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Presidente responde declarações de Walter Torre, diz que Palmeiras é soberano em relação ao estádio e descarta ruptura de contrato com a construtora

A divisão de assentos da Allianz Parque continua criando atrito entre o Palmeiras e a construtora responsável pelas obras, a WTorre. O presidente Paulo Nobre concedeu, na tarde desta terça-feira, uma entrevista coletiva para falar sobre os recentes desentendimentos entre as partes. Ele afirmou que o contrato será respeitado, que as obras não vão parar e que o Palmeiras é “soberano” no assunto.

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"Independente do negócio entre Palmeiras e WTorre, o estádio é a casa do palmeirense. Não podemos deixar de lado a soberania do Palmeiras. Ninguém vai passar o Palmeiras para trás. Vamos defender até a última instância os interesses do clube", disse o presidente.

Veja fotos das obras da Allianz Parque, o estádio do Palmeiras:

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O pronunciamento é uma resposta a Walter Torre, proprietário da construtora, que disse ao jornal Lance! que o ritmo das obras foi reduzido . Nobre minimizou o problema. "Não vejo hipótese de rompimento de contrato. O Palmeiras vai tentar uma solução para esse problema”, disse.

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De um lado, Torre afirmou ao Lance! que todos os assentos pertencem à empresa e que cabe a ela definir o valor dos ingressos e negociá-los. O clube, por sua vez, alega que a construtora tem direito a dez mil assentos, e os outros 35 mil são do Palmeiras.

Paulo Nobre: em crise com a WTorre
Divulgação
Paulo Nobre: em crise com a WTorre

"Eu fiquei surpreso, mas o Walter foi infeliz em afrontar o Palmeiras dizendo que a arena é deles. A Allianz Parque é a casa do palmeirense, é a casa do Palmeiras. A comercialização dos camarote cabe à WTorre, mas não as cadeiras cativas. O Palmeiras tem todo o direito de precificar os valores dos ingressos. Quanto vai custar é o Palmeiras quem define e pode comercializar do jeito que quiser”, afirmou o dirigente.

Segundo o Nobre, deixar os ingressos nas mãos da WTorre criaria um rombo enorme nas contas do clube. “Se o Palmeiras não puder precificar, isso pode render R$ 300 a R$ 700 milhões de prejuízo ao clube. Essa variável dependente do preço que você pratica, e nós não podemos abrir mão em hipótese nenhuma".

Paulo Nobre disse ainda que prioriza a boa relação e que evitará levar o debate à Câmara de Comércio Brasil-Canadá, o tribunal arbitral. "O Palmeiras está sempre aberto a conversar e tentar solucionar o problema. Só queremos que cumpram o que está previsto no contrato. Porém, eu não vejo problema recorrer ao tribunal arbitral".

Histórico de atritos

O desconforto entre as partes é anterior à entrevista de Walter Torre. Em setembro, quando o presidente Paulo Nobre foi entrevistado pelo iG , o cartola revelou que sugeriu à WTorre a criação de um setor popular no novo estádio, sem cadeiras. A construtora bateu o pé e disse que todos os setores do estádio terão cadeiras.

Pelo acordo, assinado há três anos, a WTorre é responsável por toda a construção, incluindo prédios e quadras da área social do clube. Em troca, tem a concessão do estádio por 30 anos. Ao clube cabe a receita total dos jogos e um percentual crescente das receitas com patrocínios, vendas de camarotes e shows.

A previsão é de que a Allianz Parque fique pronta no primeiro trimestre de 2014.