Gilson Kleina, sobre planos para 2014: 'Não sentamos para discutir contratações'

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Técnico do Palmeiras afirmou que ainda não houve conversa com a diretoria para planejar o próximo ano e se mostra preocupado. Comandante, em entrevista, falou sobre Arnaldo Tirone

Divulgação/Palmeiras
O técnico Gilson Kleina aguarda definição para o próximo ano

No dia 19 de setembro de 2012, Gilson Kleina chegava à cidade de Itu, no interior de São Paulo, para assumir a maior missão de sua carreira: evitar o iminente rebaixamento do Palmeiras, que naquela ocasião estava concentrado para a partida contra o Figueirense, para a Série B do Campeonato Brasileiro. A estreia aconteceu três dias durante a esperançosa vitória por 3 a 1, mas dez rodadas depois não evitou a queda ao empatar com o Flamengo por 1 a 1, no dia 17 de novembro, em Volta Redonda. Um pouco mais de um ano depois, ele consegue recolocar o clube na elite do futebol brasileiro e, mesmo assim, não tem cargo garantido.

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Sujeito boa praça e considerado paizão pelos jogadores, Kleina concedeu entrevista ao iG  e relembrou o ambiente que encontrou quando assumiu o Palmeiras. Falou também sobre não ter discutido o planejamento para 2014 e até agradeceu ao ex-presidente Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo, ex-vice presidente.

O comandante tem contrato com o Palmeiras até o fim deste ano e ainda aguarda uma conversa com o presidente Paulo Nobre para decidir o futuro. A indefinição atrasa o planejamento para o próximo ano, quando será celebrado do centenário. Confira abaixo a entrevista.

iG Esporte: Você chegou ao Palmeiras quando as chances de rebaixamento eram muito grandes. Você também se sente responsável pela queda ou se isenta?
Gilson Kleina:  Eu tenho sim parcela de culpa. Quando eu aceitei o desafio, faltavam 12 jogos e sabia que eu tinha de vencer oito jogos...alguma coisa assim. Mas a gente sempre vem com uma expectativa de que as coisas podem dar certo. Como se eu tivesse salvado eu teria parcela importante, com a queda também participei. Não quero me isentar. Eu estive na queda, mas posso ter a volta à elite do futebol. A gente sabia da dificuldade e ela aumentou um pouco por tudo que aconteceu naquele momento. Mas nunca abaixamos a cabeça. No meu íntimo, era uma questão de honra voltar com o Palmeiras.

iG Esporte: Qual foi a maior dificuldade que você encontrou quando chegou ao clube?
Gilson Kleina:  Peguei um grupo um pouquinho heterogêneo, porque tínhamos muitos jogadores lesionados, vivendo uma conquista da Copa do Brasil, e outros afastados que a gente não conseguiu mobilizar. Tivemos também a entrada na Copa Sul-Americana, a perda de mando e as lesões fizeram com que nós mudássemos muito a equipe. Quando isso acontece, você não consegue encontrar um padrão, não consegue dar uma confiança aos jogadores e fazer com que eles entendam a maneira correta. Fizemos grandes jogos, mas não foram suficientes para nos salvar.

Divulgação
Técnico Gilson Kleina demonstra preocupação ao falar de 2014

iG Esporte: Incluindo a esses problemas os quais você citou, havia um relacionamento estremecido entre alguns atletas e até uma discussão no vestiário aconteceu. Como solucionou isso?
Gilson Kleina:  Quando eu cheguei, o Palmeiras tinha grandes líderes. A gente sabe que quando há grandes líderes, eles não pensam da mesma maneira. O que eu tentei colocar para eles é que deveriam pensar na instituição. Se não tivéssemos as mesmas opiniões, que entendêssemos que teríamos de correr juntos para salvar o Palmeiras. Claro, que essas lideranças, de repente, já vinham com alguns desgastes e isso, dependendo do momento, aflora. O que eu pude administrar, administrei e o que não deu, ficou dentro do vestiário, internamente. Quando todos estão do mesmo lado, as coisas tendem a melhorar sempre.

iG Esporte: E o que você tem a dizer sobre Arnaldo Tirone e Roberto Frizzo?
Gilson Kleina:  Foi através deles que eu tive o grande convite da minha vida, de vir trabalhar no Palmeiras. Foram pessoas que sofreram muito com a queda porque não queriam que isso acontecesse, por serem palmeirenses e viveram intensamente o dia a dia do clube. De repente eles são cobrados (pela torcida), como também somos cobrados por um resultado ruim. A gente sabe que a torcida do Palmeiras cobra demais. Espero que eles possam voltar um dia e fazer um trabalho diferente.

iG Esporte: E o que mudou com a gestão de Paulo Nobre? Como é a relação entre comissão técnica e diretoria?
Gilson Kleina:  A gestão do presidente Paulo Nobre é uma gestão muito profissional. Nós temos semanalmente reuniões e nelas são discutidas coisas do departamento de futebol. O primeiro objetivo era fazer elenco. Todos sabem que tínhamos 17 jogadores para iniciar duas competições importantíssimas (Paulistão e Libertadores), e ao mesmo tempo ele foi profissionalizando todos os setores. Quando isso começa a ser feito, você precisa saber que há uma rotina, precisa render e produzir. Então, a produtividade é o que predomina nesta nova gestão.

iG Esporte: Foi com o novo presidente que o clube perdeu seu principal jogador da temporada anterior, o atacante Hernán Barcos. Como você lidou em ter de perder o então artilheiro do time?
Gilson Kleina:  Eu entendi a decisão que deveria ser tomada. Existia uma pendência com o clube anterior que precisava quitar e tinha outra pendência com ele. Surgiu uma proposta para sanar tudo isso. Acho que foi sensato, e de uma maestria ímpar de como eles condenaram isso. Claro que o torcedor não quer perder ser ídolo, mas acho que ficou bom para o Barcos e o Palmeiras.

iG Esporte: O presidente prometeu conversar com você para tratar da renovação do contrato, que termina no fim do ano. O fato de não ter feito um planejamento para 2014 incomoda?
Gilson Kleina:  Todo ano é importante para o clube e ano que vem será especial pelo Palmeiras. A gente sabe que se tratando dessa grandeza, é claro que comissão e diretoria se preocupam com o planejamento. Mas em momento algum nós sentamos para conversar sobre contratações, de permanência, mesmo porque estamos muito focados na Série B. Essa competente diretoria já deve estar fazendo algum trabalho paralelo para que o Palmeiras seja forte mais do que nunca.

iG Esporte: Nas últimas semana, Wesley, Vinícius e Henrique engrossaram o coro para que você continue no clube. Eles o consideram um paizão...
Gilson Kleina:  Primeiro é que não sou tão velho para ser pai deles, né? (risos). Eu tento fazer que tenhamos um ambiente de família, mas dentro disso existem as cobranças também. Existem as intrigas, mas é claro que existe o carinho também. Eu sempre tento passar para eles, isso não é mérito é obrigação, é ser franco. A maneira de que passamos transparência a eles, sabemos cobrá-los. Não passamos a mão em ninguém, pelo contrário, cobramos muito. Tanto é verdade é que essas exigências fizeram com que tivéssemos um grande ano.

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