No início da sua carreira como técnico, o comandante levou o chamado "Expressinho" ao título da Copa Conmebol

Muricy Ramalho com Rogério Ceni no início da carreira, quando conquistou a Conmebol
Gazeta Press
Muricy Ramalho com Rogério Ceni no início da carreira, quando conquistou a Conmebol

Campeão no ano passado, o São Paulo inicia nesta quinta-feira a defesa do título da Copa Sul-Americana , que não existia na primeira passagem de Muricy Ramalho. Mas, quase duas décadas atrás, mais precisamente em 1994, o então auxiliar de Telê Santana venceu o torneio continental de segundo plano da época.

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De volta ao clube há duas semanas para sua terceira passagem - hoje dono de currículo extenso e muito vitorioso, com três taças do Campeonato Brasileiro (em 2006, 2007 e 2008, pelo próprio São Paulo) e uma Libertadores (em 2011, pelo Santos) -, o treinador fala com carinho da conquista da Conmebol, sua primeira depois da carreira como jogador.

"Não tínhamos nenhuma chance. Ninguém acreditava que a gente passaria da primeira fase. Aí foi dando liga, foi se encorpando. Em mata-mata, é assim. Deu no que deu. A gente foi campeão, uma surpresa muito boa. Era um título que o clube não tinha e não era esperado. O sabor foi muito bom", recorda.

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Ninguém punha aquele time entre os favoritos por uma razão óbvia. Enquanto os outros clubes encaravam a Conmebol com afinco, o São Paulo priorizava o Campeonato Brasileiro e a levava paralelamente com um time B, apenas de garotos recém-promovidos das divisões da base ao profissional, sob comando de um assistente técnico.

"O Telê me pediu que eu arrumasse um time de meninos que ele não fosse utilizar no Brasileiro. Por isso, como tínhamos cruzamentos difíceis pela frente, as pessoas achavam que não íamos durar muito. Nosso time tinha pouca experiência, ainda mais para uma competição internacional. Estreamos contra o Grêmio titular, que só tinha feras", lembra Muricy.

Depois de passar pelas "feras" do Grêmio de Luiz Felipe Scolari, nos pênaltis, a vítima do Expressinho (apelidado dado àquela jovem formação tricolor, que contava com nomes como Rogério Ceni, Juninho Paulista, Denílson, Caio) nas quartas de final foi o Sporting Cristal, do Peru. Na semifinal, já em jogos de ida e volta, o São Paulo B superou o Corinthians nas penalidades e se credenciou a enfrentar o tradicional Peñarol.

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Motivados por uma premiação importante para início de carreira (R$ 6 mil cada), os jogadores mataram o adversário já no jogo de ida: 6 a 1, no Morumbi. Poderiam perder a segunda partida por quatro gols de diferença e até passaram susto, porém a derrota para os uruguaios por apenas 3 a 0 assegurou a conquista e salvou 94, ano em que o elenco principal não foi capaz de conquistar o tricampeonato da Libertadores nem confirmar favoritismo em território nacional.

Dezenove anos depois, em situação diferente, Muricy encara outro mata-mata pelo São Paulo. Muito mais experiente e agora com os principais jogadores, estreia nas oitavas de final da Sul-americana às 22 horas (de Brasília) desta quinta-feira, contra a Universidad Católica, no Morumbi. Uma semelhança é que, a exemplo de 94, a prioridade é o Brasileiro, ainda que nele a missão seja se salvar do rebaixamento, e não lutar pelo topo.

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