Diretoria mantém diálogo com torcidas por receio de que afastamento aumente riscos de violência em caso de crise

As torcidas organizadas do Corinthians , muitas vezes responsáveis pelos gritos das arquibacandas que empurram o time às vitórias, têm sido em 2013 um fardo para o clube. Ações de filiados a essas torcidas motivaram punições na Libertadores, no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. O time pode até mesmo não voltar atuar no Pacaembu neste ano . Ainda assim, a diretoria do clube não pretende se afastar das organizadas. 

Festa em Itaquera pelo aniversário do clube teve a presença das principais organizadas do clube
Mauro Horita/Agência Corinthians
Festa em Itaquera pelo aniversário do clube teve a presença das principais organizadas do clube


A diretoria do Corinthians defende que o diálogo e a aproximação com as organizadas é a melhor saída, ainda que tenha de pagar por erros delas. "Sem violência, não vejo mal em conversar, receber a torcida. O Corinthians sempre esteve perto da torcida", disse o gerente de futebol Edu Gaspar em entrevista recente no CT do clube. Há, porém, mais que mero respeito.

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Um diretor da atual gestão corintiana ouvido pelo iG na festa dos 103 anos do clube no último sábado disse há o medo de que uma ruptura aumente os riscos de atos de violência contra jogadores e diretores em tempos de crise como o vivido pela equipe desde 1º de setembro (são oito jogos sem vitória). 

No evento que contou com o show de Ivete Sangalo , a abertura da cerimônia foi feita pela bateria da Gaviões da Fiel, que também é escola de samba. Somente neste ano, o CT do clube foi aberto duas vezes para que a torcida conversasse com jogadores do elenco. Durante crise no Brasileiro de 2011, entre agosto e setembro daquele ano, também foi assim. A diretoria acredita que esta aproximação evite que se repitam cenas como as que se seguiram à derrota na Colômbia para o Tolima e a eliminação na Libertadores de 2011. 

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Além dos perigos que alguns membros das torcidas podem oferecer não só a jogadores e diretores, mas às suas famílias, está o fato de que alguns dos atuais gestores do clube estão ligados a essas torcidas. 

Andrés Sanchez, ex-presidente do clube e responsável pelas negociações envolvendo o estádio, fez parte da Gaviões e é fundador da Pavilhão Nove, outra organizada do clube. Outros diretores também são ou foram ligados às organizadas, como o diretor financeiro Raul Corrêa da Silva, um dos fundadores da Gaviões.

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A principal organizada do clube, por meio de seu advogado, Ricardo Cabral, preferiu não se manifestar sobre a relação que a torcida tem com o Corinthians. A Gaviões é ameaçada de ser fechada por conta da reincidência de atos de violenta promovida por seus filiados. 

Relembre
Em agosto deste ano torcedores brigaram com vascaínos em Brasília e o clube perdeu quatro mandos do Brasileirão. Pelo uso de sinalizadores em jogo contra o Luverdense foram dois mandos na Copa do Brasil . Nesta quarta-feira o time joga em Mogi Mirim, contra o Bahia, na primeira partida de punição no Brasileirão. 

Em fevereiro, um torcedor da Gaviões da Fiel disparou um sinalizador naval durante partida contra o San José, em Oruro, na Bolívia, e matou Kevin Beltrán, de 14 anos. Doze corintianos ficaram presos por mais de quatro meses, mas ninguém respondeu pela morte do garoto. Dois deles protagonizaram a briga em Brasília

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