Presidente, que havia dito que futebol era razão para explicar veto a treinador em julho, não estava no CT da Barra Funda; Jesus Lopes falou em paixão para explicar nova mudança

Muricy é cumprimentado pelo vice-presidente do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes
Futura Press/Léo Pinheiro
Muricy é cumprimentado pelo vice-presidente do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes

O bom filho à casa torna, mesmo que com um certo atraso atraso. A diretoria do São Paulo demorou dois meses para mudar de opinião com relação ao treinador que terá a missão de brigar contra o rebaixamento no Brasileirão ao optar por Muricy Ramalho para o lugar de Paulo Autuori. Os mesmos dirigentes que haviam rejeitado o nome do novo técnico na última vez que o cargo estava vago, em julho, após a demissão de Ney Franco.

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Muricy está em casa novamente. Contratado para sua terceira passagem no clube tricolor, o treinador chegou pontualmente às 11h desta terça-feira no CT da Barra Funda. À vontade, cumprimentou todos os funcionários do local. Depois de uma conversa com o auxiliar Milton Cruz e Tata, seu fiel escudeiro, foi apresentado pelo vice-presidente de futebol João Paulo de Jesus Lopes, que define o comandante como um filho do Morumbi.

“Com muita satisfação fazemos a reapresentação do Muricy. O bom filho à casa torna. Queria fazer um elogio ao Paulo Autuori. Ele ficou pouco tempo com a gente, mas foi um trabalho marcante. Conseguiu recuperar a forma física e a auto estima dos nossos jogadores. Mas o futebol é paixão e emoção e a gente vive uma circunstância inédita, que é uma posição desconfortável na tabela. Em função disso entendemos que o nome mais ajustado para essa situação é o do Muricy”, falou Jesus Lopes.

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Ao contrário da apresentação de Autuori, quando roubou a cena na entrevista coletiva, o presidente Juvenal Juvêncio não participou do retorno de Muricy. Na ocasião, o mandatário havia justificado a rejeição ao atual treinador justamente por futebol “ser razão, não emoção”. A assessoria de imprensa do clube não se manifestou sobre a ausência do mandatário.

Em suas primeiras palavras como técnico são-paulino novamente, Ramalho negou ter ficado magoado por não ter sido escolhido em julho e disse que não poderia recusar um chamado do clube

“Não sou o tipo de pessoa que tem mágoa das coisas. Posso me irritar discutir, mas não magoa. Não tem essa de ficar dodói e dizer que agora é minha vez de falar não. Naquele momento não era eu o cara”, afirmou Muricy.

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“Chegar nessa situação é complicado. É difícil você falar não numa situação dessa. Não dá pra falar não pro clube que me abriu as portas e me criou. Volto num momento difícil, mas acho que a gente vai sair dessa”, prosseguiu o treinador.

Em suas passagens anteriores, Muricy comandou o time em 364 jogos. Foram 197 vitórias, 101 empates e 64 derrotas, conferindo um aproveitamento de 63,3% dos pontos disputados. Com o treinador, a equipe tricolor marcou 629 gols e sofreu 353. Foram cinco títulos: Copa Conmebol 1994, Copa Master da Conmebol 1996 e o Campeonato Brasileiro em 2006, 2007 e 2008.

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