Zagueiro do Corinthians pede investimento em capacitação de profissionais e em estruturas de base, enquanto o ídolo são-paulino questiona sobre a criação de uma liga de clubes

Raí participa de Fórum Nacional do Esporte 2013 ao lado de Ana Moser, ex-jogadora de vôlei
DJALMA VASSÃO / Gazeta Press
Raí participa de Fórum Nacional do Esporte 2013 ao lado de Ana Moser, ex-jogadora de vôlei

O zagueiro do Corinthians  Paulo André e o ex-jogador do São Paulo  Raí confrontaram o atual presidente da CBF, José Maria Marin, em evento nesta sexta-feira em São Paulo. O corintiano cobrou de Marin uma maior atuação e investimento da CBF na formação e capacitação de profissionais de futebol, e o ídolo são-paulino defendeu a criação de uma liga de clubes. Em resposta, Marin disse que a CBF já ajuda clubes da Série D e disse que é contra um Brasileirão organizado pelos clubes e não pela entidade.

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“Gostaria de ouvir do presidente Marin porque a CBF não investe mais na capacitação e na melhoria de estrutura do futebol desde sua base, na formação de profissionais técnicos para formar atletas e não apenas no alto rendimento. Há planos para isso?”, perguntou Paulo André em debate do Fórum Nacional do Esporte promovido pelo Lide (Grupo de líderes empresariais).

Marin argumentou que a função da CBF não é essa e que a grandeza territorial do Brasil impede uma atuação maior da entidade em todas as regiões do país. Argumentou que, apesar disso, a entidade já subsidia a Série D e é responsável pelos gastos com a competição dos 40 clubes que participam dela.

“Nós procuramos, dentro das possibilidades, fazer o melhor. Temos a Série A e a Série B, que é quase tão importante quanto a Série A”, disse Marin. “Mas investir em profissionais e em formação é mais função dos clubes que da CBF”.

Paulo André rebateu Marin. “Subsidiar a Série D é importante, mas não seria mais viável e melhor a longo prazo criar uma estrutura auto-sustentável e auto-suficiente para diminuir a dependência dos clubes da CBF?”, perguntou. “A CBF, com toda sua estrutura, poderia estimular planos neste sentido”, disse o zagueiro corintiano.

“Ao subsidiar a Série D, ajudamos 40 equipes, 40 técnicos, preparadores físicos e vamos colocar um plantel de 15 jogadores. Com a grandeza que o Brasil tem, não podemos acompanhar de pertinho, não podemos ser paternalistas. A CBF cumpre o papel dela de fomento ao futebol brasileiro”, disse Marin.

Depois de Paulo André, foi a vez de Raí interpelar Marin. O ex-jogador perguntou se uma liga de clubes não valorizaria mais o Campeonato Brasileiro, como acontece na Europa, onde os principais países têm ligas fortes sem a ingerência da federação nacional.

“Já houve essa tentativa e não deu certo. Para funcionar, essa liga vai ter a sua contrapartida, vai ter de ter seus funcionários próprios e isso é um gasto a meu ver desnecessário. A CBF está de portas abertas para todos os clubes", disse Marin.

Após o evento, Marin elogiou a postura de Raí e Paulo André e disse defender que os jogadores se posicionem. "Estamos num país democrático e isso é sadio", disse Marin.

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