Organizadas prejudicam o Corinthians, mas clube não pretende se afastar delas

Por Bruno Winckler - iG São Paulo |

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Diretoria mantém diálogo com torcidas por receio de que afastamento aumente riscos de violência em caso de crise

As torcidas organizadas do Corinthians, muitas vezes responsáveis pelos gritos das arquibacandas que empurram o time às vitórias, têm sido em 2013 um fardo para o clube. Ações de filiados a essas torcidas motivaram punições na Libertadores, no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. O time pode até mesmo não voltar atuar no Pacaembu neste ano. Ainda assim, a diretoria do clube não pretende se afastar das organizadas. 

Mauro Horita/Agência Corinthians
Festa em Itaquera pelo aniversário do clube teve a presença das principais organizadas do clube


A diretoria do Corinthians defende que o diálogo e a aproximação com as organizadas é a melhor saída, ainda que tenha de pagar por erros delas. "Sem violência, não vejo mal em conversar, receber a torcida. O Corinthians sempre esteve perto da torcida", disse o gerente de futebol Edu Gaspar em entrevista recente no CT do clube. Há, porém, mais que mero respeito.

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Um diretor da atual gestão corintiana ouvido pelo iG na festa dos 103 anos do clube no último sábado disse há o medo de que uma ruptura aumente os riscos de atos de violência contra jogadores e diretores em tempos de crise como o vivido pela equipe desde 1º de setembro (são oito jogos sem vitória). 

No evento que contou com o show de Ivete Sangalo, a abertura da cerimônia foi feita pela bateria da Gaviões da Fiel, que também é escola de samba. Somente neste ano, o CT do clube foi aberto duas vezes para que a torcida conversasse com jogadores do elenco. Durante crise no Brasileiro de 2011, entre agosto e setembro daquele ano, também foi assim. A diretoria acredita que esta aproximação evite que se repitam cenas como as que se seguiram à derrota na Colômbia para o Tolima e a eliminação na Libertadores de 2011. 

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Mosaico erguido pela torcida corintiana no Pacaembu. Foto: Gazeta PressTorcida do Corinthians exalta conquista invicta da Taça Libertadores. Foto: Agência O GloboTorcida corintiana marcando presença no Pacaembu. Foto: Gazeta PressCorintianos na final da Libertadores, contra o Boca Juniors. Foto: Futura PressCorintianos provocam o rival São Paulo e chamam o time tricolor de "freguês". Foto: Gazeta Press

Além dos perigos que alguns membros das torcidas podem oferecer não só a jogadores e diretores, mas às suas famílias, está o fato de que alguns dos atuais gestores do clube estão ligados a essas torcidas. 

Andrés Sanchez, ex-presidente do clube e responsável pelas negociações envolvendo o estádio, fez parte da Gaviões e é fundador da Pavilhão Nove, outra organizada do clube. Outros diretores também são ou foram ligados às organizadas, como o diretor financeiro Raul Corrêa da Silva, um dos fundadores da Gaviões.

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A principal organizada do clube, por meio de seu advogado, Ricardo Cabral, preferiu não se manifestar sobre a relação que a torcida tem com o Corinthians. A Gaviões é ameaçada de ser fechada por conta da reincidência de atos de violenta promovida por seus filiados. 

Relembre
Em agosto deste ano torcedores brigaram com vascaínos em Brasília e o clube perdeu quatro mandos do Brasileirão. Pelo uso de sinalizadores em jogo contra o Luverdense foram dois mandos na Copa do Brasil. Nesta quarta-feira o time joga em Mogi Mirim, contra o Bahia, na primeira partida de punição no Brasileirão. 

Em fevereiro, um torcedor da Gaviões da Fiel disparou um sinalizador naval durante partida contra o San José, em Oruro, na Bolívia, e matou Kevin Beltrán, de 14 anos. Doze corintianos ficaram presos por mais de quatro meses, mas ninguém respondeu pela morte do garoto. Dois deles protagonizaram a briga em Brasília

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