Técnico do Palmeiras diz que se responsabiliza por ter sacado meia durante as partidas e afirma que medida visa preservar o jogador. O chileno cutucou o comandante quinta-feira

Gilson Kleina respondeu o meia Valdivia
Fernando Dantas/Gazeta Press
Gilson Kleina respondeu o meia Valdivia

Nessa quinta-feira, Valdivia disse que não atua em todos os jogos integralmente por culpa de Gilson Kleina. No dia seguinte, o técnico assumiu a responsabilidade atribuída pelo jogador do Palmeiras .  Em entrevista coletiva, o comandante admitiu ter preservado o atleta com a intenção de tê-lo em mais jogos durante a temporada. O chileno atuou em apenas 24 das 62 partidas feita pela equipe neste ano. 

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"Se falam que a culpa é minha, assumo sem problema. Tomei a decisão por essa filosofia para um jogador especial. Se não faço esse monitoramento, de repente não teríamos o Valdivia nem por menos de 90 minutos. Ele tem que ver o que pensa ser melhor para ele. Fiz isso para ele nos ajudar, e ele fez a diferença", afirmou Kleina.

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Bastante frio ao falar do assunto, o treinador apontou inclusive a evolução particular do meia. "Foi muito mais para preservar e ter sempre o jogador diferencial e especial que ele é. E olha a sua evolução não só para o coletivo do Palmeiras, mas com seu resgate individual, voltando à seleção, pensando em Copa do Mundo."

O técnico rebateu com fatos aos questionamentos do camisa 10. Kleina começou o ano dando uma bronca pública em Valdivia por ter se atrasado quatro dias na pré-temporada - alegou ter treinado em Santiago nas férias -, mas depois aliou a vontade do jogador em voltar à seleção chilena após quase dois anos para que tivesse atuações eficientes na Série B.

O treinador deixou de usar o camisa 10 nas seis primeiras rodadas da segunda divisão para melhorar sua musculatura aproveitando também a parada do torneio durante a Copa das Confederações. A consequência foi um semestre no qual o Verdão mais teve Valdivia em campo.

"Claro que todos querem ver o Valdivia por 90 minutos, inclusive eu, mas o planejamento era para resgatar esse craque. E ele sabe disso. A recuperação era para tê-lo mais dentro de campo, e foi o que aconteceu. Ele era um jogador sem sequência de jogos e hoje vive uma sequência espetacular, com um futebol digno de Valdivia e Palmeiras. O planejamento foi correto", prosseguiu Kleina.

O meia será titular neste sábado, contra o Paraná. E pode ser sacado, se Kleina julgar necessário de novo. "Se puder preservá-lo para tê-lo em campo mais vezes, mesmo sem ser por 90 minutos, é melhor tê-lo por menos tempo, mas sempre tê-lo. Não jogar por 90 minutos não significa que ele não foi espetacular", argumentou.

Como o chileno o atacou via imprensa, o técnico também usou a entrevista coletiva para rebater o atleta que esteve em campo integralmente só em oito deles. "Não conversei com o Valdivia, mas tenho o maior respeito por ele e ele por mim. Nunca tivemos nenhum tipo de problema. Que bom que ele quer voltar a jogar 90 minutos, vejo isso até como uma conquista", tentou contemporizar Kleina.

Treinador ainda não conversou com a diretoria

Minutos após o Palmeiras garantir matematicamente o acesso à primeira divisão, no sábado, Paulo Nobre procurou Gilson Kleina no Pacaembu e, segundo o próprio presidente, avisou que marcaria ainda nesta semana uma reunião para discutir se renovaria com ele. A promessa, porém, ainda não foi cumprida. 

"Não vou me apegar ao cargo. Até o presente momento, fiz o meu melhor e vou continuar com a mesma postura e a mesma ética. Não fui procurado, mas jamais vou vir aqui e estipular data. Tanto o meu futuro quanto o do Palmeiras seguem abertos, e o importante é que seja o melhor para a instituição. Se o melhor para o Palmeiras for a nossa continuidade, assim será. Senão, segue a vida", falou Kleina.

O presidente anunciou que ainda discutiria os detalhes de um novo contrato e até ouviria os planos de Kleina para o Palmeiras de 2014, mas nada disso foi sequer conversado ainda. "Qualquer decisão que a diretoria tomar, acato e respeito. Só não vou entender que não houve renovação se não for bem esclarecido e justo. Mas, mesmo se não renovar, a diretoria tem muito o meu respeito", afirmou o técnico, já preparado para não ficar.

Se antes do acesso o treinador citava seu desejo de trabalhar em um time de Série A no ano que vem, agora até esse discurso não mudou. "Não teria problema pegar uma equipe mediana, não vou desmerecer nenhum clube. Se aceitei, vou fazer o meu melhor. Mas é impossível ficar em uma potência como o Palmeiras por acaso, e quero me consolidar nesse patamar. Se não acontecer, vou reconhecer e me reavaliar.", completou. 

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