Palmeiras reformula a base com corte de gastos, nova chefia e equipes integradas

Por Gabriela Chabatura - iG São Paulo |

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Profissionalização no futebol amador cortou o número de atletas por categoria e implatou novo treinamento, a fim de atingir a meta de sucesso imposta pelo presidente Paulo Nobre

Gazeta Press
Paulo Nobre iniciou o processo de profissionalização da base

Sete meses se passaram desde quando Paulo Nobre assumiu a presidência do Palmeiras e prometeu mudanças nas categorias de base. Encerrar as atividades do Palmeiras B, demitir o técnico Narciso, que comandou a equipe na Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano, e contratar um coordenador experiente na área foram os primeiros passos. No entanto, as mudanças não pararam, e o futebol amador caminha para a profissionalização que o presidente tanto prometeu durante campanha.

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O fim do Palmeiras B aliviou os gastos com o futebol amador, que antes giravam em torno de R$ 10 milhões por ano. Além disso, cerca de 30 jogadores que estavam no time tiveram o contrato reformulado ou deixaram o clube. O meia Bruno Sabiá e o atacante João Pedro, por exemplo, foram os destaques da Copa São Paulo de Futebol Júnior, mas não renovaram o vínculo e se transferiram para Internacional e Corinthians, respectivamente.

Leia mais: Palmeiras planeja readequação do centro de treinamento das categorias de base

A chegada de Erasmo Damiani, ex-atleta de atletismo e mestre em Educação Física, impulsionou as modificações. O coordenador alinhou a comunicação entre todas as equipes, implantou um método de avaliação dos atletas e inseriu um treinamento por posição que integra todas as categorias, do infantil ao juniores. A ideia é padronizar o estilo de jogo.

"Nós temos toda a semana um trabalho de integração com todos os treinadores das categorias para o trabalho de posição. Então, o treinador do juvenil pode dar trabalho para os meias, o treinador do infantil pode dar trabalho para os atacantes, enquanto o técnico do sub 20 dá trabalho para os zagueiros. Não posso ter o técnico do sub 20 treinando diferente do sub 17. É importante até para que os atletas não sintam tanto a mudança de categoria", explicou Damiani ao iG.

Para isso acontecer, o clube reestruturou a comissão técnica das categorias de base e contratou profissionais que se adequassem a esse modelo de planejamento. Artur Itiro, ex-Audax-SP, assumiu o comando técnico do sub 15; Bruno Petri, ex-São Paulo e Fluminense, foi para o sub 17, enquanto Diogo Giacomini, ex-Atlético-MG, assumiu o sub 20.

Um cenário bem diferente daquele que quando Paulo Nobre encontrou ao chegar. Segundo Damiani, quando os trabalhos começaram havia um número excessivo de jogadores na base. Eram 56 atletas no júnior, 62 no juvenil e pouco mais de 40 no infantil. Esse número foi reduzido e hoje trabalha-se com algo entre 35 e 40 garotos por equipe.

AE
Meia Bruno Dybal voltou para o sub-20 para disputar a Copa do Brasil

Outra medida adotada pela diretoria é o estreitamento da comunicação entre a base e o futebol profissional. Foi iniciado um intercâmbio de atletas entre os departamentos. Atletas que integram o profissional podem, por exemplo, voltar a disputa campeonatos pelo time júnior. Foi o que aconteceu com o zagueiro Luiz Gustavo e os meias Bruno Dybal e Edilson, que treinavam com os profissionais e desceram para jogar a Copa do Brasil Sub 20, que começou no dia 3 de setembro.

"Todos os dias temos uma comunicação sobre o que está acontecendo na base, até porque a base tem de alimentar o profissional. E eu não posso fazer nada sem que o Omar (Feitosa) e o (José Carlos) Brunoro saibam o que está sendo feito. Se nós estamos trabalhando para o profissional, eles têm que saber o que está sendo feito", explicou Damiani.

Por outro lado, o compromisso de compor o elenco e dar mais oportunidades aos jogadores formados no clube ainda não foi concretizado. No atual grupo, apenas o lateral-direito Luis Felipe e o atacante Vinícius têm recebido oportunidades do técnico Gilson Kleina. Muitos dos pratas da casa, ao total seis, foram emprestados a outros clubes. São eles: Patrick Vieira (Yokohama do Japão), Patrik (Sport), Chico (Santo André), João Denoni (Oeste), Emerson (Oeste) e Diego Souza (Oeste).

Quem vive essa situação delicada é o zagueiro Marcos Vinícius, promovido ao profissional em janeiro deste ano após passagem pelo Palmeiras B, onde estava desde 2011. O jogador fez sua estreia na goleada vexatória por 6 a 2 para o Mirassol, no Paulistão, e desde então não jogou mais. Naquela ocasião, ele assumiu de última hora a vaga de Maurício Ramos e logo aos 36 segundos de partida marcou um gol contra.

O palmeirense demonstra incômodo ao falar do episódio: "Eu vinha me preparando e continuo me preparando para, quando eu tiver outra oportunidade, estar mais preparado do que aquela vez. Eu não estava nervoso, estava feliz por estar jogando no profissional. O Gilson Kleina sempre me dá apoio perante o grupo, sempre falou para eu manter a cabeça erguida e ficar tranquilo que a oportunidade vai aparecer de novo", afirmou ao iG.

Questionado se se sente prejudicado por ter recebido poucas chances, o zagueirose diz paciente. "Tudo tem o seu tempo. Acho que estou trabalhando, me esforçando para quando tiver uma oportunidade ir bem. Estou me preparando para quando tiver uma oportunidade, seja aqui ou outro lugar, estar bem para mostrar o que eu sei e me valorizar também".

Se revelar jogadores tem sido raro no Palmeiras, algo que não acontece desde a promoção de Vagner Love há dez anos, Damiani pede paciência e a continuidade do trabalho. "Infelizmente o Palmeiras vive uma pressão política que acontece na maioria dos clubes brasileiros: uma administração assume, implanta um tipo de política e a outra quando vem, esquece e implanta uma nova. Não se dá uma continuidade. A política no futebol é igual a de governo. Você tem a política do governante e não do Estado", disse.

O coordenador entende que é preciso tempo para o projeto dar resultado. "O Palmeiras está indo para cem anos, mas se você pegar a profissionalização do departamento de base ela é muito recente. Esse é um processo lento, que precisa ser mudado aos poucos, gradativamente. Toda quebra de paradigma cria uma insegurança, mas sim, nós estamos pensando no contexto. Eu não posso deixar de ter um banco de dados dos nossos atletas, por exemplo. Para termos essa formação de jogadores, nós vamos ter de trabalhar muito. E, muitas vezes, isso não acontece tão cedo", ponderou.

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