Após bater o Vitória, treinador e elenco do São Paulo destacaram o "limite físico e psicológico" no qual o time se encontra

Ao final do triunfo por 3 a 2 sobre o Vitória na noite do último sábado, os jogadores do São Paulo e o técnico Muricy Ramalho pareciam ter ensaiado discurso sobre a importância do resultado para a fuga do rebaixamento. A alegria pelo pontos conquistados no Morumbi, no entanto, logo foi contida pela preocupação com o estado físico dos atletas após jogo disputado.

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"Os jogadores deram o que tinham que dar, foram ao limite físico e psicológico. É duríssimo o que estão passando. Estão tirando forças de onde não tem. A vitória é importante para a sequência., pois nosso time sentiu demais em Santos (derrota por 3 a 0 para o Peixe), dava pra ver que estava muito cansado. Eles estão saindo de campo arrebentados", lamentou o treinador.

Apesar do receio, Antônio Carlos não deixou de celebrar a noite de herói na capital paulista. O zagueiro abriu o placar logo aos quatro minutos de jogo com cabeçada certeira e definiu o resultado já nos minutos finais ao se atirar na bola na pequena área e balançar as redes de Wilson. O defensor aproveitou para prometer a luta que a torcida tem exigido, como no protesto realizado antes da partida.

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"É uma sensação muito legal, ainda mais quando ganha. Estou feliz de fazer os gols. A nossa situação é difícil, mas vamos conseguir sair lá de baixo. Foi na base da superação e agora temos jogos difíceis pela frente, precisamos sair dessa situação. Estamos dando a vida para tirar a equipe das últimas colocações e vamos lutar até o final para manter o São Paulo vivo", garantiu.

Luis Fabiano também deixou sua marca pelo São Paulo contra o Vitória
Rubens Chiri/Divulgação
Luis Fabiano também deixou sua marca pelo São Paulo contra o Vitória

Muricy também citou os torcedores e pediu que o Morumbi siga recebendo bons públicos para fazer com que os jogadores possam resgatar as forças durante os jogos. O técnico ainda afirmou que, além do desgaste físico, o elenco tem sofrido pela falta de opções. Tanto em quantidade, como em qualidade.

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"A situação é muito complicada. Estou vendo de perto que não temos um grande elenco. Estamos em um nível muito complicado para um campeonato tão difícil como esse, mas os jogadores estão fazendo o que dá para fazer. Agradecemos a torcida que veio mais uma vez, porque é só assim que vamos conseguir sair dessa situação", alertou.

A culpa do calendário na má fase dos veteranos

Quando o Campeonato Brasileiro tomava forma após a parada para a disputa da Copa das Confederações, três jogadores experientes brigavam pelo posto de craque da competição. Passados quase quatro meses, porém, Alex, Clarence Seedorf e Zé Roberto vivem momentos complicados em seus clubes que, para Muricy Ramalho, podem ser explicados pelo excesso de jogos no calendário nacional.

Alex segue como o pilar do Coritiba na temporada, mas a rotina de grandes atuações foi interrompida pela primeira lesão muscular na carreira do meia. O time paranaense chegou a liderar o Brasileirão, mas agora já briga contra o rebaixamento. Seedorf era o astro incontestável do Botafogo, que também foi líder, e atualmente passa por péssima fase. Já Zé Roberto, outro a sofrer a primeira lesão muscular, passou a ser reserva no Grêmio pela queda de rendimento.

"Antes se falava muito nos jogadores mais experientes. Mas no Brasileiro estão fazendo de tudo pra acabar com eles, com Seedorf, Alex e Zé Roberto. Isso não é futebol, é loucura. Você dorme e joga, dorme e joga. Além da pressão, como a que estamos passando. É um absurdo o que estão fazendo. Não é choro, estou falando geral pelo que os jogadores estão sofrendo", lamentou o comandante do São Paulo.

O técnico ainda afirma que o desgaste físico gerado pelo calendário apertado pode ser responsável também pela imprevisibilidade do Campeonato Brasileiro em 2013. Muricy lembra que até os matemáticos têm tido dificuldades para fazer prognósticos e que somente o líder Cruzeiro não deve levar mais sustos até o final da competição.

"Nem aqueles matemáticos que têm autoridade no assunto podem falar, porque a cada semana muda tudo. Têm acontecido coisas raras e vai ser assim ate o final. Lá em cima já está definido, mas embaixo tem muita gente que pode cair. Não dá para dar um palpite. O que fará diferença é a parte física, vai levar vantagem quem tiver jogadores um pouco a mais para mesclar com os que estão desgastados", apostou.

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