Inspirado por Telê, Muricy aceitaria ter Rogério Ceni como auxiliar no São Paulo

Por Gazeta |

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Auxiliar de Telê Santana na década de 90, técnico exaltou o camisa 1 e disse que aceitaria trabalhar com ele na comissão técnica do clube

Gazeta Press
Muricy Ramalho conversa com jogadores, incluindo Rogério Ceni

Muricy Ramalho nunca escondeu de ninguém que deve boa parte do sucesso obtido na carreira a Telê Santana. De volta ao São Paulo para a terceira passagem no clube, o técnico quer repetir os passos do mestre e servir de mentor de Rogério Ceni para que o goleiro se torne um grande treinador após encerrar a carreira no final deste ano.

Você acha que o goleiro deve fazer parte da comissão técnica quando encerrar a carreira? Deixe o seu recado e comente com os outros leitores

A situação seria semelhante à vivida por ele na década de 1990. Auxiliar de Telê, Muricy era trabalhado aos poucos para assumir o time principal a pedido da diretoria. Chegou a conquistar o título da Copa Conmebol comandando o Expressinho em 1994, mas acabou queimando etapas quando Telê, desgastado física e psicologicamente, deixou o clube dois anos depois.

"O São Paulo sempre foi diferente e naquela época eles queriam um técnico parecido com o Telê. E era ele quem teria que preparar esse novo técnico. O trabalho foi iniciado comigo, mas o Telê ficou doente e eu tive que assumir antes do que imaginava. Não me dei bem porque não tinha experiência para assumir um gigante desse. Paguei o preço, mas aprendi muita coisa", relembrou.

Calejado pelos próprios erros no início da carreira, Muricy se coloca à disposição do amigo Rogério Ceni para dar os primeiros passos com calma. Embora desconfie da aposentadoria do goleiro no final desta temporada, o treinador garante que seria um prazer ajudá-lo e já dá até mesmo as primeiras dicas para o ídolo são-paulino."Às vezes o jogador acha que já está preparado e vai trabalhar como técnico direto e quando alguém fala que você é o cara é que mora o problema. Ser responsável por milhões de torcedores felizes ou tristes é a hora que o bicho pega, meu. Se ele escolher esse caminho, ele vai se preparar muito e não vai ter pressa. Vários técnicos que não se prepararam bem e que foram grandes jogadores duraram muito pouco. Se ele vier falar comigo vou dar esse conselho, pois acima de tudo aqui tem um parceiro. É só ele ter paciência de me aguentar", brincou.

O atual comandante do São Paulo também aproveitou para elogiar Ceni e colocá-lo como um dos maiores ícones do esporte nacional: "No futebol os bons exemplos são muito importantes e ele é um bom exemplo, um grande profissional e um grande caráter. É importante para os jovens e para as pessoas que buscam um exemplo. Fará falta".

Apesar de se espelhar e muito em Telê Santana, Muricy Ramalho não quer ter o mesmo destino do mestre e se mostra preocupado com a própria saúde. O mentor sofreu uma isquemia cerebral e faleceu em 2006 devido a complicações. Recentemente, Muricy apresentou crise de diverticulite e ficou dois dias internados. Após o caso, o técnico afirmou que estava preocupado com a saúde que não desejaria estender demais a carreira.

"Hoje, graças a Deus, posso escolher no que e se vou trabalhar. Tenho essa possibilidade porque trabalhei muito. Aceitei esse desafio (de voltar ao São Paulo) por gratidão, por coisas importantes para o ser humano. No Brasil é muito difícil o técnico saber do seu futuro, não se tem pensamento a longo prazo. O que sei é que todos meus clubes fico muito tempo e se eu ficar esse tempo no São Paulo pode ser que pare aqui mesmo", finalizou.

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