Conselheiros divergem sobre a gestão do presidente e relatam falta de investimentos no departamento social do clube: Faltam até café e açúcar na lanchonete

Paulo Nobre quando foi eleito presidente no dia 21 de janeiro
Gazeta Press
Paulo Nobre quando foi eleito presidente no dia 21 de janeiro

Há nove meses, Paulo Nobre assumia a presidência do Palmeiras ao receber 153 votos de conselheiros e fazia seu primeiro discurso como porta-voz do clube. "A preocupação não é somente a área social. A ideia é separá-la do futebol, porque a diferença entre eles é muito grande. Um clube estruturado disputa títulos sempre. E hoje, o Palmeiras é um barco à deriva, um transatlântico sem planejamento. Ninguém imaginava que ele atracaria na praia paradisíaca da Copa do Brasil e também não imaginava que cairia numa cachoeira como na Série B", declarou ele no dia 21 de janeiro.

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O tempo passou e os mesmos conselheiros que elegeram Paulo Nobre hoje divergem opiniões ao avaliar os primeiros meses de gestão do presidente. O iG   ouviu alguns associados e, apesar das diferentes opiniões, todos eles acreditam que a relação estremecida entre a diretoria e a construtora WTorre, responsável pela construção da Allianz Parque, enfraquece dentro do clube.

A principal reclamação é de que o presidente poderia ter convocado mais encontros entre os conselheiros para discutir o contrato estabelecido com a WTorre. O não esclarecimento da atual situação com a construtora incomodam os associados. 

Outros pontos questionados são as contratações feitas para a temporada, a saída do atacante Barcos e a chegada de atletas oriundos do Grêmio envolvidos na troca do argentino. Além disso, a negociação fracassada envolvendo o zagueiro Vilson e até mesmo a contratação do atacante Alan Kardec são apontados como "casos duvidosos" da atual gestão.

Desde que assumiu a função, Paulo Nobre adotou uma política de não comentar transações, negócios ou até mesmo renovações contratuais. Tal postura fez com que o presidente deixasse dúvidas sobre a venda de Vilson ao Stuttgart, da Alemanha, e mantivesse as situações do técnico Gilson Kleina e do volante Márcio Araújo, que têm vínculo apenas até o fim do ano, indefinidas.        


No entanto, o departamento de futebol não é o único alvo dos conselheiros. Segundo eles, faltam investimentos na área social do clube. Os prédios poliesportivos, embora já entregues, até o momento não receberam mobílias e as instalações elétricas ainda são ruins. Há falhas até na reabastecimento das lanchonetes: "Houve momentos que um funcionário teve de ir comprar café e açúcar no Bourbon Shopping, porque estavam faltando na lanchonete. Whisky, por exemplo, agora é servido em copos de plástico", revelou um sócio.

Mesmo com as críticas, o cartola é reconhecido por seu esforço em sanar as dívidas do clube. A prova disso é que, no último mês, membros do COF (Conselho de Orientação Fiscal) aprovaram um empréstimo no valor de R$ 54 milhões, quantia máxima permitida pelo estatuto. A influência do presidente no mercado financeiro facilitou a viabilização do negócio.

O regime "pulso de ferro" também rende elogios a Paulo Nobre. Por não comentar contratações, eles entendem que o presidente não se envolve em polêmicas, não desestabiliza o elenco e não cria falsas expectativas nos torcedores. "Eu acho que ele está certo. No departamento de futebol, o sigilo é fundamental", disse um outro palmeirense.

Difícil mesmo é saber se, caso tentasse nova candidatura em 2015, Paulo Nobre se reelegeria. Além das diferentes opiniões dos conselheiros, o ex-piloto de rali precisa ter bom índice de aprovação dos próprios torcedores associados, que passarão a ter direito ao voto. Ainda há tempo de mostrar o trabalho. 




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