'Pretendo ser presidente do São Paulo', afirma Marco Aurélio Cunha

Por Pedro Taveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Vereador e ex-superintendente de futebol do clube fala com exclusividade ao iG Esporte, analisa prós e contras da gestão de Juvenal Juvêncio e confirma candidatura em 2014

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Marco Aurélio Cunha: candidato à presidência do São Paulo em abril de 2014

Enquanto o São Paulo vive a maior crise de sua história dentro de campo, fora dele já começam as movimentações para a corrida eleitoral de 2014. Em abril do ano que vem, o clube do Morumbi escolherá seu novo presidente. Em seu terceiro mandato, Juvenal Juvêncio não poderá concorrer novamente ao cargo. E, enquanto não surgem nomes oficiais na situação, a oposição aparece com um rosto bem conhecido do torcedor são-paulino: Marco Aurélio Cunha, que afirmou ao iG Esporte que pretende ser presidente tricolor.

Em entrevista exclusiva concedida em seu gabinete na Câmara Municipal, o vereador e ex-superintendente de futebol do São Paulo fez uma avaliação crítica dos oito anos de Juvenal Juvêncio à frente do clube e cobrou debate eleitoral. Elogiou o presidente por sua obra, o tricampeonato brasileiro de 2006 a 2008 e a construção do CFA (Centro de Formação de Atletas) de Cotia. Mas também reprovou o modelo de gestão que hoje, em sua opinião, contribui para deixar a equipe próxima de um inédito rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

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Cunha falou sobre o que o levou a votar a favor de uma mudança no estatuto são-paulino em 2011, o que permitiu que Juvenal ganhasse um terceiro mandato. De acordo com ele, influência de grandes beneméritos como o ex-governador paulista Laudo Natel. E disse também que as brigas políticas com CBF e Corinthians desgastaram muito o presidente e fizeram o Morumbi ser excluído da Copa do Mundo de 2014 – nesta questão, afirmou acreditar que o São Paulo seria alvo de um golpe de qualquer forma.

Leia abaixo a primeira parte da entrevista de Marco Aurélio Cunha ao iG Esporte:

iG Esporte: Como avalia a situação política do São Paulo atualmente?
Marco Aurélio Cunha: O São Paulo tem eleições em abril de 2014 e o presidente Juvenal não continuará. Nós vamos ter um novo presidente. Todo o debate acaba ficando como opositor ao presidente Juvenal por discordar de algumas coisas, por propor outras e levando para o lado pessoal, tentando carregar com isso deslealdade, infidelidade, oportunidade. Esse é o discurso de quem está lá na diretoria presente. E não é nada disso. Se nós vamos ter mudanças obrigatórias, um novo presidente depois de oito anos, é mais que necessário que a gente discuta esse processo eleitoral. Que a gente discuta quem vai comandar o São Paulo minimamente pelos próximos três anos ou seis, já que o Conselho é eleito por seis anos. Temos que debater o processo político do São Paulo. O que, para alguns, é cedo, é só o Conselho que debate. Claro que não é! O Conselho se reúne a cada dois meses numa sessão de duas horas. Ou seja, estamos no mês de agosto e três reuniões de Conselhos vão decidir a história do São Paulo? Sem debate? Não é possível debater um processo político dessa grandeza, envolvendo um clube com orçamento dessa grande, ambição de conquistas, o sonho de 20 milhões de são-paulinos em três reuniões de Conselhos. Fica ridículo se a gente confinar o debate a esse prazo de seis a oito horas.

iG Esporte: Qual seria a solução?
Marco Aurélio Cunha: Solução é o que se faz rotineiramente. Lá no São Paulo respira-se política. Os grupos políticos que têm lá dentro se movimentam. No dia-a-dia o São Paulo faz política e não é possível que, se você não fizer parte da diretoria, você não faça politica. Política é o debate de ideias, sem personificar, sem falar mal de ninguém, é cobrar resultados. Porque às vezes cobrar resultados vira inimigo. Calma! Estamos só debatendo o clube que todos amam. O produto final é o amor ao clube, o melhor para o clube. Não pode haver excluídos e hoje há muitos excluídos.

iG Esporte: O São Paulo tradicionalmente não tem uma oposição muito forte...
Marco Aurélio Cunha: Não, sempre teve. O São Paulo sempre teve uma oposição muito grande. Com a seca de resultados há movimentação política. Quando esgotam as ideias, sobra força do comando. Comando muito forte, hiperativo, que não dá oportunidade ao debate. Começa a não ir bem e não ouve mais os companheiros. Aí há uma dissipação e formação de novas forças. É igual em todo lugar. Isso não significa negar o passado vantajoso que tivemos, mas reacender as ideias. Essa oposição diminui conforme as conquistas. Quando está tudo bem, não tem do que reclamar. As coisas começam a ir mal e começam a surgir os que discordam. Oposição é uma coisa dura de dizer porque aqui no Brasil a gente começa a trabalhar pelo “quanto pior, melhor”. Oposição é muitas vezes destrutiva e extremamente crítica. E ela é bonita quando começa a alertar a situação de seus próprios erros. E isso é feito de forma correta, eu fiz isso bastante. A oposição é um freio e a situação é um acelerador. Um tem que combinar com o outro. São opostos em termos de ação, mas absolutamente próximos em termos de boa conduta e segurança. Você não tem acelerador sem freio e nenhum dos dois é ruim. O freio é imprescindível. A palavra frear parece que é uma coisa que você impede. Não, é necessária na conta certa. A oposição é o freio correto que combina com o acelerador. Por isso não deve ser nem menosprezada, nem tripudiada. E nem posta como inimiga, ela é necessária. Nesse momento ela surge porque os resultados são muito ruins e o que move o São Paulo é o futebol. Muitas coisas que estão ocorrendo poderiam ter sido evitadas.

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iG Esporte: Os erros da gestão de Juvenal Juvêncio só começaram após sua saída do clube ou havia falhas antes?
Marco Aurélio Cunha: Seria muita pretensão eu colocar isso em termos pessoais. Mas tentei durante um ano mostrar algumas coisas que pensava e isso não quer dizer que sejam as corretas. Ninguém aqui está livre de errar. Ocorre que eu percebi que meu espaço e minhas opiniões não estavam mais valendo. Havia, talvez pelas conquistas, uma postura de que o clube era soberbo, diferenciado, e que o clube como instituição funcionava sozinho. Não há nenhuma instituição que funcione sem material humano. O dirigente é aquele que confere, idealiza, norteia e respeita a função. Enquanto as funções eram respeitadas, nós caminhávamos muito bem. Quando nós deixamos talvez de respeitar e começamos a fazer um plano cuja autoria era do poder, começamos a perder espaço. O poder nos fez perder muitas coisas, criar muitas inimizades desnecessárias e nós perdemos muito mais do que ganhamos nos últimos quatro anos em todos os sentidos. Tanto no lado político quanto no lado esportivo. Há dois anos e meio, quase três, percebi isso e decidi que sairia no fim de 2010. E fiz isso. Oficializei minha saída em janeiro [de 2011], quando começava a temporada. Terminei 2010 naquela tentativa ilusória de tentar trazer um treinador da base para dirigir o profissional (Sérgio Baresi). Depois teve que ser corrigida para a gente não cair com o Carpegiani. Me dei muito bem com o Carpegiani e ele pediu para eu continuar, mas eu falei “não dá, porque o processo tende a ser diferente do que acredito” e saí do São Paulo. Fui homenageado, não briguei com ninguém e continuo não brigando. Claro que deixei o São Paulo para também dar a oportunidade de ver se eu estava errado. De repente aquilo que você acha pensa, você acha que está certo, mas está errado. Dois anos e meio se passaram para eu analisar os resultados da minha ausência e os resultados dos quais eu questionava a ação. Entendi que eu tinha razão. E daí a minha crítica. Fui ao presidente Juvenal antes dos jogos do Atlético-MG e Corinthians, por Libertadores e Campeonato Paulista, e lhe disse “o senhor precisa da minha ajuda? Estou vendo coisas que eu acho que possa tentar ajudar”. O diretor financeiro do lado, Osvaldo Vieira de Abreu, disse “não precisa, nós estamos indo muito bem”. Eu disse a ele: “Não estou me pondo no lugar de ninguém. Estou aqui tentando ofertar um pouco do meu conhecimento para tentar nessa fase decisiva ir um pouco melhor, porque eu prevejo problemas”. “Não, vai tudo bem daqui pra frente”. O presidente não falou uma palavra. Quem respondeu por ele foi o Osvaldo Vieira de Abreu. Aí eu disse: “Presidente, vamos conversar sobre o futuro político, alguma coisa que você está pensando...”. “Isso eu não falo. Nem com os meus”. Então eu entendi que não era parte daquilo. Agradeci, dei um abraço afetuoso nele e fui embora. Passados esses resultados entendi que era hora de alguém se manifestar que as coisas estão erradas. Eu amo mais meu clube do qualquer outra coisa sob o ponto de vista de lealdade e sinceridade. “Foi o presidente Juvenal quem te trouxe de volta!”. E qual o problema? Não posso discordar dele por isso? Eu fiquei algemado e mudo porque ele me trouxe? Eu estive em nove clube. Ele fez muito bem em me trazer de volta. Aliás, eu ajudei muito! Aí vem aquele aspecto também maldosamente colocado: remunerado. Há um preconceito muito grande no São Paulo sobre esse negócio. Ou seja, o Rogério Ceni não tem mérito nenhum, ele é remunerado. É incrível a hipocrisia. Aí vem o vídeo lá da festa de casamento e os meninos cantando o ‘Leão do Mar’. “Santista!”. Aí o sócio-torcedor coloca lá uma menção contra mim via torcida organizada. Meu próprio clube fazendo um manifesto contra mim, um conselheiro, via organizada. Se perdeu a postura. Se perdeu a relação humana há muito tempo. Isso mostra pra mim a cada dia que eu realmente tenho que continuar na luta por mudanças no São Paulo.

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Marco Aurélio Cunha foi homenageado por Juvenal Juvêncio ao se desligar do clube em 2011

iG Esporte: Como é hoje sua relação com Juvenal Juvêncio fora do clube?
Marco Aurélio Cunha: Excepcional. Sempre foi. Fui casado com a filha dele, por quem eu tenho o maior respeito, e a família dele toda é minha amiga. Temos uma relação muito próxima. Evidentemente, nesses últimos dois anos e meio, poucas vezes ele me solicitou. Mas sempre nos cumprimentamos. Estive em sua casa, ele esteve na minha. Mas na questão interna do clube eu tive um afastamento de tudo. Ele não me chamou para nada. Mas minha admiração por ele é muito grande, o que não invalida eu dizer que os últimos três anos do futebol do São Paulo foram desastrosos. Mas foi uma escolha pessoal dele esse tipo de ação.

iG Esporte: A torcida organizada protesta contra ele. Ao mesmo tempo, sai um vídeo com uma mensagem contra o senhor...
Marco Aurélio Cunha: Honestamente, não vi a torcida organizada protestar contra ele. Eu vi protestos contra jogadores, mas a diretoria sendo poupada o tempo inteiro. Inclusive, quando torcedores comuns protestaram, eles foram lá e inibiram. Eu vejo a organizada de forma diferente. Alguém lá trabalhou para que ela falasse contra mim. E ela deve estar envergonhada de fazer isso. Tenho certeza que está envergonhada. Porque ela sabe dos meus princípios, meus propósitos, e alguém a levou a agir dessa forma. Refletindo tudo que aconteceru, acho que ela vai pensar diferente.

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iG Esporte: Como que era sua relação com a torcida organizada quando estava no clube?
Marco Aurélio Cunha: Eles lá e eu cá. Respeitando-os como torcedores. Como respeito todos os torcedores do Sâo Paulo. Não podemos privilegiar torcedor. Não posso tratar um pai, uma mãe ou uma criança pior do que trato uma torcida organizada. Não faz sentido. Respeito como são-paulinos. Ponto. Não me meto com a firma.

iG Esporte: O senhor é apontado como o nome mais forte nessa corrida eleitoral. Pretende ser presidente do São Paulo?
Marco Aurélio Cunha: Pretendo. Pode até não ser agora, e não que eu entenda que vá perder, mas nós temos dois turnos de eleições. Um turno é a eleição dentro do clube, que eu estou capitaneando, e um outro que é a eleição do Conselho. Sempre disse que se houver um nome melhor que o meu, eu abdico do direito de ser presidente. Eu abro mão pelo melhor que eu em termos de currículo, capacidade intelectual, competência administrativa. Não tenho nenhum problema. A questão de ser presidente do São Paulo, para mim, é secundária a ver meu clube melhor. O que eu quero é ver meu clube virando a página, agradecida pelos serviços prestados pelo presidente Juvenal, lamentando as últimas escolhas do futebol e reorganizar o São Paulo com novas ideias. O São Paulo está ultrapassado. Se você ler, o próprio Rogério Ceni disse que nós paramos no tempo. Não foi em um momento de não reflexão que foi dito. Nós paramos no tempo. Nós tínhamos a chave do sucesso, jogamos fora e um outro clube achou. Nós precisamos recuperar essa chave com ideias novas, com outro modelo de gestão do futebol. E não é fácil, porque quando você se atrasa um, dois anos para você se recuperar demora quatro ou cinco.

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Marco Aurélio foi dirigente são-paulino nas conquistas da Libertadores, Mundial e tri brasileiro

iG Esporte: Para abril de 2014 o senhor será candidato à presidência?
Marco Aurélio Cunha: Ao Conselho do São Paulo, inicialmente. Nossa primeira eleição é do Conselho. E depois, se possível, à presidência do São Paulo. Se não for possível, apoiando um nome melhor que o meu.

iG Esporte: Por que o senhor não se posicionou contra a mudança de estatuto promovida pelo Juvenal Juvêncio?
Marco Aurélio Cunha: Meu voto foi a favor. Primeiro, porque eu concordo que em dois anos não dá para ninguém fazer trabalho nenhum. Senão quando você aprendeu já tem outra eleição. Para entender o clube e organizá-lo melhor, três anos é um tempo bastante justo para um presidente se afirmar ou não. Essa foi a primeira ideia. O aumento para a reeleição eu discuti muito. Não queria. Achava que o presidente Juvenal deveria ter saído com toda sua glória após o tricampeonato brasileiro e ficar marcado na história. Eu até brinquei e disse: “Está numa mesa de pôquer, cheio de ficha, seis da manhã, vai continuar jogando?”. Qual a tendência? Perder. Eu até discuti. Aí vieram as opiniões dos nossos grandes beneméritos, mais velhos e experientes, falando sobre a hipótese do Morumbi na Copa, que precisaria ter o Juvenal até a Copa, que faltava terminar Cotia, que era justo que ele fizesse o terceiro mandato para terminar sua grande obra. E o governador Laudo Natel, o Manoel Raimundo Paes de Almeida e outros sugeriram que ele continuasse. Quem sou eu para dizer não nessa esfera de valor? Segui aqueles que construíram o Morumbi. Se eles estão dizendo eu vou seguir, mesmo contra a vontade. Havia a contra-vontade pelo bem do presidente Juvenal. Fui lá e votei. Acho que não deu certo. Não foi a melhor escolha nem para o presidente Juvenal e nem para o Sâo Paulo. Porque esses três anos foram difíceis. Talvez ele, muito forte com a condição política que adquiriu, deixou de ouvir os companheiros. Especialmente sabendo que seria seu último mandato, poucas satisfações a dar. E passou a ouvir muito menos do que deveria e a decidir muito mais sozinho do que decidia. E com seus sonhos e fantasias, que na prática eu entendia que não poderia dar certo.

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iG Esporte: Essa questão do Morumbi na Copa do Mundo pode ter desestabilizado o presidente, o que poderia explicar muitos dos problemas?
Marco Aurélio Cunha: Desestabilizou muito, sim. Ele perdeu muita energia com esse debate. Quero defendê-lo em uma tese: o São Paulo seria enganado de qualquer forma. Recentemente, o Júlio Casares, de uma forma infeliz, disse que o Executivo paulista tinha já viabilizado o estádio de Itaquera. Realmente houve essa influência, mas o comando foi Federal. O comando foi do Ricardo Teixeira, a orquestração foi do presidente Lula e o Executivo paulista simplesmente fez aquilo que a cidade precisava. Já que o Morumbi está vetado pelo pelo Ricardo Teixeira e sem o compromisso assumido pelo presidente Lula de garantir o Morumbi, o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin não tiveram alternativa política a não ser conceder e criar uma fórmula para faz Itaquera. E que votei contra aqui como vereador. Essa arquitetura desse golpe já estava planejada. Onde que o Juvenal errou: ele deu a oportunidade da justificativa. Quando ele combateu o Ricardo Teixeira no Clube dos 13, ele colocou uma pá de cal na relação entre São Paulo e CBF e deu a oportunidade ao Ricardo Teixeira de ter um motivo para criar o empecílho. Ele personificou o problema. Não sei se foi ruim para o São Paulo não participar. Politicamente foi muito ruim. Economicamente eu tenho dúvidas. Defendo o Juvenal Juvêncio quando ele tentou e critico porque ele comprou a briga desnecessária para que se desse a justificativa do litígio. Não havia litígio, eles teriam que dar outro golpe que não esse no São Paulo. Ele oportunizou o golpe.

Diogo e seus companheiros da Portuguesa celebram o gol da vitória sobre o São Paulo. Foto: Gazeta PressRogério Ceni teve chance em cobrança de pênalti, mas viu Lauro defender. Foto: Gazeta PressWilliam é o artilheiro do Brasileirão e ajudou a Ponte a bater o Criciúma. Foto: Denny Cesare/Gazeta PressJogadores do Grêmio comemoram gol na vitória fora de casa sobre o Bahia. Foto: Gazeta PressScocco estreou pelo Inter. Foto: VINÍCIUS COSTA/Preview.com/Gazeta PressPato marcou de pênalti o gol da vitória por 2 a 0 do Corinthians. Foto: SERGIO BARZAGHI / Gazeta PressRalf comemora seu gol na partida contra o Vitória no Pacaembu. Foto: Wagner Carmo/Inovafoto/Gazeta PressCoritiba estreou o seu terceiro uniforme contra o Vasco . Foto: Heuler Andrey/Gazeta PressPedro Ken, formado no Coritiba, marcou para o Vasco no Couto Pereira. Foto: Heuler Andrey/Gazeta PressRafael Sóbis abriu o placar no Fla0Flu. Foto: Bruno Turano/Gazeta PressHernane marcou o segundo gol do Flamengo no Fla-FLu. Foto: Bruno Turano/Gazeta PressFlamengo comemora o gol de Elias e Luxemburgo lamenta. Foto: Bruno Turano/Gazeta PressLuan em lance de Cruzeiro e Santos no Mineirão. Foto: Juliana Flister/VipcommArouca cerca Nilton em lance de Cruzeiro e Santos no Mineirão. Foto: Juliana Flister/VipcommSeedorf domina a bola durante o duelo do Botafogo com o Goiás. Foto: Gazeta PressAtlético-MG e Náutico fizeram jogo brigado e sem gols no estádio dos Aflitos. Foto: Gazeta Press

iG Esporte: E as brigas políticas com o Andrés Sanchez...
Marco Aurélio Cunha: Fortaleceram a busca do Andrés pela construção de seu estádio.

iG Esporte: Os rivais do São Paulo estão erguendo arenas modernas e com grande potencial financeiro. A reforma do Morumbi é o suficiente para manter o estádio moderno a ponto de concorrer com Palestra e Itaquerão?
Marco Aurélio Cunha: Nós não concorremos, nós somos melhores. E aí não é soberba, eu vou te explicar o por quê: primeiro, a Fifa determina que os estádios da Copa tenham o campo muito próximo ao torcedor, o que é bom para o futebol, mas péssimo negocialmente falando. Porque toda vez que tem que criar um show, você não tem área se escape, sua capacidade é menor. Você não abriga, de jeito nenhum, 70, 100 mil pessoas nesses estádios arenas. Num show desses você põe 30 mil pessoas, o que é bom. Porém, no Morumbi são 70, 100 mil pessoas num show. O Morumbi e o estádio do Palestra Itália são bem centralizados, com público-alvo com renda superior. Esses shows são caros. O poder aquisitivo deve ser elevado. Não sei até que ponto a região da zona Leste tem esse poder aquisitivo de pagar esse preço por tíquete médio e também a questão do ir e vir. Você pode falar que há metrô, e é muito bom que haja, mas essa pessoa que vai ao show de poder aquisitivo mais alto, que paga ingresso de 200 ou 300 reais, será que ela vai até lá? O Itaquerão vai ser importânte para a zona Leste, vai preencher todas as expectativas do Corinthians, vai estar sempre lotado pelos torcedores corintianos, mas não sei como vai funcionar como alternativa de receita. O Palestra Itália vai ser importantíssimo para quem construiu. Para o Palmeiras menos, porque vai demorar 30 anos para o estádio ser seu. O nosso estádio é nosso. Nós não temos que pagar por ele. Eu não tenho crediário para pagar. Palmeiras e Corinthians têm. Por isso acho que o São Paulo não perderá sua postura. É claro que haverá menos jogos no Morumbi, os adversários não jogarão. Vamos perder com isso, inclusive história, porque era legal um Palmeiras x Corinthians no Morumbi, mas no aspecto comercial acho que o São Paulo não perde, não.

iG Esporte: Acha que foi um erro entrar em uma briga que acabou fazendo com que os outros grandes deixassem e usar o Morumbi?
Marco Aurélio Cunha: Eu acho que foi uma atitude personalista desnecessária. É óbvio que o Morumbi estava tão bem constituído, que talvez o custo do aluguel não compense. O aluguel é para você pensar duas vezes se vale a pena. Porque o que estraga, o que degrada e cria de dificuldade... O torcedor alheio não respeita a propriedade do clube, ainda mais com essa rivalidade exarcebada. A violência e falta de educação, uma rivalidade quase bandida de alguns... O patrimônio é muito pouco respeitado. Por esse aspecto, não sei se vale a pena alugar o estádio. Sob aspecto histórico, é muito legal. Às vezes o aluguel não dá a despeza da depredação. É para pensar duas vezes. Agora, a forma poderia ser outra. Isso ia acontecer naturalmente sem a sequela do litígio. Acho que o litígio foi desnecessário naquele momento. Tem lógica o que o presidente Juvenal falava, mas porém a forma hiperativa talvez tenha sido desnecessária.

iG Esporte: A relação entre São Paulo e Corinthians saiu do inferno dos tempos de Andrés Sanchez e agora está no purgatório com Mário Gobbi. Alguma chance de atingir o paraíso caso o senhor comande o São Paulo?
Marco Aurélio Cunha: Eu sou uma pessoa absolutamente livre de preconceitos, exclusão e inimizades. Sou brincalhão, faço ironias, gozação, recebo ironias e gozação. Recentemente, o Neto foi agraciado com o título de cidadão paulistano e eu fiz questão de fazer parte da mesa e abrir a sessão para homenageá-lo, como meu amigo que é. Essas diferenças não estão fora do campo. Eu quero meu time ganhando de todos os rivais possíveis, mas não transfiro para a relação humana nossa rivalidade de campo. É preciso ter fair play, sim. É preciso receber bem, pensar duas vezes antes de brigar. Vou defender os interesses do meu clube com muito vigor, mas sempre no limite de reconciliação e não perder os amigos e relações humanas. Não posso me transformar na instituição. Sou representante da instituição. Ela não pode ter sentimento, tem que ser sempre uma bandeira pronta a receber, tratar bem e debater, mas não pode ter ressentimento.

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