Filme sobre o clássico Fla-Flu resgata histórica cena da invasão do urubu em 83

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Durante exibição em São Paulo, no Museu do Futebol, público se emocionou ao rever depoimentos e imagens do duelo. Invasão do urubu no Maracanã em 1983 divertiu a todos

Reprodução
Documentário "Fla x Flu - 40 minutos antes do nada" foi lançado em São Paulo, no Pacaembu

Enquanto o Flamengo vencia o Internacional na noite da última quinta-feira, o clássico Fla-Flu acontecia no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mas desta vez, a bola ignorou o gramado, para dar um show no cinema do Museu de Futebol durante a exibição do documentário "Fla x Flu: 40 minutos antes do nada", produzido pela Sentimental e-TAL. 

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Durante 85 minutos, o público que compareceu em bom número ao local se emocionou, gargalhou e aplaudiu os personagens que iam aparecendo ao decorrer do longa. Alguns trajavam a camisa do Flamengo, outros do Fluminense e durante um pouco mais de uma hora se sentiram como se estivessem no Maracanã revivendo aquelas partidas históricas.

O primeiro riso foi provocado durante o depoimento do cantor e torcedor fanático pelo Fluminense Toni Platão emendado por gargalhadas ao rever a cena história de um urubu invadindo o campo e paralisando o Fla x Flu de 1983. A reprodução é um dos muitos pontos alto do filme. O diretor Renato Terra, além de conseguir imagens de arquivos daquela época, encontrou o torcedor responsável por levar ao animal ao estádio e um outro que resolveu empalhar a ave e guardá-la.

A construção do filme foi tão bem amarrada que é capaz de deixar o torcedor vidrado, até mesmo aquele que não torce por nenhum dos dois clubes. Como foi um caso de uma expectadora que, após a sessão, fez questão de externar a admiração: "Eu odeio futebol, mas esse filme eu amei. Obrigada por essa verdadeira aula que tive hoje, Renato".

No entanto, a produção do documentário exigiu muita dedicação do diretor. Renato Terra gastou cerca de um ano para ler e conhecer mais sobre a historicidade do clássico e mais quatro meses de pesquisa para encontrar os torcedores personagens. Foram coletadas mais de 50 entrevistas, sendo que 15 delas aparecem no filme através de depoimentos com Zico, Assis, Junior e Romário.

A sacada original do longa se dá durante os depoimentos, todos eles parciais. Porém, em determinado momento das entrevistas feita pelo próprio Renato e o amigo e jornalista Luiz Antônio Ryff, eles invertem os papeis discretamente e passa a interrogar o rival. As reações são inúmeras e alguns chegam até a chorar pelo simples fato de enxergar a pessoa à frente vestindo a camisa do clube adversário.

"Quando fui convidado para dirigir o filme, eu pensei: 'Quero fazer um filme sobre paixão'. Aí eu falei: 'Eu não quero que seja um filme com declarações estilo mesa redonda, com análises técnicas'. Eu queria fugir disso. Eu queria que as declarações fossem parciais o tempo todo, que fossem uma coisa cega mesmo, de torcedor. Para fazer isso, eu tive de identificar logo de qual lado o cara estava, então tinha de estar com a camisa do Fluminense ou Flamengo para saber de qual lado ele está. E aí surgiu naturalmente a ideia de embaralhar, colocando o torcedor adversário para ver como o outro reagiria", contou Renato Terra ao iG.

No final, um brinde selou a união e rivalidade sadia entre os clubes, além de uma ótima notícia ao diretor: o filme venceu o Troféu Redentor, no Festival do Rio, por decisão do júri popular. O longa-metragem foi lançado no festival do Rio de Janeiro e, depois dos cinemas, será lançado também em DVD.

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