Torcedores abusam de homofobia em apelidos para times de futebol no Brasil

Por Pedro Taveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Chamar de homossexual é forma de provocação mais comum nas torcidas brasileiras; veja apelidos dos clubes e os dados por adversários nos 20 clubes que disputam a Série A

Os apelidos de clubes fazem parte do mundo do futebol. Galo, Furacão, Timão, todos têm um nome que exalte algum momento de sua história. Porém, qualquer equipe está também sujeita a provocações dos rivais. E, em um universo machista, os torcedores brasileiros abusam da homofobia na hora de provocar os rivais.

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Cruzeiro é conhecido como Raposa, mas seus torcedores são chamados de Marias pelos rivais do Atlético-MG

O Cruzeiro, por exemplo, é a Raposa. O apelido foi criado em 1945 como homenagem a um ex-presidente conhecido por sua esperteza para dirigir o clube. Para os rivais, no entanto, os cruzeirenses são as “Marias”, brincadeira com o “Máfia Azul” do nome da principal organizada.

O Fluminense é chamado de Pó-de-arroz porque, em 1914, um jogador negro com medo do racismo em uma época na qual o futebol ainda era elitista tentava disfarçar sua cor. Já os adversários chamam o time de Florminense ou Tricoflor.

Outras referências homossexuais estão em quase todos os apelidos. O Tigre do Criciúma é chamado pejorativamente de tigresa. O São Paulo é o bambi e o Santos, sereia. O Atlético-PR, além de Furacão, é poodle, pela simples associação da raça de cachorro a pessoas gays. A palavra “gay”, inclusive, vira parte dos nome de Grêmio e Goiás.

Além da homofobia, as classes sociais servem como ponto de referência na hora de uma torcida xingar a outra. Por serem times de “massa”, por exemplo, Corinthians e Flamengo são chamados de favelados por adversários.

Há casos de times que tenham adotado apelidos que inicialmente surgiram como ofensas de rivais. São os casos de Flamengo, Palmeiras, Coritiba e Náutico. Os nomes Urubu, Porco, Coxa-Branca e Timbu foram tentativas de provocação que não deram certo.

Confira a lista com os apelidos dos 20 times da Série A, além do Palmeiras. Estão aí tanto os nomes dados pela própria torcida, como as provocações dos adversários:

Atlético-MG
Apelido: Galo (em referência a um galo de briga, que luta até a morte).
Apelido dos rivais: Patético (fazendo trocadilho com o nome do clube); Gaylo (em alusão ao mascote Galo); e Cachorrada (porque os próprios torcedores costumavam brigar entre si).

Atlético-PR
Apelido: Furacão (em referência ao time que conquistou o Campeonato Paranaense de 1949 vencendo suas partidas por placares elásticos).
Apelido dos rivais: Brisa (provocação ao nome Furacão); e Poodles (associando a raça de cachorros a pessoas homossexuais).

Bahia
Apelido: Esquadrão de Aço (em homenagem ao título baiano de 1936).
Apelido dos rivais: Jahia (brincadeira com “já ia ganhar algum campeonato”) e Sardinhas (uma vez o técnico Joel Santana se referiu ao clube desta forma para dizer que só aceitaria trabalhar em equipe que fosse “peixe grande”).

Botafogo
Apelido: Glorioso (em comemoração ao título carioca de 1910, marcado por sete goleadas).
Apelido dos rivais: Bostafogo (ironizando o nome do clube) e Chorafogo (relativo a reclamações em perdas de campeonatos).

Julio Cesar em lance de Vitória x Botafogo. Foto: Felipe Oliveira/Agif/Gazeta PressRodrigo leva a melhor sobre Cris no jogo aéreo em Macaé. Foto: Marcelo Sadio/vasco.com.brRafael Sobis tenta finalização ao gol do Cruzeiro. Foto: Bruno Haddad/Fluminense F.C.Borges comemora gol do Cruzeiro com Willian e Everton Ribeiro. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressD'Alessandro encara a marcação de Arouca em ataque do Internacional. Foto: Lucas Baptista/Futura PressJogadores do São Paulo comemoram gol de Ganso no Morumbi. Foto: Wagner Carmo/Inovafoto/Gazeta PressThiago Ribeiro domina a bola pelo Santos observado por Jakson, do Internacional. Foto: Léo Pinheiro/Futura PressAloísio arrisca chute ao gol do Náutico. Foto: FERNANDO DANTAS / Gazeta PressDiego Tardelli se antecipa a Bruno Silva e domina a bola pelo Atlético-MG. Foto: Giuliano Gomes/Gazeta PressLuan e Maranhão apostam corrida durante o jogo entre Atlético-MG e Atlético-PR. Foto: Giuliano Gomes/Gazeta PressPaulinho encara marcação do Bahia. Foto: Alexandre Vidal/Fla ImagemFernandão faz passe para William Barbio em ataque do Bahia. Foto: Luciano Belford/Agência Eleven/Gazeta PressElias domina a bola pelo Flamengo no Maracanã. Foto: Alexandre Vidal/Fla ImagemLucas Coelho domina a bola em frente o zagueiro Cléber. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPABarcos encara a marcação de Gil. Foto: Luiz Munhoz/Fatopress/Gazeta PressRomarinho e Pará disputam a bola na Arena Grêmio. Foto: André Antunes/Futura PressUendel festeja com os companheiros após marcar gol da Ponte Preta. Foto: Rodrigo Villalba/Futura PressJúlio César recebe a bola e conduz ataque do Coritiba. Foto: Helio Suenaga/Gazeta PressRicardinho arrisca passe em ataque do Criciúma. Foto: Fernando Ribeiro/Futura PressJogadores da Portuguesa comemoram gol sobre o Criciúma. Foto: Fernando Ribeiro/Futura Press

Corinthians
Apelido: Timão (investimento pesado para tentar ganhar um título em 1966 fez um jornal se referir à equipe como o “Timão do Corinthians”).
Apelido dos rivais: Gambá (por seu antigo CT ficar às margens do rio Tietê, onde há mau cheiro), Favelados (por ser um clube de origem humilde) e Galinha (referência homossexual ao nome de sua principal torcida organizada, a Gaviões da Fiel).

Coritiba
Apelido: Coxa (surgiu em 1941 como provocação de um ex-presidente do Atlético-PR pelo fato de o time só ter jogadores de descendência alemã e com o tempo foi adotado pelos torcedores).
Apelido dos rivais: Coxinha (para ironizar o apelido oficial) e Brochas (pelo fato de o mascote do clube ser um “vovô”).

Criciúma
Apelido: Tigre (mascote do clube).
Apelido dos rivais: Tigresas (em referência homossexual ao mascote da equipe).

Cruzeiro
Apelido: Raposa (adotado em 1945 em alusão a um ex-presidente conhecido por sua astúcia e esperteza para conduzir os negócios do clube).
Apelido dos rivais: Maria (em ironia ao nome de sua principal torcida organizada Máfia Azul) e Crugayro (em trocadilho homossexual com o nome do clube).

Flamengo
Apelido: Urubu (que inicialmente surgiu como uma ofensa racista por parte dos rivais por causa da grande quantidade de torcedores negros. Foi adotado em 1969, quando um urubu foi jogado no gramado antes de vitória em clássico contra o Botafogo).
Apelido dos rivais: Flavelados (em alusão à origem humilde de seus torcedores).

Fluminense
Apelido: Tricolor (alusão a suas cores) e Pó-de-arroz (referência a um jogador negro do clube que, preocupado com o racismo em 1914, usava isso no rosto para disfarçar a cor de sua pele).
Apelido dos rivais: Tricoflor e Florminense (eferência homossexual ao nome e cores do clube).

Bruno Winckler
No início do ano passado, torcedores do Corinthians pediram saída do atacante Adriano e o chamaram de "urubu", apelido pejorativo dado ao Flamengo no passado

Goiás
Apelido: Esmeraldino (alusão à cor do time).
Apelido dos rivais: Gayás (fazendo referência homossexual ao nome do clube).

Grêmio
Apelido: Imortal (alusão ao fato de superar “adversários impossíveis”).
Apelido dos rivais: Gaymio (tentativa de provocação com referência homossexual ao nome do clube).

Internacional
Apelido: Colorado (referência às cores do clube).
Apelido dos rivais: Macaco (tirado do ditado “macaco vê, macaco faz” por gremistas que falavam que os rivais os copiavam em tudo na época da fundação).

Náutico
Apelido: Timbu (espécie de gambá escolhido como mascote em 1934 após torcida do América-PE usar como ofensa, mas ver seu time perder por 3 a 1 do rival).
Apelido dos rivais: Barbie (por ser chamado de “time de frouxos” pelos torcedores adversários).

Palmeiras
Apelido: Verdão (pela cor) e Porco (inicialmente criado como ofensa por causa do “espírito de porco” demonstrado pelo clube ao se recusar a deixar o Corinthians inscrever novos jogadores no Campeonato Paulista de 1969 em substituição a dois que faleceram em acidente de carro).
Apelido dos rivais: Porcada (alusão ao apelido “oficial”); e Guarani da capital (brincadeira com o time de interior que vive má fase).

Ponte Preta
Apelido: Macaca (mascote do clube).
Apelido dos rivais: Macacos (termo para definir de forma pejorativa seus torcedores).

Portuguesa
Apelido: Lusa (devido a sua origem lusitana).
Apelido dos rivais: Padeiros (também em referência à origem do clube).

Santos
Apelido: Peixe (por ficar em uma cidade do litoral de São Paulo).
Apelido dos rivais: Sardinhas ou Sereias (provocação levando o mascote do clube para o feminino).

São Paulo
Apelido: Tricolor (alusão a suas cores).
Apelido dos rivais: Bambi (criado pelo ex-corintiano Vampeta para provocar, também levando para o lado homossexual).

Vasco
Apelido: Gigante da Colina (em referência ao estádio de São Januário, o maior da América até 1930, e à região elevada em que fica na cidade do Rio de Janeiro).
Apelido dos rivais: Vice da Gama (pela fama de terminar as competições em segundo lugar).

Vitória
Apelido: Leão da Barra (homenagem a um feito de atletas do remo do clube em 1902).
Apelido dos rivais: Vicetória (devido a uma fase enfrentada sem títulos estaduais).

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