Orgulhoso de si, Tite cita Rivellino e pede para Pato "sentir a carne queimar"

Por Gazeta | - Atualizada às

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Treinador do Corinthians avaliou a situação do seu atacante após a perda do pênalti que eliminou o time na Copa do Brasil

Alexandre Pato tem um título que o ídolo Roberto Rivellino sempre sonhou em ganhar pelo Corinthians, o do Campeonato Paulista. A conquista do início do ano não impediu o atacante de, meses depois, ser insultado por torcedores que não perdoaram o pênalti cobrado de forma caricata na eliminação da Copa do Brasil, diante do Grêmio.

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Neste domingo, em Araraquara, Pato começou o clássico com o Santos na reserva. Quando se dirigiu ao banco da Arena Fonte Luminosa, ouviu uma ofensa ecoar alto das arquibancadas. Permaneceu cabisbaixo. No intervalo, o recado da torcida foi dado em rima: “Pato, c...! Fora do Timão!”. O coro acabou no segundo tempo, no instante que o astro substituiu o jovem Diego Macedo.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Alexandre Pato entrou no segundo tempo do empate do Corinthians contra o Santos

“Estou conversando com o Pato, e ele tem entendido, absorvido. É um jogador que está vivendo um momento diferente em sua carreira e tem uma grande oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Sei que ele é inteligente, que está sendo bem aconselhado. Agora, precisa sentir a carne queimar na adversidade”, orientou o técnico Tite.

Alguns torcedores do Corinthians não gostam de Pato justamente por sua atitude apática, por ele não “sentir a carne queimar” em momentos decisivos. Contra Rivellino, conforme lembrou Tite, a crítica foi outra. O Reizinho foi expulso do Parque após a derrota para o Palmeiras na final do Campeonato Paulista de 1974, em meio ao jejum do Corinthians de 23 anos sem conquistas expressivas.

“A gente deve saber diferenciar o momento atual do reconhecimento ao passado. Um dia, ouvi Roberto Rivellino dizer que ficou chateado pela forma como saiu do Corinthians. Mas converso com dez torcedores, e nove ou todos eles falam bem do seu ídolo. Vamos compreender o momento. O torcedor pode ficar chateado comigo ou com o Pato, mas deve saber diferenciar”, afirmou.

Ao contrário de Tite, que já levantou os troféus da Copa Libertadores da América e do Mundial de Clubes pelo Corinthians, Alexandre Pato ainda não fez muito para justificar algum “reconhecimento ao passado” por parte da torcida. Mas Rivellino não deixou de ser exemplo para ele ou para jogadores como o também atacante Emerson, herói em 2012 e alvo de cobranças de 2013. “Vejam como as coisas mudam: hoje não vejo o Rivellino do Fluminense, e sim o Rivellino do Corinthians”, insistiu o técnico corintiano.

Tite não sabe se o fim da trajetória de Alexandre Pato no Parque São Jorge também será parecido com a saída melancólica de Rivellino do Corinthians. “Não dá para prever nada. A gente sabe que o futebol e a vida são assim. O torcedor ama o clube, e nós também. Quando o resultado não vem, ele se manifesta. Mas é o mesmo cara que idolatra na hora em que o atleta faz gol. Esse Pato também já saiu aplaudido do Pacaembu”, advogou.

Pelo menos o perdão do técnico do Corinthians, portanto, Pato já conquistou. “Tenho um norte muito forte. Sei que todos nós somos humanos e erramos. O importante é ter a inteligência de aceitar a falha. Independentemente do Pato, todos nós precisamos melhorar”, bradou Tite.

Tite orgulhoso de si próprio

O técnico Tite saiu orgulhoso da Arena Fonte Luminosa. Apesar de o Corinthians ter cedido o empate por 1 a 1 para o Santos no clássico deste domingo, o gaúcho gostou da forma como armou a sua equipe, que dominou o rival no primeiro tempo.

“Hoje, eu fui muito feliz!”, exclamou o técnico, incomodado apenas com o fato de o Corinthians não ter vencido. “Era importante ter conquistado o resultado pelo momento que estamos atravessando. Fomos bem estrategicamente, mas não deu.”

A mudança tática do Corinthians consistiu na entrada de Renato Augusto na armação de jogadas, ao lado de Douglas e do jovem Diego Macedo. Tite utilizou apenas Emerson no comando do ataque – Alexandre Pato ficou na reserva depois de ser apontado como vilão da eliminação da Copa do Brasil, diante do Grêmio.

“A ideia era diminuir o nosso poder de finalização, mas aumentar a capacidade de criação de jogadas. Fizemos isso, com Douglas e com dois jogadores de velocidade. Tivemos dois terços da partida de domínio, mas não traduzimos em gol. É natural que o adversário também cresça em algum momento do clássico”, analisou Tite.

A armação do ataque do Corinthians é um problema para o treinador há tempos. Seu time tem a segunda pior média de gols do Campeonato Brasileiro, à frente apenas do lanterna Náutico, e chegou ao 14º empate neste sábado.

Nas últimas semanas, Tite usava as baixas que teve no setor ofensivo para justificar o mau rendimento corintiano. Renato Augusto, por exemplo, recuperou-se recentemente de artroscopia no joelho direito (e não foi utilizado contra o Grêmio). “O Renato é um jogador de Seleção Brasileira. Ele apressou o seu retorno em 30 dias porque o Corinthians estava precisando. Mas, infelizmente, entrou contra o Criciúma e sentiu para caramba”, lembrou o técnico.

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