011. Foto: Gazeta PressRicardinho comemora com Jobson gol do Bahia em 2011. Foi o último clube da carreira. Foto: Gazeta PressRicardinho abraça Felipão no reencontro dos dois em partida pela Copa do Brasil de 2012 entre Palmeiras e Paraná. Foto: Gazeta PressRicardinho comanda o treino do Avaí, último clube pelo qual passou. Foto: Divulgação

Confira abaixo o bate-papo com Ricardinho:

iG: Alguns ex-jogadores contemporâneos a você viraram dirigentes depois que encerraram a carreira. Por que resolveu seguir um caminho diferente e virar treinador?
Ricardinho:  Quando parei de jogar, apareceu a oportunidade de ser técnico no Paraná e eu aceitei, até por ser de lá. Peguei gosto pela coisa, me identifico com a situação. Representou um novo desafio para mim, de começar tudo de novo. Como jogador, conquistei meu espaço, mas parei. Agora, é uma nova caminhada.

iG: Você está sem trabalho desde junho, quando deixou o cargo de técnico do Avaí. O que tem feito nos últimos meses?
Ricardinho:  Neste tempo sem trabalho, procuro analisar o que acontece no futebol, tanto aqui como fora do país. Vejos jogos, equipes e atletas das Séries A, B, C e até da D. Faço o mesmo com os campeonatos europeus. Temos que acompanhar tudo o que está ligado ao futebol. Isso inclui os treinamentos, verificando o que tem de novidade e conversando com outros profissionais para trocar informações. Esse é meu trabalho hoje.

iG: Em meio a estas observações, qual treinador faz o trabalho que você mais tem gostado?
Ricardinho:  Não existe uma receita. A linha de trabalho do Marcelo Oliveira no Cruzeiro é uma, a do Renato Gaúcho no Grêmio é outra. Mas não quer dizer que uma esteja certa e a outra errada. O Cruzeiro faz uma ótima temporada e o Grêmio se recuperou bem nesta segunda metade do ano com o Renato. O Oswaldo faz um ótimo trabalho no Botafogo, a goleada sofrida diante do Flamengo na Copa do Brasil não apaga isso. Tem ainda o Atlético-PR, que saiu da zona de rebaixamento com o Vágner Mancini e tem muitas chances de conseguir vaga na Libertadores, além de ter chegado à semifinal da Copa do Brasil. Por isso, é importante analisar todos eles e extrair coisas boas de cada um.

iG: Mas quem apresenta o melhor futebol do Brasil hoje em dia?
Ricardinho:  Gosto do Cruzeiro. É um futebol de muita ofensividade, de movimentação constante e de uma velocidade que me agrada. O desempenho não tem sido o mesmo nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, mas vejo isso como algo normal. Toda equipe passa por momentos assim.

iG: E qual o melhor campeonato do mundo?
Ricardinho:  O melhor é relativo. Depende do gosto de cada um. Muitos criticam o Campeonato Brasileiro, mas eu não. Vejo um grande nível aqui, tanto é que os clubes de fora vêm de seis em seis meses para cá contratar jogadores. Gosto de ver tudo. Não de comparar.

iG: O que o futebol brasileiro poderia importar do europeu?
Ricardinho:  A compactação das equipes e obediência tática. É importante também que os atacantes participem do jogo sem bola, na defesa. Do mesmo jeito que é importante que os defensores participem do ataque. Se não tiver gente lá atrás que saiba sair jogando, não tem equipe que consiga vencer.

iG: Está mais difícil encontrar hoje em dia jogadores com estilo de jogo semelhante ao que você tinha?
Ricardinho:  Acho que sim. Gente da minha característica perdeu pouco de espaço. Eu, como treinador, gostaria de ter no meu time alguém assim, que organize a equipe. Mas muita gente não usa. Isso é opção. O futebol mudou, usa-se muito a velocidade e a força. Mas saber organizar também é importante. Quantos gols o Ganso não deu para os companheiros em jogos do São Paulo recentemente, não é verdade?

iG: Então o Ganso é quem mais se parece com você nos tempos de jogador?
Ricardinho:  Ele tem essa característica de fazer os outros artilheiros. Quem também gosto muito de ver jogar é o D'Alessandro, mas aí já é um jogador que entra mais na área para finalizar.

iG: Se jogasse nos dias de hoje, acredita que teria o mesmo espaço para se destacar?
Ricardinho:  Pergunta difícil. O futebol está mais veloz e tem alguns pontos diferentes. Dependeria da forma como o treinador do time pensa o futebol. É isso que faz as vezes um grande jogador ficar no banco. É questão de opção. Mas hoje eu não sou mais jogador, não importa mais pensar nisso.

iG:  Você foi o úlitmo atleta a entrar no grupo da seleção brasileira comandado pelo Felipão que conquistou o penta em 2002. Como vê a equipe de hoje com o treinador?
Ricardinho:  Felipão já agregou muito ao grupo com o carisma dele. Na minha opinião, a seleção trocou de técnico justamente no melhor momento do Mano Menezes. Mas não entro nesse mérito, foi opção de quem comanda a seleção. Felipão é um treinador que sabe tirar o melhor de cada um e faz com que o grupo o respeite bastante. O brasileiro voltou a ter uma expectativa muito grande para a Copa do Mundo após o título na Copa das Confederações e os últimos amistosos. Vai ser difícil, mas pelo menos o Brasil já voltou a aparecer como um dos favoritos.

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