Gestão do presidente Paulo Nobre gera controvérsias dentro do Palmeiras

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Conselheiros divergem sobre a gestão do presidente e relatam falta de investimentos no departamento social do clube: Faltam até café e açúcar na lanchonete

Gazeta Press
Paulo Nobre quando foi eleito presidente no dia 21 de janeiro

Há nove meses, Paulo Nobre assumia a presidência do Palmeiras ao receber 153 votos de conselheiros e fazia seu primeiro discurso como porta-voz do clube. "A preocupação não é somente a área social. A ideia é separá-la do futebol, porque a diferença entre eles é muito grande. Um clube estruturado disputa títulos sempre. E hoje, o Palmeiras é um barco à deriva, um transatlântico sem planejamento. Ninguém imaginava que ele atracaria na praia paradisíaca da Copa do Brasil e também não imaginava que cairia numa cachoeira como na Série B", declarou ele no dia 21 de janeiro.

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O tempo passou e os mesmos conselheiros que elegeram Paulo Nobre hoje divergem opiniões ao avaliar os primeiros meses de gestão do presidente. O iG  ouviu alguns associados e, apesar das diferentes opiniões, todos eles acreditam que a relação estremecida entre a diretoria e a construtora WTorre, responsável pela construção da Allianz Parque, enfraquece dentro do clube.

A principal reclamação é de que o presidente poderia ter convocado mais encontros entre os conselheiros para discutir o contrato estabelecido com a WTorre. O não esclarecimento da atual situação com a construtora incomodam os associados. 

Outros pontos questionados são as contratações feitas para a temporada, a saída do atacante Barcos e a chegada de atletas oriundos do Grêmio envolvidos na troca do argentino. Além disso, a negociação fracassada envolvendo o zagueiro Vilson e até mesmo a contratação do atacante Alan Kardec são apontados como "casos duvidosos" da atual gestão.

Desde que assumiu a função, Paulo Nobre adotou uma política de não comentar transações, negócios ou até mesmo renovações contratuais. Tal postura fez com que o presidente deixasse dúvidas sobre a venda de Vilson ao Stuttgart, da Alemanha, e mantivesse as situações do técnico Gilson Kleina e do volante Márcio Araújo, que têm vínculo apenas até o fim do ano, indefinidas.        

Área destinada aos sócios paras diversão, como mesa de bilhar. Foto: Gabriela ChabaturaÁrea social do Palmeiras. Foto: Gabriela ChabaturaLocal fica em frente à entrada da Av. Francisco Matarazzo. Foto: Gabriela ChabaturaBustos do Junqueira, Waldemar Fiúme e Ademir da Guia no clube. Foto: Gabriela ChabaturaQuadra poliesportiva fica ao lado das de tênis. Foto: Gabriela ChabaturaLanchonete improvisada do clube, feita com tapumes de madeira. Foto: Gabriela ChabaturaEntrada do ginásio localizado próximo à entrada da Rua Turiassu. Foto: Gabriela ChabaturaEntrada do ginásio localizado próximo à entrada da Rua Turiassu. Foto: Gabriela ChabaturaMural com as atividades sociais . Foto: Gabriela ChabaturaSinalização improvisada para indicar o departamento de levantamento de peso. Foto: Gabriela ChabaturaEscadas de acesso aos andares do prédio poliesportivo. Foto: Gabriela ChabaturaAndar de lutas no prédio poliesportivo. Foto: Gabriela ChabaturaAndar de lutas, incluindo judô, no prédio poliesportivo. Foto: Gabriela ChabaturaAssociados participam de aulas de lutas. Foto: Gabriela ChabaturaCadeiras e poltronas amontoadas em um dos andares do prédio poliesportivo. Foto: Gabriela ChabaturaAndar adaptado para as aulas de balé. Faltam equipamentos. Foto: Gabriela ChabaturaAcademia fica no prédio poliesportivo e possui os mesmos equipamentos. Foto: Gabriela Chabatura


No entanto, o departamento de futebol não é o único alvo dos conselheiros. Segundo eles, faltam investimentos na área social do clube. Os prédios poliesportivos, embora já entregues, até o momento não receberam mobílias e as instalações elétricas ainda são ruins. Há falhas até na reabastecimento das lanchonetes: "Houve momentos que um funcionário teve de ir comprar café e açúcar no Bourbon Shopping, porque estavam faltando na lanchonete. Whisky, por exemplo, agora é servido em copos de plástico", revelou um sócio.

Mesmo com as críticas, o cartola é reconhecido por seu esforço em sanar as dívidas do clube. A prova disso é que, no último mês, membros do COF (Conselho de Orientação Fiscal) aprovaram um empréstimo no valor de R$ 54 milhões, quantia máxima permitida pelo estatuto. A influência do presidente no mercado financeiro facilitou a viabilização do negócio.

O regime "pulso de ferro" também rende elogios a Paulo Nobre. Por não comentar contratações, eles entendem que o presidente não se envolve em polêmicas, não desestabiliza o elenco e não cria falsas expectativas nos torcedores. "Eu acho que ele está certo. No departamento de futebol, o sigilo é fundamental", disse um outro palmeirense.

Difícil mesmo é saber se, caso tentasse nova candidatura em 2015, Paulo Nobre se reelegeria. Além das diferentes opiniões dos conselheiros, o ex-piloto de rali precisa ter bom índice de aprovação dos próprios torcedores associados, que passarão a ter direito ao voto. Ainda há tempo de mostrar o trabalho. 




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