Há mais de dez rodadas no G4, Paraná supera problema financeiro por acesso

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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A falta de pagamento do salário dos jogadores não prejudicou o desempenho da equipe na competição, que agora figura entre as favoritas pela vaga no Brasileirão

Futura Press/André Rodrigues
Jogadores do Paraná comemoram a vitória na Série B do Campeonato Brasileiro

Fora da decisão do Campeonato Paranaense no primeiro semestre e um início de Série B na zona intermediária da tabela. Essa foi a situação do desacreditado Paraná antes de manter-se 11 rodadas oscilando entre a 3ª e 4ª colocação da Segundona e que aos poucos vai assegurando o seu retorno à elite do futebol brasileiro. Explicação para a boa fase? A metodologia do técnico Dado Cavalcanti e o comprometimento do elenco, que jogou sem nem mesmo receber salários.

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Se o desempenho dentro de campo agrada, fora dele a situação é bem diferente. No último dia 6, jogadores resolveram não participar de um treinamento na Vila Olímpica por ter dois meses de salários atrasados. Com a ameaça de boicote, a diretoria fez um acordo com o grupo e se comprometeu pagar a dívida. Na semana passada, foi efetuado o pagamento do salário referente à julho e a promessa é que agosto seja quitado no fim de setembro. Desde o ano passado, a dificuldade financeira tem sido algo constante no clube.

No entanto, para reverter o déficit dos cofres, o Paraná diminuiu os valores dos ingressos para incentivar a presença da torcida e, consequentemente, gerar maior renda. Os bilhetes, que antes eram comercializados pelo valor de R$ 60, passaram a ser vendidos por R$ 40. A estratégia deu certo e o público que antes girava em torno de quatro mil, saltou para 13 mil torcedores.

"A torcida é importante para qualquer clube, é fundamental. Nós tínhamos uma desconfiança da própria torcida, não tínhamos grandes públicos, mas nas últimas duas partidas em casa tivemos 13 mil pessoas. Isso na realidade é uma evolução de produção da equipe durante o campeonato. Se continuarmos assim, o torcedor vai empolgar porque eles têm feito diferença", declarou o meia Lucio Flávio ao iG.

Outro responsável pela sequência positiva é Dado Cavalcanti. Contratado no início de maio, após a não classificação da equipe para a final do Estadual, o treinador fez contratações pontuais para o torneio nacional e apostou na mescla entre experientes e os pratas da casa. A chegada dele foi, para os jogadores e o vice-presidente do clube, fator primordial para a ascensão.

"Já estávamos de olho no Dado (Cavalcanti), quando era técnico do Luverdense. Nós vimos a forma dele trabalhar. Ele é um treinador estudioso e com um potencial grande de crescimento, por isso apostamos nele. Queríamos ter trazido ele antes, mas o Luverdense não liberou. Depois da passagem do Dado pelo Mogi Mirim, começamos a "namorá-lo". É um perfil novo de técnico aqui no Brasil e nós temos uma confiança muito grande nele", disse o vice-presidente Luis Carlos Casagrande ao iG.

Com o novo comandante vieram as mudanças na equipe e também os resultados. Nesta Série B, o Paraná tem apenas cinco derrotas e lugar no G4 desde a 12ª rodada. O experiente meia vê o bom momento como resposta às críticas antes recebidas.

"Se for ver pelo início (do campeonato), até pelas mudanças do elenco, era colocado como uma difícil missão do Paraná conseguir o acesso. Mudou o elenco, o treinador e acho que acabou dando certo. É um time altamente capacitado. Mesmo os jogadores novos encaixaram muito rápido e isso acabou fazendo que os resultados acontecessem. Era só uma questão de tempo para engrenar", disse o veterano.

Restando 16 rodadas para o fim da Série B, o Paraná planeja conquistar mais 33 pontos para poder se garantir na primeira divisão. Dado Cavalcanti precisará de um aproveitamento de 68,75% até o fim do torneio se quiser brigar pela vaga. O trabalho continua.

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