Seedorf admite decepção com torcida do Botafogo e cita motivo da saída do Milan

Por Gazeta |

compartilhe

Tamanho do texto

Holandês credita grande parte da responsabilidade de sua transferência para o Brasil ao atual treinador do clube italiano, Massimiliano Allegri, que o barrava em alguns jogos

Maior jogador e principal ídolo do Botafogo nos últimos anos, o meia Clarence Seedorf revelou certa decepção com a postura do torcedor alvinegro durante a disputa do Campeonato Brasileiro deste ano. Em entrevista ao Sportv nesta quinta-feira, o holandês, que por muitas vezes pediu a presença dos botafoguenses nas partidas da equipe o Maracanã, lamentou a falta de resposta e disse que um maior apoio da torcida poderia deixar o clube carioca ainda vivo na briga pelo título.

Botafogo está no G4 do Brasileirão. Confira a classificação e os próximos jogos

"O nosso grupo fez muita coisa boa neste ano, se superando o tempo todo. Mas com certeza a gente ganharia mais jogos se o estádio estivesse lotado. Como o Oswaldo (de Oliveira) sempre diz, torcida não segura a perna de ninguém, mas empurra. Um exemplo claro foi o jogo do Milan contra o Barcelona na última semana. Eles eram inferiores tecnicamente, mas, com 70, 80 mil pessoas atrás, você sempre se doa um pouco mais. E eles conseguiram um grande resultado", afirmou Seedorf.

Vitor Silva/SSPress
Seedorf, meia do Botafogo

Apesar de ser o atual campeão estadual e ter ocupado a liderança do Campeonato Brasileiro nas primeiras rodadas, o Botafogo registra apenas a 12ª maior média de publico da competição, com 12.131 torcedores por partida. Seus três principais rivais, Flamengo, Fluminense e Vasco, embora estejam em posições inferiores na tabela de classificação, possuem média superior à do Alvinegro.

O maior número do Botafogo (23.718) foi alcançado somente na 28ª rodada, na vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo, no Maracanã. Curiosamente, este público é inferior até à média do Cruzeiro, líder do Campeonato Brasileiro, que coloca 26.955 pessoas por jogo no Mineirão. Após 31 rodadas e a doze pontos de distância da Raposa, Seedorf lembra os seus inúmeros pedidos para a torcida comparecer ao Maracanã e lamenta não ter sido atendido.

"A gente pediu varias vezes esse apoio. Mas o nosso torcedor não respondeu como a gente esperava. Quando estávamos brigando ponto a ponto pela primeira posição, o Cruzeiro estava lotando o estádio todo o jogo, e nós não. Nenhum time consegue fazer uma grande campanha sem torcida. Eu sou a prova, em toda a minha careira, que você corre mais quando a torcida apoia", encerrou o holandês.

Saída do Milan

Um ano depois de conquistar seu último título italiano com o Milan, em 2010/11, Clarence Seedorf pegou todos de surpresa ao trocar a equipe rossonera pelo Botafogo. Agora prestes a completar sua segunda temporada na equipe alvinegra, o meia holandês explica os motivos de sua saída do time italiano e credita grande parte da responsabilidade de sua transferência ao atual treinador do clube de San Siro, Massimiliano Allegri.

Segundo Seedorf, o comandante tinha o costume de barrá-lo da equipe após o escalar como titular em partidas consideradas mais difíceis e, assim, ‘queimava-o’ com os torcedores, que considerava-no mal fisicamente. Como consequência, o meia se viu desmotivado e obrigado a procurar novos desafios em sua carreira.

"Eu sabia que precisava de motivação e achei aqui no Brasil. A minha relação com o treinador do Milan (Massimiliano Allegri) não era das melhores. Ele me fazia jogar todas as partidas importantes como contra a Juventus, Barcelona, e depois me deixava quatro jogos no banco. Fazendo isto, ele deixava algumas dúvidas para o resto do mundo, que não sabia se eu estava bem ou não", explicou, em entrevista ao Sportv .

Seedorf seguiu comentando sobre a sua saída do Milan e afirmou que Allegri não tinha razão em ‘poupá-lo’ da maioria das partidas alegando que não estava bem fisicamente. "Não era questão de idade, porque, quando a gente treina e joga constantemente, não perde o condicionamento físico. É claro que dificilmente você melhora fisicamente com o passar do tempo, mas quem sempre trabalhou bem, que se cuidou, consegue manter um ótimo nível. E depois, também, a experiência vai compensando onde as pernas não aguentam mais. O que o (Paul) Scholes e o (Ryan) Giggs fizeram no ano passado são prova disto", contou, referindo-se à conquista do título inglês pelo Manchester United.

O holandês foi além e disse que, enquanto a equipe de San Siro prosseguir com tal ‘politica’, dificilmente conseguirá voltar a ser dominante no futebol italiano e europeu. "Foi um pecado, não só no meu caso como também no de outros companheiros que eu tive, como o (Alessandro) Nesta e o (Paolo) Maldini. Eles foram quase obrigados a sair do Milan pela idade, e agora vemos um time que não estamos acostumados, porque falta qualidade. O Milan precisa de uma boa renovação e ainda vai demorar um tempo para voltar ao topo", analisou.

Se veio ao Botafogo para recuperar sua motivação e alegria de entrar em campo, Seedorf parece ter conseguido. Principal jogador da equipe e maior ídolo da torcida alvinegra, ele se rendeu ao clube de General Severiano e, principalmente, ao treinador Oswaldo de Oliveira. "Minha relação com o Oswaldo é fantástica. Não só como treinador, mas como pessoa também. Ele é fantástico. É uma pessoa que eu estava buscando para a minha carreira. Era este respeito, esta confiança que eu estava precisando", encerrou Seedorf, cutucando o seu desafeto Massimiliano Allegri.

Leia tudo sobre: BotafogoSeedorfMilanItáliaFutebol Mundial

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas