Principal queixa dos diz respeito à receita que clube tem direito nos jogos em que manda no estádio; contra o Cruzeiro, renda líquida foi de R$734.000 para bruto de R$2.200.000

Elias comemora o gol da vitória sobre o Cruzeiro, no Maracanã. Clube tem feito rodízio de estádios
Alexandre Loureiro/Gazeta Press
Elias comemora o gol da vitória sobre o Cruzeiro, no Maracanã. Clube tem feito rodízio de estádios

A diretoria do Flamengo expôs em uma carta pública, veiculada em seu site oficial, nesta sexta-feira, seu desagrado com as atuais condições oferecidas pelo Consórcio Maracanã, responsável pela administração do estádio carioca.

A principal queixa dos rubro-negros diz respeito à receita a que o Flamengo tem direito nos jogos em que manda no Maracanã.

"No jogo do dia 28/08, contra o Cruzeiro, a renda líquida do clube foi de R$734.000 para uma renda bruta de R$2.200.000. Com esta mesma renda bruta, o Corinthians no Pacaembu teria uma receita líquida de R$1.650.000", reclamam.

Acha que o Flamengo deve mandar suas partidas no Rio ou em Brasília? Comente

O desagrado do Flamengo em relação ao consórcio se traduz na opção do clube por mandar a maioria de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro em outros estádios. Até agora, o time jogou apenas contra o Botafogo no Maracanã, enquanto fez cinco jogos em Brasília, um em Florianópolis e outro em Juiz de Fora.

"Os custos operacionais do Maracanã são de, no mínimo, o dobro de qualquer outro estádio do Brasil, podendo chegar a até 10 vezes o custo de outros estádios capazes de receber também grandes públicos", diz outro trecho da carta.

Abaixo, a íntegra da carta publicada nesta sexta-feira pela diretoria do Flamengo:

A torcida do Flamengo valoriza o Maracanã. Ela é a alma do estádio e faz dele o mais lindo e vibrante do Brasil. Sem o Flamengo, o novo Maracanã se torna apenas uma arena importante, como outras que já existem.

Por esta razão, não se pode admitir que o modelo de administração do Maracanã seja tão prejudicial ao Flamengo. Abaixo, os fatos que aprendemos, fruto de nossa experiência recente:

- No jogo do dia 28/08 contra o Cruzeiro, a renda líquida do clube foi de R$734.000 para uma renda bruta de R$2.200.000. Com esta mesma renda bruta, o Corinthians no Pacaembu teria uma receita líquida de R$1.650.000.

- Esta mesma comparação feita para qualquer outra arena/estádio no Brasil comprovará que no Maracanã o Flamengo trará para seus cofres menos da metade do que seus adversários de outros estados estarão arrecadando.

- Os custos operacionais do Maracanã são de, no mínimo, o dobro de qualquer outro estádio do Brasil, podendo chegar a até 10 vezes o custo de outros estádios capazes de receber também grandes públicos.

- O Maracanã oferece um péssimo serviço tanto na venda de ingressos quanto na operação de acesso, onde as catracas não estão dimensionadas para o alto fluxo de ingresso de torcedores próximo a hora de início da partida.

- Consequência: longas filas, impossibilidade do controle eletrônico do acesso, riscos de evasão de renda, superlotação e descontrole da arrecadação, falta de contagem dos giros de catraca, impossibilidade de saber a relação entre os ingressos vendidos e o número de pessoas que entraram no estádio.

O Flamengo deseja construir uma relação justa e parceira com quem quer que esteja administrando o Maracanã. Uma relação que permita, além de bons resultados financeiros para ambas as partes, a enorme alegria dos 40 milhões de apaixonados torcedores rubro-negros.

É para isto que estamos trabalhando.

Conselho Diretor do Clube de Regatas do Flamengo

Resposta

Horas após receber duras críticas da diretoria do Flamengo em nota publicada no site oficial do clube, o consórcio que administra o Maracanã resolveu rebater as acusações. O grupo se mostrou surpreendido com as reclamações dos rubro-negros e garante que baseia medidas e ações em opiniões dadas pelos próprios flamenguistas durante o processo de negociação pelo direito de atuar no estádio que sediará a final da Copa do Mundo de 2014.

Confira a íntegra da resposta da Maracanã S/A à diretoria do Flamengo:

A respeito da carta aberta divulgada pelo Conselho Diretor do Clube de Regatas Flamengo e em respeito aos torcedores e frequentadores do Maracanã, a concessionária que administra o Maracanã tem a esclarecer:

1 - A empresa Complexo Maracanã Entretenimento S.A., assim como seus acionistas, está absolutamente convencida da importância de ter os torcedores do Flamengo, assim como dos demais grandes clubes do Rio de Janeiro, presentes ao estádio. Prova disso é que negociou intensamente com as diretorias de Flamengo, Fluminense e Botafogo, e aceitou adotar modelos distintos (que atendessem à vontade de suas diretorias) de parceria. No caso do Flamengo, a diretoria do clube optou (diferentemente do que fizeram Fluminense e Botafogo) por um modelo de parceria em que são divididas, igualmente, receitas e custos de todo o estádio e não apenas do setor de ingressos populares;

2 - Portanto, causa estranhamento à concessionária que administra o Maracanã a afirmação da carta aberta de que "o modelo de administração" é "prejudicial ao Flamengo". O "modelo de administração" em parceria, distinto do escolhido pelos demais grandes clubes, atendeu a uma opção feita pelo próprio Flamengo. No entanto, a concessionária sempre esteve e permanecerá aberta ao diálogo com da direção do clube, inclusive para eventualmente negociar novos termos de parceria;

3 - A comparação sobre custos de operação e manutenção de estádios de outras cidades, feita na carta aberta, está baseada em dados incorretos e contém equívocos conceituais. Não é possível comparar, por exemplo, os custos, o serviço e o conforto oferecidos em estádios construídos na década de 1940, com as arenas da Copa do Mundo de 2014 - como o Maracanã, onde perto de 2.800 pessoas trabalham a cada jogo na oferta de facilidades como orientação ao torcedor, restaurantes, lanchonetes, segurança e limpeza;

4 - Também não é adequado fazer comparações de custos com estádios públicos, onde os governos (e os contribuintes) arcam integralmente com a manutenção e operação do espaço - e as receitas com aluguel do estádio para os clubes estão longe de cobrir as despesas. Não à toa, recentemente a Prefeitura de São Paulo, por exemplo, anunciou - com o objetivo de redirecionar para as áreas sociais os gastos que têm com a manutenção do Estádio Municipal -- a intenção de fazer uma licitação para a gestão privada do Pacaembu. A licitação preveria que, além de arcar integralmente com os custos de manutenção, o concessionário faria a modernização do estádio. O objetivo da concessão à iniciativa privada da gestão do Complexo Maracanã também foi justamente desonerar o Estado de subsídios e altos gastos para a sua manutenção, expansão e modernização - liberando o orçamento público para os necessários investimentos em áreas como saúde, educação e segurança pública;

5 - Não é cabível, ainda, como faz a carta, referindo-se ao Maracanã, falar em "catracas não dimensionadas para o alto fluxo de ingresso de torcedores próximo à hora de início da partida". Algo que comprovadamente não ocorreu na final da Copa das Confederações, quando o Maracanã recebeu mais de 71 mil torcedores, sem problema algum;

6- A concessionária que administra o Maracanã informa ainda que está promovendo investigação interna para apurar se teria havido, durante o jogo Flamengo x Cruzeiro, na última quarta-feira, qualquer ocorrência relacionada a, como denuncia a carta, "longas filas, impossibilidade de controle eletrônico do acesso, riscos de evasão de renda, superlotação e descontrole da arrecadação, falta de contagem dos giros de catraca". De todo o modo, alguns fatos precisam ser esclarecidos de imediato. A concessionária não foi responsável pela comercialização integral dos ingressos desta partida. O próprio Flamengo, por meio do seu programa de sócio torcedor, foi responsável por perto de 20% da venda de ingressos. A concessionária sempre disponibiliza os picotes dos ingressos para conferência dos clubes;

7 - A concessionária está trabalhando para a unificação do sistema de ingresso ao estádio existente (desenhado para a Copa das Confederações, no modelo estabelecido pela FIFA) aos três diferentes sistemas de cartões de sócio torcedor adotados por Fluminense, Botafogo e Flamengo. Como resultado deste esforço, no próximo sábado, no jogo Fluminense x Santos, o sistema de ingresso ao estádio já estará compatível com os cartões de sócio torcedor do clube - o que significa que o cartão será suficiente para entrar no estádio, simplificando o processo. E no dia 4, para o jogo Flamengo e Vitória, já confirmado no Maracanã, o sistema do cartão sócio torcedor do Flamengo também estará operando;

8 - A operação do estádio vem melhorando a cada dia e já tem a aprovação da maioria dos torcedores, colhida em entrevistas feitas entre os frequentadores. A concessionária está convicta de que, rapidamente, os serviços e facilidades oferecidas aos frequentadores do Maracanã estarão em nível de excelência, podendo assim contribuir para a profissionalização do futebol brasileiro e para a própria sustentabilidade financeira dos clubes.

Complexo Maracanã Entretenimento S.A.

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