Demitido pelo Grêmio, treinador não faz grande trabalho há anos e precisa se reinventar ou corre o risco de terminar o ano de 2013 desempregado

Luxemburgo ficou um ano e quatro meses no Grêmio, mas não conquistou títulos
Futura Press
Luxemburgo ficou um ano e quatro meses no Grêmio, mas não conquistou títulos

Salários altos, comissão técnica inchada, multas rescisórias milionárias e garantia zero de títulos. O “projeto” de Vanderlei Luxemburgo está em crise. Demitido do Grêmio no final do mês passado, o técnico se vê em situação inédita em sua carreira: a falta de mercado. Sem fazer um grande trabalho há anos, o treinador precisa se reinventar ou corre o risco de terminar o ano de 2013 desempregado.

A última vez que Luxemburgo realizou um trabalho duradouro foi entre 2006 e 2007. Na ocasião, o técnico ficou duas temporadas à frente do Santos , mas não conseguiu títulos. A mais recente conquista de expressão foi o Brasileirão de 2004, também pelo time da Vila Belmiro.

De lá para cá, o treinador até venceu cinco campeonatos estaduais por Santos (2006 e 2007), Palmeiras (2008), Atlético-MG (2010) e Flamengo (2011), mas é pouco para quem já foi considerado o melhor do Brasil. Nessas quatro equipes, e também no Grêmio, a falta de títulos de âmbito nacional e, principalmente, continental, pesou contra e ele não emplacou dois anos seguidos em um mesmo clube.

Outro ponto que não ajuda mais Luxemburgo é o fato de o treinador trabalhar uma comissão técnica numerosa. Para todo clube que vai, ele leva o preparador físico Antônio Mello. Quando possível, arrasta também o fisioterapeuta Nilton Petrone, o Filé, que desta vez permanceu no Grêmio. Fisiologistas e nutricionista estiveram sempre em cada time dirigido pelo técnico recentemente.

No Atlético-MG, onde ficou por somente nove meses, o técnico inovou e contratou oito nomes para sua comissão. Entre eles estava o ex-árbitro Wágner Tardelli como instrutor sob o argumento de que os jogadores não conhecem as regras do futebol. “Vamos usar o código disciplinar a nosso favor”, disse o comandante à época. Havia também um cinegrafista. O trabalho ruiu em nove meses.

O alto valor cobrado por Luxemburgo sempre espantou. Mas, como os clubes acreditavam no “projeto”, isso nunca foi um grande empecilho. Em sua última passagem pelo Santos, o treinador recebia cerca de R$ 500 mil mensais. Valores semelhantes foram pagos por Flamengo e Atlético-MG. No Grêmio, a quantia teria subido para R$ 600 mil por mês.

TRABALHOS RECENTES DE VANDERLEI LUXEMBURGO
CLUBE PERÍODO CAMPANHA TÍTULOS
Palmeiras 2008-2009 110J, 40V, 30E, 40D - 45,4% Paulista 2008
Santos 2009 26J, 9, 8E, 9D - 44,8% -
Atlético-MG 2010 53J, 22V, 12E, 19D - 49,0% Mineiro 2010
Flamengo 2010-2011 73J, 35V, 27E, 11D - 60,2% Carioca 2011
Grêmio 2011-2012 91J, 52V, 21E, 18D - 64,8% -

Se o investimento já não compensa mais, as caras multas rescisórias praticamente fecham as portas para o técnico. A cláusula com a equipe gaúcha era de R$ 7 milhões. No time mineiro, R$ 4 milhões. Números que fazem dirigentes de qualquer clube brasileiro pensar duas vezes.

No São Paulo , Juvenal Juvêncio despediu Ney Franco há duas semanas e, antes mesmo de decidir por Paulo Autuori, anunciou que o nome de Luxemburgo não estava nos planos. O mesmo fez o Flamengo quando trocou Jorginho por Mano Menezes. O Santos mandou Muricy Ramalho embora, mas buscou duas opções argentinas; sem o acerto, segue com o interino Claudinei Oliveira.

Ainda considerado bom taticamente, o treinador tem a alternativa de diminuir seu preço e o tamanho da comissão técnica para se manter no mercado dos maiores clubes brasileiros. Ou deixar seu status de "manager" e dedicar-se somente ao campo de jogo, sem participar de negociações de atletas.

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